Silvio Lancellotti Até com plateia mínima, começa neste dia 19 o Italiano de 2020/21

Até com plateia mínima, começa neste dia 19 o Italiano de 2020/21

São meticulosos os protocolos de segurança. Mas, aos poucos, o "Calcio" se empenha em retomar a sua normalidade. No torneio, 19 clubes contra a Juve.

Os 20 clubes da temporada 2020/2021 no Futebol da Velha Bota

Os 20 clubes da temporada 2020/2021 no Futebol da Velha Bota

Reprodução LC

Estimulado por uma novidade absoluta, por uma refrega de 19 contra um e por uma ameaça latente a pairar sobre toda a nação, principia neste sábado, 19 de Setembro, o Campeonato Italiano de Futebol, o “Calcio”, temporada de 2020/21. Trata-se da edição 119 do certame, a 89ª da sua época, digamos, moderna, de turno e returno, que se inaugurou na “stagione” de 1929/30. Com 20 clubes a se digladiarem em 38 “giornate”, caso não aconteça algum imprevisto, "vade retro!", deverá se encerrar em 23 de Maio de 2021.

A celebração do Spezia, pela primeira vez na Série A

A celebração do Spezia, pela primeira vez na Série A

SpeziaCalcio

Representa a novidade a estréia, na Série A, a divisão de cima da Velha Bota, do Spezia Calcio, um time da região da Ligúria, vizinhanças de Gênova, originalmente datado de 1906, três vezes falido e, depois da sua última quebra, refundado em 2008. Com o caçula Spezia, re-subiram o Benevento, da Campânia, junto a Nápoles, e o Crotone, da Calábria, no extremo sul da península. Coube aos três substituírem os rebaixados Lecce (da Puglia, bem no calcanhar da Bota), o Brescia (da Lombardia, junto de Milão) e a Società Sportiva Ars et Labor, a SPAL de Ferrara, (Emília-Romagna, perto de Bologna).

A celebração da Juve, pela nona vez consecutiva a campeã da Bota

A celebração da Juve, pela nona vez consecutiva a campeã da Bota

Reprodução Calciopedia

Como alvo da refrega se corporifica a Juventus de Turim, nove vezes em seguida a conquistadora do “scudetto”, o total de 36 títulos em seu currículo, exatamente a soma de Internazionale e Milan, 18 cada. Na recente temporada de 2019/20, antes de a Covid-19 contaminar o campeonato e o interromper em 9 de Março, a Juve comandava a tabela de classificação com razoável tranqüilidade. Mas, quando as atividades recomeçaram, prejudicada pela inconstância do treinador Maurizio Sarri, no cargo depois dos três anos de sucesso de Antonio Conte e dos cinco de Massimiliano Allegri, literalmente desandou, a ponto de a sua diretoria se obrigar a trocá-lo por Andrea Pirlo.

Controle de segurança, à frente do Luigi Ferraris de Gênova

Controle de segurança, à frente do Luigi Ferraris de Gênova

Nazionale Anpas

A ameaça, enfim, tem nome e tem registro de nascença, a Covid-19 provocada pela insídia de um vírus misterioso a que a Ciência batizou de SARS-Cov-2. São inúmeros, são rigorosos, meticulosos, todos os protocolos de segurança sanitária que o Governo da Itália estabeleceu, em acordos com a FIGC, a Federazione Giuoco Calcio, além da Liga de Clubes, das representações de atletas, de treinadores e de árbitros. Em algumas pelejas os protocolos permitirão a presença de um mínimo volume de torcedores. Porém, existem diversos gatilhos que inclusive poderão causar a suspensão de um jogo, de uma rodada, e até mesmo do torneio. Longe de significar uma certeza, a data de 23 de Maio de 2021 apenas marca uma meta, o limite para a esperança.

Agnelli, o CR7 e Fàbio Paràtici

Agnelli, o CR7 e Fàbio Paràtici

juventus.com

E o “scudetto”, conseguirá a “Velha Senhora”, a “Zebra” de Turim, acumular o absurdo de dez títulos seguidos? À parte as intenções de todas as suas 19 rivais, está dentro da Juve a sua adversária principal. Do presidente Andrea Agnelli ao quiroprata Elio Cavedoni, todos perfeitamente conhecem as dificuldades estatísticas de se abiscoitar um decacampeonato. Em especial porque a gestão Sarri, com a cumplicidade de Fàbio Paràtici, responsável basilar pela administração de todo o Futebol na agremiação, em oito meses dispensou quem não poderia e contratou quem não devia. Em 2018, Paràtici se vangloriou da aquisição, estupenda, de fato, de Cristiano Ronaldo. Mas, não soube cercá-lo de craques capazes de levar a Juve àquele triunfo que valia, mesmo, na Liga dos Campeões da Europa. E a “Zebra”, hoje, uma pena, depende essencialmente dos rompantes, dos lampejos do CR7.

A celebração da Internazionale, penta em 2010

A celebração da Internazionale, penta em 2010

Inter.it

Neste novo milênio, depois de as duas equipes da capital arrebatarem lauréis, a Lazio em 1999/2000, e a Roma em 2000/2001, só Milan e Inter impediram a Juve de beijar a taça. O “Diavolo”, duas vezes, em 2004 e em 2011. E a “Biscione”, a serpente mitológica, um penta, de 2006 até 2010. A “Senhora” escalou doze vezes o topo do pódio e, emaranhada num escândalo de designação de apitadores, ainda sofreu a revogação do “scudetto” de 2005, que não ficou com ninguém. E, em 2006, embora nos 91 pontos, penalizada com o rebaixamento automático à Série B, viu a Inter, apenas 76, levar o troféu . Aceitou o castigo e, depressa, dentro do campo, retornou à Série A.

Pioli e Ibrahimovic

Pioli e Ibrahimovic

@sempremilan

Agora, para 2020/21, e nesta ordem, certamente serão o Milan e a Inter os seus dois inimigos mais perigosos. O “Diavolo” parece um tico à frente, especialmente porque o seu elenco sobreviveu a uma tempestade interna, novos donos mais interessados em fazer dinheiro e, no final das contas, compelidos a aceitar as exigências de seus atletas, em especial do controvertido avante Zlatan Ibrahimovic, que sustentou praticamente no muque a manutenção de Stefano Pioli como treinador, condição crucial para que continuasse o craque do time por ao menos uma outra temporada.

Dan Friedkin, o norte-americano da Roma

Dan Friedkin, o norte-americano da Roma

ASRoma

Seguem um pouquinho atrás o Napoli, a Lazio e a Roma, que talvez possam se imiscuir no trio dos mais poderosos. A “Loba” necessita que o dono Dan Friedkin, bilionário dos EUA, se comporte como um esportista e não como um especulador financeiro. O “Burro” da Terra da Pizza e a “Águia” da Cidade Eterna, ambos comandados por empresários nativos da Velha Bota, só precisam que os dois, respectivamente Aurelio De Laurentiis e Clàudio Lotito, não ajam como apaixonados e sim como efetivos profissionais. De Laurentiis não hesita em criticar os seus subordinados em público e à luz do dia. Lotito trabalha às escondidas, em silêncio, mas também irrita o seu elenco.

Gian Piero Gasperini, da Atalanta

Gian Piero Gasperini, da Atalanta

@Atalanta_BC

Surpresa boa, se houver, virá da Atalanta de Bérgamo, na melhor fase de toda a sua história inaugurada em 1907. Além de bisar, em 2019, o seu terceiro lugar de 2020, o belo elenco armado por Gian Piero Gasperini por pouco não tirou o PSG da França da recente Liga dos Campeões da Europa. Pratica o futebol mais bonito e mais ofensivo da Itália, um ataque de 98 tentos em 38 partidas de 2019/20. Situações tristes, mas inevitáveis, as perpetradas pelos clubes que cairão à Série B, provirão dos três recém-promovidos. Dificilmente o Benevento, o Crotone e o Spezia conseguirão escapulir do refluxo.


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