Roger Guedes segue sabotando a carreira. Seu ego não tem limite
Depois de se queimar no Palmeiras, o jovem atacante de 21 anos, conseguiu estragar seu ambiente no Atlético Mineiro. Comportamento inaceitável
Cosme Rímoli|Cosme Rímoli

Ninguém no Palmeiras estranhou o que aconteceu ontem em Santa Catarina.
Roger Guedes, ao perceber que seria substituído, resolveu fazer um escândalo. Jogador sabe que, quando dá o seu lugar para um reserva, tem todas as câmeras apontados para ele. Era o que acontecia na partida entre Figueirense e Atlético Mineiro, pela Copa do Brasil.
Sem poder seguir no jogo, o atacante de 21 anos resolveu ir à forra. Primeiro balançou a cabeça, reclamou sozinho. Mas depois resolveu ir além. Encarou o treinador interino Thiago Larghi. E o cobrou publicamente. Não satisfeito, ainda apontou três dedos, mostrando que era a terceira vez seguida que era substituído. Na verdade, era a quarta.
A cena patética ganhou as redes sociais.
E levantou inúmeros questionamentos a respeito do comportamento do jogador.
O primeiro deles: Roger Guedes teria a mesma atitude se não fosse Thiago Larghi, um auxiliar que está improvisado como técnico e um treinador consagrado? Provavelmente, não. É sempre mais fácil desafiar um assistente que não tem o respaldo da diretoria que irá ser efetivado. O que faz da atitude uma cobrança desigual.
Embora com apenas 21 anos, o atacante tem experiência suficiente para saber tudo o que seus gestos provocariam. Uma pressão desnecessária sobre o técnico e sobre o time. O Atlético Mineiro vem se recuperando, depois da desastrosa passagem de Oswaldo de Oliveira, vem ganhando consistência tática. Larghi opta por uma equipe compacta, com intensidade na marcação e velocidade nos contragolpes.
O Atlético não é uma equipe delirantemente ofensiva.
Mas tem um desenho tático digno.
Roger Guedes não é alienado. Sabe que o presidente Sérgio Sette Câmara segue buscando um treinador importante para o clube. Depois de tentar tirar Fábio Carille, do Corinthians, segue estudando nomes. Enquanto isso, Largui vai trabalhando. Sem a menor segurança que o cargo será seu.

Outro questionamento importante em relação ao atleta emprestado pelo Palmeiras, vem dos jogadores atleticanos. Ao questionar a substituição, Roger Guedes não teve o menor respeito por Luan, que entrou no sue lugar. Esse tipo de atitude costuma refletir nos vestiários, nos treinamentos, longe da imprensa.
Luan está há cinco anos no Atlético Mineiro. É adorado pelos companheiros. Tem excelente ambiente com a torcida, com a diretoria. Roger Guedes mexeu em um vespeiro, por pura arrogância.
No Palmeiras, ele já tinha esse tipo de atitude.
Perdeu todo o espaço ao ter negada sua venda para a Europa, em 2016, quando fez uma excelente temporada. A proposta que Alexandre Mattos sonhava não veio. O atacante ficou contrariado. E, de acordo com setoristas, jornalistas que cobrem diariamente o Palmeiras, ele passou a não se dedicar nos treinos. Passou a mostrar má vontade.
Os companheiros tentaram animá-lo, mas ele fazia questão de se isolar. Até que houve aquela selvagem comemoração de 'seu aniversário'. Ele foi amarrado à força e deixado caído no meio do gramado. Para toda a imprensa documentar. Era a resposta do elenco à atitude de Roger Guedes, que não estava fazendo aniversário. A desculpa esfarrapada foi dada de propósito.
Felipe Melo foi um dos líderes na reprimenda.
Roger Guedes tirou satisfação com o volante. Os dois se xingaram muito e deixaram de se falar. O atacante passou a ser isolado no grupo. Ficou sem ambiente algum. O Palmeiras decidiu que ele não seguiria no clube em 2018. Tentou encaixá-lo na negociação com o Fluminense por Gustavo Scarpa. Guedes não quis ir por não ter a garantira que receberia seus salários nas Laranjeiras.
Mas acabou despachado para o Atlético Mineiro, trocado por Marcos Rocha.
O que fez ontem com Thiago Larghi foi deprimente.
Ele poderia cobrar o técnico nos vestiários.
Mas foi sua opção o desrespeito.
Criar polêmica.
Levar intranquilidade ao treinador, ao grupo.
Seus gestos roubaram a alegria da vitória contra o Figueirense.
Está na hora da diretoria atleticana se dar ao respeito.
E agir com veemência, punir Roger Guedes.
Talvez seja uma lição ao jogador de apenas 21 anos.
Ele tem bom potencial como atacante.
Mas sua arrogância se mostra bem maior.
Já está queimado no Palmeiras.
Agora consegue a antipatia nacional no Atlético Mineiro.
Dessa maneira não será o jogador de um grande clube europeu.
Como tanto sonha...














