Silvio Lancellotti Na Juventus, os detalhes da troca de Maurizio Sarri por Andrea Pirlo

Na Juventus, os detalhes da troca de Maurizio Sarri por Andrea Pirlo

Andrea Agnelli, presidente da "Senhora", só precisou de 30 minutos para fechar a troca de treinador. E o seu xará promete atuar no 4-3-3.

Andrea e Andrea, Pirlo e Agnelli

Andrea e Andrea, Pirlo e Agnelli

@JuventusFC

Assim que se encerrou a peleja da sexta-feira no Allianz Stadium de Turim, o habitualmente bucólico e tranqüilo Andrea Agnelli, presidente da Juventus, se levantou da sua poltrona na tribuna e arremessou uma única frase a Pavel Nedved, seu vice, e a Fàbio Paràtici, diretor técnico da agremiação: “Precisamos conversar, e já!” O “já” não durou mais do que trinta minutos, numa sala do próprio Allianz. Desde o recente 31 de Maio, quando o seu xará Andrea Pirlo assinou contrato como o novo treinador da Sub-23 da “Senhora”, Agnelli já havia engatilhado a sua decisão. Caso a Juventus acabasse eliminada pelo Lyon da França na etapa das oitavas da Champions League, o ex-volante imediatamente, implacavelmente, substituiria Maurizio Sarri.

Andrea Agnelli, Pavel Nedved e Fabio Paràtici

Andrea Agnelli, Pavel Nedved e Fabio Paràtici

@JuventusFC

Formalmente, Sarri só foi demitido na manhã do sábado, dia 8 de Agosto. Na tal conversa de trinta minutos, que a mídia da Bota batizou de “um terremoto administrativo”, Paràtici ainda tentou salvar a cabeça do treinador que ele havia selecionado para substituir Massimiliano Allegri, o responsável por cinco dos oito títulos anteriores da Juve. Porém, um aparelho de TV, ligado na entrevista coletiva que Sarri concedia depois do prélio, tornou inexorável a mudança de comando. A Juve caiu fora da CL apesar de seu triunfo por 2 X 1. Havia perdido, em Lyon, 0 X 1. O gol que o Lyon realizou no Allianz se provou fatal. Sarri ousou afirmar: “Eu esperava muito menos. Nós fizemos um ótimo jogo. Se eu não me sentisse tão devastado pela eliminação, eu até que estaria encantado pela nossa exibição.” Uma declaração efetivamente vulgar.

Sarri, na coletiva fatal

Sarri, na coletiva fatal

Reprodução YouTube

Agnelli se enfureceu, a ponto de surpreender Nedved, de quem é amigo pessoal faz quase duas décadas. E apenas não despediu Paràtici, juntamente com Sarri, de modo a poupar a agremiação de uma despesa extra. Verdade que Sarri ganha três vezes mais, o equivalente a R$ 3mi/mês contra cerca de um milhão. A “Senhora”, porém, pára de pagar o estipêndio do “mister” assim que ele obtiver um novo emprego. No caso de Paràtici, existe uma multa de valor não divulgável mas certamente volumoso. Sobre o fato de Pirlo, embora grande craque, nunca ter orientado qualquer time, Angelli tergiversa e recorre a uma imagem duvertida e triste que havia se espalhado a respeito da gestão de Sarri: “O homem que fez de Cristiano Ronaldo uma cereja sem o bolo.”

Sarri e Cristiano Ronaldo, uma cereja sem bolo

Sarri e Cristiano Ronaldo, uma cereja sem bolo

@JuventusFC

Enquanto Nedved se calava, diversos atletas do elenco da “Senhora” procuraram o presidente para cumprimentá-lo. Sarri havia estraçalhado o seu apoio ao repreendê-los de forma estúpida, e nos vestiários, particularmente nas duas derrotas para a Udinese e para o Cagliari, ambas longe de casa. Tenso, Paràtici ainda se aventurou numa entrevista coletiva. Patético. Mentiu. Não se constrangeu ao inverter o que havia afirmado 24 horas antes, quando assegurara a permanência de Sarri: "A saída dele estava decidida antes da peleja com o Lyon. Todos entenderam mal quando eu falei que só um prélio não decidiria o futuro do treinador. Nós realizamos nossas avaliações com base em toda uma temporada.” Resultado: muxoxos e sorrisinhos de mofa.

Pirlo e Gigi Buffon, na Copa da Alemanha/2006

Pirlo e Gigi Buffon, na Copa da Alemanha/2006

FIGC

Pirlo, ao contrário, no seu primeiro diálogo com amigos de WhatsApp e de Instagram, deixou ostensiva toda a sua aprovação à tal metáfora da cereja: “A Juventus trouxe o Cristiano Ronaldo e não soube como fazer a bola chegar a ele.” Sobre o estilo que pretende impor ao seu time, foi sintético: “Simples, aquele com que eu joguei, 4-3-3.” E como brilhou Andrea Pirlo, nascido em Flero, bem perto de Brescia, Lombardia, dia 19 de Maio de 1979. Após vagar pelo Brescia, pela Internazionale e pela Reggina, no Milan entre 2001 e 2011 disputou 284 porfias com 22 tentos. Daí, entre 2011 e 2015, fulgurou na Juventus, 119 combates com 16 tentos, nos quatro primeiros sucessos do eneacampeonato da “Senhora”. Titular da “Azzurra” em 116 aparições, anotou 13 tentos e conquistou a Copa da Alemanha/06. Curiosamente, será o “capo” de Buffon, o arqueiro daquela seleção, dezoito meses mais velho,

Numa montagem,  Pirlo e Valentina Baldini

Numa montagem, Pirlo e Valentina Baldini

R7 Esportes

De 2015 a 2017 nos EUA, onde encerrou a carreira no N. Y. City, consolidou a sua relação com Valentina Baldini, com quem teve os gêmeos Leonardo e Tommaso, de três anos completados em 7 de Julho. Antes, de 2001 a 2014, Pirlo foi casado com Valentina Roversi, com quem teve o garoto Niccoló, de 2003, e a garota Angela, de 2006. Fala pouco da sua vida particular, evita fotografias em público e, até algum tempo atrás, garantia que “jamais toparia um convite para treinador de qualquer equipe”. Ele ironizou, inclusive, um curso da UEFA que, em 27 de Setembro de 2018, lhe concedeu um diploma para cuidar de times até a Série C: “Fiz por mero diletantismo”. De fato, ainda lhe falta a licença exigida pela Série A. Outro personagem se incumbirá de assinar as súmulas como treinador. Mas Pirlo não se incomoda. E, sobre o “jamais”, replica com lógica obviedade: “A Juve não é qualquer equipe”.

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