Silvio Lancellotti O Brasil triunfa, e bem, 2 X 0 no Paraguai. O Manifesto? Silêncio.

O Brasil triunfa, e bem, 2 X 0 no Paraguai. O Manifesto? Silêncio.

Ao contrário de Casemiro, capitão contra o Equador, que insinuou um pronunciamento sobre a Copa América, Marquinhos, contra os "Guaranis", se limitou a dizer sim com palavras bem ensaboadas.

Festa em Assunção, 2 X 0 no Paraguai

Festa em Assunção, 2 X 0 no Paraguai

@DBF/LucasFigueiredo

Moral antecipada desta história: quem não está disposto a brigar, não deve ameaçar.

Placar à parte, nesta noite de 8 de Junho, no Defensores del Chaco de Assunção, a capital do Paraguai, aconteceu uma enorme expectativa paralela no cotejo entre a equipe dos “Guaranis” e a seleção do Brasil pelas Eliminatórias da América do Sul à Copa do Qatar/2022. Ao que houve no campo se superporia o que ocorreu dos bastidores do hotel do time “Canarinho”, que envergou, aliás, camisas azuis, muito mais elegantes, até os vestiários do estádio. De Clodoaldo Tavares Santana, o “Corró”, campeão do planeta no México/70, simbólico chefe da delegação, aos  jogadores da seleção e ao seu treinador Adenor Bachi, o Tite, provinham sinais de alívio em resposta à suspensão de Rogério Caboclo,o autoritário presidente da CBF. Não havia convergência, todavia, quanto à postura do elenco sobre o teor do seu anunciado “Manifesto de Assunção” e a sua posição sobre a realização, aqui, da Copa América. Quem imaginava ousadia muito se decepcionou.

Clodoaldo e, logo atrás, Tite

Clodoaldo e, logo atrás, Tite

CBF/LucasFigueiredo

No gramado, o Brasil suplantou o Paraguai, resultado de 2 X 0, e quebrou um tabu, não ganhar em Assunção, que advinha das Eliminatórias do México/1986, quando venceu por 2 X 0. Agora, desde então, em cinco jogos, se acumulam dois empates e três sucessos do Brasil. Desde o primeiro cotejo, 3 X 1 para o Brasil, em Buenos Aires, Argentina, pela Copa América de 1921, em 81 combates o “Canarinho” soma 48 triunfos a 11, nos gols 175 a 66.

Cenários nebulosos, obviamente, induzem a especulações alucinadas. Antes mesmo da porfia da sexta-feira, diante do Equador, vitória de 2 X 0, muita gente discutiu o fato de, supostamente, os “negacionistas” de plantão terem-se apropriado da coloração amarela da camisa oficial da seleção. E muita gente deve ter se impactado ao ver que o Brasil iria desafiar o Paraguai de azul. Por quê a troca? Um protesto sutil do time de Tite? Tolice. Tal mudança estava prevista antes da viagem. Ou esse azul não integraria a bagagem.

O momento do arremate de Neymar

O momento do arremate de Neymar

Reprodução YouTube

Outra lucubração, sobre o estado psicológico dos pupilos de Tite, a quem Caboclo mergulhara numa tensão brava, conseqüência lógica do seu mandonismo desequilibrado, se desfez antes dos 3’, quando Gabriel Jesus invadiu pela direita e cruzou, horizontalmente, na linha de entrada da área pequena, onde Neymar escorou com frieza e enorme categoria. Quem já bateu bola sabe que, no momento em que a redondinha começa a rolar, o mundo se transforma. Pareceu que chegaria mesmo a seu fim o incômodo tabu. Prevalecesse o tento de folga, o Brasil subiria aos degrau dos 18 pontos em 18 possíveis. No intervalo, claro, Tite & Cia. souberam que a vice-líder Argentina se limitara à igualdade de 2 X 2 na Colômbia e empacara nos 12. Que o Equador, terceiro colocado, tinha perdido do Peru, em viagem, e tinha ficado nos 9. Que o Uruguai se limitara à igualdade de 0 X 0 na Venezuela e empacara nos 8. Seis pontos além da Argentina lhe garantiam tranqüilidade até o desfecho das Eliminatórias. E o Brasil, óbvia e naturalmente, optou por se resguardar.

Tite, seis jogos e seis vitórias. E daí?

Tite, seis jogos e seis vitórias. E daí?

CBF_Futebol

Os três pontos se consolidaram nos acréscimos, aos 92’, num lance lindo de Neymar através do miolo e daí no passe que Lucas Paquetá, no flanco direito da área, pegou de canhota, rasteiro. A pelota ainda se chocou bem no pé do poste, do outro lado, e determinou os justos 2 X 0. Na entrevista obrigatória de final de combate, Marquinhos, o capitão da ocasião, ao contrário do percuciente Casemiro da sexta-feira, afogou suas palavras em sabão de cozinha. Não disse nada a não ser borbulhas. Indiretamente despejou a responsabilidade pelo que sobrar do tal “Manifesto” a quem quiser se pronunciar, individualmente, nas Redes Sociais. Meia hora depois, num texto vago, que falou de pensamentos diferentes na delegação e que lastimou de leve a organização da Copa América por aqui, a delegação tentou salvar a face e observou o seu incômodo com a pandemia. Sucedeu, então, uma desnecessária e grotesca coletiva com Marquinhos, Tite e o coordenador Juninho Paulista. Não estivessem os três de máscaras, se tornariam explícitos o seu constrangimento e a sua vergonha, Poderiam, ao menos, ter dito claramente o que a galáxia já sabia: o Brasil deles, que é o da CBF, recuou, e vai disputar a competição.

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