No COB, Comitê Olímpico do Brasil, felizmente a ética bateu o atraso

O fracasso patético de uma tentativa de golpe racha o COB mas fortalece, afortunadamente, a transparência e o combate à inércia e à corrupção

O símbolo olímpico, que bom, permanece intacto

O símbolo olímpico, que bom, permanece intacto

R7 Esportes

Originário do Judô, na presidência do COB, o Comitê Olímpico do Brasil, desde outubro de 2017, depois da queda do caudilho Carlos Artur Nuzman, que chegou a frequentar a cadeia, Paulo Wanderley Teixeira deveria ter aprendido o básico do seu próprio esporte. Faz cerca de dez anos que as regras do nobre estilo oriental de luta proíbem os golpes que principiem pelas pernas do adversário. Pois nesta semana Paulo Wanderley rotundamente fracassou ao tentar um golpe, uma rasteira, contra a sua própria instituição.

A triste imagem da prisão de Carlos Arthur Nuzman

A triste imagem da prisão de Carlos Arthur Nuzman

FolhaPress

Sub-repticiamente, em desrespeito ao estatuto do COB, o PW, assim conhecido entre seus pares, determinou que se realizasse uma Assembleia Geral Extraordinária neste dia 28 de novembro, quinta-feira, meramente para avalizar uma série de alterações cruciais no texto regulador. Entre as mais polêmicas, mudanças nas incumbências do recém criado Conselho de Ética e a brutal mutilação das funções da Diretoria de Compliance, exatamente destinada a zelar pela lisura de todos os atos administrativos do Comitê. E mais um radical esvaziamento da essencial Comissão de Atletas.

Paulo Wanderley, e agora?

Paulo Wanderley, e agora?

FolhaPress

O estatuto exige que a convocação de uma Assembleia, por exemplo, seja publicada no site do COB com 15 dias de antecedência. Não ocorreu. Houve uma chamada para uma reunião no dia 25, supostamente programada para se discutirem as modificações. Mas, tal reunião também não aconteceu. Apenas houve, segundo diversas pessoas com quem conversei, a transmissão de uma mensagem através de e-mail, disparada a partir das 19h23 do dia 27. Claro, sem tempo para que inúmeros destinatários fundamentais pudessem reagir. Alguns até em viagens ao Exterior e comparecimento impossível.

Na defesa da limpidez, imediatamente sucedeu uma veloz mobilização. O colega Demétrio Vecchioli publicou uma denúncia no seu “Olhar Olímpico” do portal UOL. Cá do meu lado, passei praticamente a madrugada de 27 para 28 em comunicações pessoais com interessados e votantes. E a mobilização funcionou, com uma impactante derrota do projeto espúrio de Paulo Wanderley. Resumo da ópera. Além de se preservarem o Conselho de Ética e as tarefas de Compliance, a Comissão de Atletas se ampliou: de 12 com direito a voto, por Lei Federal passou a 19.

Alberto Murray Neto

Alberto Murray Neto

Arquivo Pessoal

O resumo da ópera é simples. De um lado, o representado por Paulo Wanderley (a quem elogiei bastante em outros textos não tanto longínquos) e por federações que vivem, infelizmente, de um antiquado parasitismo, na botija dos apoios oficialescos, está o passado. Do outro lado, aquele das federações que se modernizaram, aquele dos atletas que descobriram o valor da independência, pois são eles, não os cartolas, a alma do esporte, está o futuro. Frase do ex-atleta Alberto Murray Neto, o presidente do Conselho que PW, impensadamente, tentou detonar: “É, a ética venceu o atraso”.

Sami Arap Sobrinho

Sami Arap Sobrinho

PortalDoRugby

No fim das contas, ao invés de açambarcar mais poder, o surpreendido Paulo Wanderley apenas conseguiu rachar o COB que a sua ascensão havia re-unido. Até já nasceu uma candidatura de oposição na eleição a se realizar em 25 de Novembro de 2020: ironicamente, a de Sami Arap Sobrinho, hoje um componente do Conselho de Ética. Sem dizer que a atual administração ainda necessita, com toda a transparência, e com toda a urgência, se livrar de um nicho de corrupção devidamente constatado por uma auditoria independente realizada pela Kroll, empresa de prestígio internacional em seu departamento. Por azarada coincidência, as falcatruas, na Informática do COB, envolvem uma empresa “laranja” de Vitória/ES, de onde provém Paulo Wanderley.

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