Vexame mostra que Dome está perdido. E que Fla se perdeu junto

Ninguém jogou nada contra Atlético-GO. Técnico, jogadores e dirigentes do futebol precisam explicar motivos de queda vertiginosa em tão pouco tempo

Torrent prometeu calma, mas trocou esquema vencedor por um confuso muito rapidamente

Torrent prometeu calma, mas trocou esquema vencedor por um confuso muito rapidamente

Alexandre Vidal/CRF

Atlético-GO três, Flamengo zero — fora o baile —, pela segunda rodada do Brasileirão 2020.

O rubro-negro, quem diria, é o lanterna do campeonato: dois jogos, nenhum ponto, nenhum gol a favor e quatro contra na competição.

O técnico catalão Domènec Torrent, o elenco e até algum diretor ligado ao futebol deverão se sentir na obrigação de explicar essa queda vertiginosa e surpreendente de rendimento de um elenco que encantava o país e o continente até o início da pandemia do coronavírus.

É possível entender um despencar dessa dimensão, em tão pouco tempo, nos casos em que um técnico vai embora após arrumar um elenco razoável, com algumas boas peças, e outro chega de última hora para manter o nível e iniciar uma competição pesada como o Brasileirão.

Caso, por exemplo, do Santos, que perdeu o ótimo Jorge Sampaoli e o desafio caiu nas mãos do português Jesualdo Ferreira, que não conseguiu boa sequência.

Mas não com um elenco estrelado como o rubro-negro, que mostrou refinamento e entrosamento raros até semanas atrás.

Por que poupar Rafinha e Arrascaeta neste início de campeonato, tendo ficado 24 dias sem jogos, se ambos entraram no decorrer da partida?

Como explicar um esquema que na primeira etapa deixou o zagueiro Rodrigo Caio improvisado, perdido e sem qualquer proteção na lateral-direita?

Como explicar também as quedas brutais de rendimento de Gabigol, Bruno Henrique, Everton Ribeiro, Léo Pereira, Vitinho e Gerson, apesar do esforço desse último na partida, que o salvou em meio ao fracasso total de seu time?

Torrent, é verdade, tem grande parte de culpa pelo que ocorreu nestes dois jogos, sobretudo na noite desta quarta-feira (12). Prometeu mudar o time aos poucos, mas promoveu alterações agudas. Entrou em campo contra o Atlético-GO com Bruno Henrique e Vitinho abertos, Gabigol centralizado e Everton no meio.

Distanciado, sem dominar ainda a filosofia de ocupação de espaços do novo técnico, o time não criou nada e levou um senhor baile no primeiro tempo, num domínio absoluto do Atlético-GO que, diga-se, permaneceu na etapa final.

O Flamengo de hoje é um time irreconhecível.

Perdido, inseguro, descoordenado. Em campo, os jogadores passam a nítida impressão de ainda não terem entendido patavinas do que deseja o novo técnico neste momento de transição de comando.

Torrent e o rico elenco do Fla estão perdidos, e essa falta de rumo se reflete em lances claros da partida protagonizados por atletas rubro-negros descontrolados.

Como a expulsão do goleiro Diego Alves no segundo tempo, após empurrar o rosto de adversário (não chegou a bater, mas a nova recomendação da Fifa pede cartão vermelho para quem coloca propositalmente a mão na face do atleta rival).

E, logo depois, num carrinho com as duas pernas de Rafinha, que deveria ter sido punido com expulsão, mas o árbitro Luiz Flávio de Oliveira deu apenas no cartão amarelo.

A se julgar pelas declarações vazias dos jogadores ao final da partida, ninguém, a começar pelo elenco, entende, ao menos por enquanto, como essa queda pode ter sido tão grande e, mais grave, os caminhos que Torrent pretende trilhar.

Uma pancada dada pelo Atlético-GO, com muito merecimento.

Três a zero — fora o baile —, um gol anulado e outros mais perdidos pelo time da casa.

O campeonato tem 38 jogos. Faltam 36. Os jogadores dizem confiar muito em Torrent.

De qualquer forma, é preciso uma explicação para o fato de o Flamengo ter abandonado tão rápido o esquema vencedor de JJ sem ancorar em outro minimamente decente.

Torrent e seus comandados ficaram no meio do caminho – o meio do caminho da nulidade.

Alguém precisa explicar isso.

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