Silvio Lancellotti No evento virtual da FIFA, desponta a sucessora de Gianni Infantino

No evento virtual da FIFA, desponta a sucessora de Gianni Infantino

Dia 18 a entidade realizou o seu 70º Congresso, desta vez via Internet. E a estrela do conclave foi uma mulher,a secretária-geral Fatma Samoura.

São 163 as integrantes da OMC, a Organização Mundial do Comércio. São 193 aquelas que participam da ONU, a Organização das Nações Unidas. E são 202 as que fazem parte do COI, o Comitê Olímpico Internacional. Mas, não existe no planeta uma outra entidade tão portentosa como a FIFA, originalmente batizada em francês de Fédération Internationale de Football Association, com 211 afiliadas. Pois nesta sexta-feira, 18 de Setembro de 2020, ocorreu o seu Congresso de número 70, previsto para acontecer em Junho, festivamente, em Addis Ababa, na Etiópia, África, e infelizmente confinado, pela Covid-19, a um prosaico e frígido conclave à distância, via aplicativos de Internet.

O auditório do evento virtual de 2020

O auditório do evento virtual de 2020

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Num planeta em que metade faz sol e na outra a noite já avança, a FIFA optou por abrir o Congresso às 15h00 da sua sede, em Nyon, na Suíça – o equivalente às 10h00 de Brasília. Num dos estúdios do edifício projetado por um arquiteto italiano, Duccio Malagamba, se acomodaram o presidente Gianni Infantino, meia-dúzia de operadores de equipamento, alguns assessores, e uma personagem bem significativa, Fatma Samba Diouf Samoura, desde Maio de 2016 a secretária-geral da entidade. Ela, emblemática, não por ser uma senegalesa e, de certa maneira, honrar a África que perdeu a chance de abrigar o evento. Todavia, porque paulatinamente Infantino a treina para se tornar a sua sucessora, talvez já nas próximas eleições, no ano de 2023.

Diante de Infantino, o painel com os rostos de todos os participantes do conclave

Diante de Infantino, o painel com os rostos de todos os participantes do conclave

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Obviamente, a distância e a questão do fuso impediram que o Congresso transcorresse normalmente. Infantino e Samoura dispunham, ao alcance do olhar e, também, nas telas dos seus laptops, de dois enormes painéis. Num, se viam os rostos de todos os cartolas conectados e, em um detalhe, daquele que fazia o seu pronunciamento. Noutro, uma tabela apresentava, em ordem alfabética, os nomes de todas as afiliadas que ainda não tinham firmado a lista virtual de presença. O presidente fez um discurso formal, de saudação e de encorajamento às 211 integrantes da sua estrutura, elogiou o esforço global de combate à Covid e reiterou o seu compromisso de ajudar a quem lhe pedisse apoio: “Separamos, em nossas reservas financeiras, cerca de 1,5 bilhão de dólares norte-americanos. Já atendemos a 150 solicitações. O Futebol pode estar em crise. Mas, a FIFA resiste e luta pelo bem do Futebol”.

O quadro com as nações ainda não presentes na reunião online

O quadro com as nações ainda não presentes na reunião online

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Claro que ele não deixou de se auto-valorizar. Relembrou que, ao assumir o posto em Fevereiro de 2016 encontrou a FIFA “intoxicada pela corrupção”. E aplaudiu o time de novos funcionários que montou, desde então, gente capaz de “produzir, à perfeição, o Congresso de agora”. Daí, de prático, orientou a assembléia a aprovar uma emenda nos estatutos da entidade, de forma a consolidar, no futuro, as possibilidades de novos encontros à distância. E finalizou com um discurso, digamos, audaciosamente progressista, de combate ao abuso de menores e à pedofilia no esporte, assim como de defesa dos Direitos Humanos de operários na construção de equipamentos destinados ao Futebol. A sua maneira de enaltecer sem exaltar o governo do Catar, que sucumbiu a uma infinidade de pressões e reviu todos os contratos de trabalho, quase escravizantes, para a próxima Copa de 2020.

Fatma Samoura, a secretária-geral da FIFA, talvez a sucessora de Infantino

Fatma Samoura, a secretária-geral da FIFA, talvez a sucessora de Infantino

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Infantino, propositadamente, deixou para o encerramento algumas frases de louvor ao Futebol Feminino e, lógico, ao empenho de Samoura em tal departamento. Nascida no Senegal, em 9 de Dezembro de 1962, uma diplomata formada na Itália, ela começou a trabalhar pela ONU, em 1995, numa campanha contra a fome na África. Depressa evoluiu na carreira, representou a ONU em várias regiões do seu continente e até na América Latina. O presidente a conheceu através de Leena Al Ashqar, a sua esposa, uma ativista libanesa. E, embora não afirme publicamente, em Samoura vislumbrou a probabilidade de, um dia, ser ela a primeira mulher a ocupar o trono máximo da FIFA. Um currículo excelente, com certeza, Samoura tem.


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