‘Pelé iria ser esfaqueado na Iugoslávia! Por que ele não reconheceu a Sandra como filha? Porque ela não o procurou. Foi direto à justiça. E à imprensa.’ Exclusiva com Pepito Fuentes, braço direito de Pelé por 51 anos
Pepito foi direto na entrevista. Perguntado sobre a diferença do patrimônio do melhor jogador de todos os tempos em relação a Neymar, ele não hesitou. ‘O Pelé foi muito roubado!’ E destacou o sofrimento do pai quando Edinho foi preso, acusado de tráfico. ‘Ele chorou demais. Não entendeu por que o filho se envolveu naquele problema’

Nenhuma esposa, nenhum filho, nenhum parente.
Ninguém conviveu tanto, foi tão próximo, do melhor jogador de futebol de todos os tempos quanto José Fornos Rodrigues, o Pepito.
Nem o defendeu tanto.
Ele se tornou uma figura lendária, com 49 anos de convivência profissional e 51 anos de profunda amizade com Pelé. Viveu todas as fases importantes da vida de Edison Arantes do Nascimento.
Sim, Edison, com i, é assim que foi registrado na cidade mineira onde nasceu, Três Corações.
“Pouquíssimas pessoas conheceram Pelé e o Edison de verdade. O Edison era um ator que usava Pelé como personagem. Por isso falava como se ele fosse uma outra pessoa. E, na verdade, era.“
Pepito surgiu na vida de Pelé em 1971, para organizar o caos deixado pelo primeiro empresário de Pelé, Pepe Gordo, e que fez o jogador perder muito dinheiro. Por falta de visão, incompetência.
“Montei uma estrutura para ele. Mas fiz um acordo sério. Não queria saber do dinheiro de seus contratos. Ele tomava todas as decisões. Escolhia seus sócios para as transações. Onde investir.
“E eu posso dizer: o Pelé foi muito roubado! Pessoas se aproveitaram de todas as maneiras dele. Eu avisava, mas o Pelé sempre foi muito teimoso. E, quando tinha a certeza de que foi enganado, se afastava da pessoa e deixava para lá. Não queria escândalo.”
Pepito acompanhou o final de carreira de Pelé.
O ‘convite’ do governo militar, do general Geisel, para que ele disputasse a Copa de 1974.
“Fomos para Brasília. O ministro Jarbas Passarinho foi claro. Queria que ele jogasse o Mundial da Alemanha. Pelé foi claro, firme. ‘Não volto atrás. Já me despedi da Seleção."
Pepito também é responsável por salvar Pelé de um atentado. “Estávamos na Iugoslávia, quando chegou uma moça e pediu para sentar na nossa mesa. Deixamos. E reparei que ela mexia embaixo da perna seguidamente. O Pelé tinha ido ao banheiro. Ela me disse...
”Quero ficar famosa. Vou dar uma facada no Pelé.“
”Ela tinha uma faca embaixo da perna. Avisei o Julio Mazzei, que era preparador físico do Santos, para levar o Pelé para longe. A mulher desistiu, foi embora.
“Pelé nunca teve segurança. Falava que Jesus estava na frente. E Deus atrás, o protegendo.“
Pepito acompanhou dois dramas significativos da vida de Pelé. O primeiro, o envolvimento de Edinho, seu filho, com as drogas. Chegou a ser preso como traficante.
“Foi terrível para um pai. O Pelé sofreu muito. Chorou demais. Não entendia o porquê daquela situação.”
Pepito conseguiu, de forma discreta, que Pelé visitasse várias vezes Edinho, sem a imprensa ficar sabendo.

E também houve a situação do não reconhecimento da filha Sandra.
‘O Pelé teve duas filhas fora do casamento. A Flávia o procurou diretamente. E ele a aceitou sem o menor problema.
“Sandra procurou a justiça, a imprensa. Ela foi candidata à política. Tudo muito diferente. Pelé não foi ao enterro dela porque tinha trauma.
“Não foi em enterro de ninguém.
“Nem do pai dele, do irmão. Mas com a Sandra foi um enorme desgaste. Desnecessário. Os filhos dela são herdeiros do Pelé. Ela causou a situação.“
Pepito viu com muita mágoa a falta de reconhecimento dos jogadores quando Pelé morreu.
“Ele os libertou, lutando pela Lei Pelé, para acabar com a escravidão nos clubes. E pouquíssimos foram ao seu velório. O Pelé tem muito mais reconhecimento fora do que no Brasil. Para mim é uma enorme tristeza.”
Pepito sempre esteve nos bastidores. Não queria dar entrevistas. Mas decidiu que histórias verdadeiras de Pelé mereciam ser públicas, como um último afago ao parceiro de vida.

E escreveu Pelé, o Legado Desconhecido, que acaba de ser lançado.
Livro mais do que revelador. Lançado com muito sucesso. Mas, na entrevista, Pepito foi além. Mostrou o quanto viveu e o quanto Pelé teve sorte em escolhê-lo como braço direito.
“Sinto muita falta dele. E vou dizer que ele era corintiano, ah, isso ele era...”
A entrevista, de forma integral, está no canal Cosme Rímoli, no YouTube, em parceria com o R7.
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