Os 35 anos da abominável "Tragédia de Heysel" na Copa dos Campeões

Apesar dos 39 mortos e dos 628 feridos antes do seu começo, ainda houve o jogo, vitória da Juventus de Turim sobre o Liverpool, gol de pênalti, 1 X 0

A placa que lembra, nos traços, od 39 mortos na tragédia

A placa que lembra, nos traços, od 39 mortos na tragédia

juventus.com

Dia 29 de Maio de 1985. Acima da cobertura das tribunas de número 3 do Estádio Rei Balduíno, bairro de Heysel, noroeste de Bruxelas, capital da Bélgica, duas horas antes do início programado de Juventus de Turim X Liverpool, pela decisão da Copa dos Campeões da Europa, ainda se viam alguns resquícios do Sol poente. Pacientemente, as cerca de 60.000 pessoas, de ingressos já adquiridos com a indispensável antecedência, se aprestavam a se acomodar em seus respectivos lugares, os torcedores de cada clube meramente separados por uma muretinha, uma grade e três portões.

No placar do estádio, o pedido de calma e de pacificação

No placar do estádio, o pedido de calma e de pacificação

Arquivo Pessoal

De repente, sabe-se lá como e por quê, os “hooligans”, os vândalos do Liverpool, primeiro aos berros e aos gestos, desandaram a provocar os “tifosi” da Juve. Decrépito o estádio, sobravam paus e pedras em todos os cantos. E a agressão verbal se transformou em troca de mísseis. Num átimo, os ingleses avançaram, a divisão cedeu e houve o confronto físico, com uma brutal desvantagem para os italianos, muitos deles em famílias inteiras. O episódio se eternizaria, infelizmente, como “A Tragédia de Heysel”. E eu jamais me esquecerei do que testemunhei. Ainda hoje, debaixo do vidro da minha mesa de trabalho, paira uma lembrança tristíssima, o ingresso daquele combate.

O desespero entre os "tifosi" da Juventus

O desespero entre os "tifosi" da Juventus

Arquivo Pessoal

Balanço da imbecilidade: oficialmente, 39 mortos. Extra-oficialmente, 628 feridos. Extra-oficialmente porque não se contabilizaram as pessoas que escaparam da confusão mas não procuraram hospitais ou pronto-socorros. Dentre os mortos, quase todos italianos, inclusive um menininho de apenas dez anos de idade. A UEFA responsabilizou o Liverpool pelo desenlace. Indignada, “Dame” Margareth Thatchcr, a premiê da Grã-Bretanha, recriminou os seus compatriotas e pressionou a Football Association a adotar medidas punitivas. E a UEFA mergulhou fundo e, sem perdão, excluiu todos os clubes britânicos de suas competições até a distante temporada de 1991.

Platini e a celebração desenxabida

Platini e a celebração desenxabida

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Justíssimo, como resposta ao comportamento depravado dos “hooligans” mesmo em torneios de sua própria terra. Quanto ao jogo, apesar do clima de desolação, começou atrasadíssimo e, enfim, dotado da segurança policial que deveria estar presente bem antes. Claro, foi um jogo bem chocho e praticamente sem graça. Talvez terminasse em 0 X 0, não fosse o penal que, aos 56’, o mediador André Daina, da Suíça, resolveu marcar a favor da Juve. De fato Gary Gillespie derrubou Zibì Boniek – bem fora da área, porém. Michel Platini converteu e, depois dos fracassos de 1973 e 1983, a “Senhora” pôde celebrar, desenxabida, a sua inédita conquista da Copa dos Campeões.


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