Corinthians paga R$ 6,9 milhões a empresa por Rabiscadinha. Mas não divulga sorteio há dois anos. MP quer explicações. Situação pode complicar Osmar Stábile
Ministério Público exige explicações da direção corintiana sobre a empresa Incentiva, que administra o Fiel da Sorte. O programa previa sorteios semanais de prêmios e ‘experiências’, como visitar o estádio, por meio de ‘rabiscadinhas’, raspadinhas. O Corinthians seguiu pagando à Incentiva sem saber se os sorteios continuavam e se os prêmios eram entregues. Agora rompeu o acordo e exige R$ 3 milhões por quebra de contrato. A promotoria investiga se o Fiel da Sorte tem ligação com a retirada de mais de R$ 3,4 milhões, em espécie, do clube por parte de funcionário que trabalhou nas administrações Duílio Monteiro Alves e Andrés Sanchez
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São Paulo, Brasil.
O programa Fiel da Sorte foi lançado na administração Duílio Monteiro Alves.
No dia 28 de junho de 2023.
Prometia entregar prêmios e ‘experiências’ a sócios-torcedores, como conhecer a arena de Itaquera.
O sorteio era por meio de raspadinhas. Como o nome “raspadinha” está registrado, a empresa usava “Rabiscadinhas”.
Por trás do projeto, estava a Incentiva Serviços Combinados, Tecnologia e Marketing Para Empresas LTDA, empresa que só tinha o Corinthians como cliente.
Em pagamentos mensais, o clube desembolsou cerca de R$ 6,9 milhões pelo projeto.
Só que ele foi divulgado nas redes sociais do Corinthians até abril de 2024, quando o Fiel da Sorte simplesmente desapareceu das redes sociais corintianas oficiais, o Universo SCCP.
A primeira prestação, paga na administração Adilson Monteiro Alves, foi de R$ 124 mil.
Augusto Melo seguiu pagando.
Assim como Osmar Stábile, que parou em 2026.
O último pagamento foi de R$ 343 mil, em abril deste ano.
O total, R$ 6,9 milhões.
O Ministério Público investiga se há ligação entre esses pagamentos e os R$ 3,4 milhões retirados em espécie, em dinheiro, do clube. Nas administrações Duílio e Andrés Sanchez.
O Corinthians tem dez dias para se posicionar.
Investigada, a Incentiva foi de diversos sócios, desde que o negócio foi fechado. O dono atual mora em Alagoas. A sede da empresa é em Santana do Parnaíba, em São Paulo.
Seu patrimônio é de apenas R$ 50 mil.
E tem o Corinthians como único cliente.
O acordo, maravilhoso para a empresa. R$ 3,75 a cada novo sócio-torcedor corintiano, a partir de abril de 2023. Por isso que as mensalidades não paravam de crescer.
Os prêmios entregues chegavam a valores ínfimos, em relação à mensalidade. Cerca de R$ 7,5 mil. Camisas autografadas, almofadas, copos, canecas. Cartão de crédito para gastar no clube, no valor de R$ 200.
Ou seja, tudo muito lucrativo para a Incentiva.
Os ex-presidentes envolvidos com as Rabiscadinhas se pronunciaram.
Esta é a nota oficial de Duílio Monteiro Alves.
“O contrato com a empresa Incentiva tinha como objetivo o incremento de novas receitas através da venda de novos planos do Fiel Torcedor, contemplando também, através da criação do plano Fiel Digital, aquele torcedor que não pode ir ao estádio, mas que vive intensamente o Corinthians.
Nesse contexto, por exemplo, além dos sorteios de prêmios e experiências, foram criados conteúdos exclusivos, que eram veiculados apenas no Universo SCCP, como os bastidores dos jogos, e a gamificação através das moedas, que incentivavam a interação do torcedor com o clube.
Toda campanha de incentivo que premiava os novos fiéis torcedores deveria ser obrigatoriamente aprovada previamente junto ao Ministério da Economia, com o Corinthians assinando junto à empresa cada nova campanha.
A empresa nessas campanhas possuía o compromisso contratual de adquirir de forma onerosa os produtos oficiais e as experiências junto ao Corinthians, assumindo o risco de pagar por estes, mesmo que eventualmente não fosse arrecadado o montante necessário para cobrir seus custos, através da venda dos novos planos.
Das novas receitas geradas com os novos planos vendidos, o clube recebia o valor integral e repassava uma parte para a empresa.”
O ex-presidente Augusto Melo disse que nem sabia da existência desse contrato. Só que, sob sua administração, as mensalidades à Incentiva seguiram sendo pagas.
Osmar Stábile também respondeu por nota oficial. E confirmou que pagou à Incentiva entre junho de 2025 até abril deste ano.
“O Sport Club Corinthians Paulista informa que a rescisão de contrato com a Incentiva Serviços Combinados, Tecnologia e Marketing para Empresas Ltda. ocorreu este ano, após o descumprimento de contrato por parte da empresa parceira.
O Corinthians ainda esclarece que os pagamentos cumpridos desde junho de 2025 foram realizados respeitando os trâmites legais e contábeis do Clube”.
O clube quer R$ 3 milhões por ressarcimento do não cumprimento do contrato por parte da empresa.
O Ministério Público quer esclarecimentos totais dessa estranha transação até dez dias.
A linha de investigação tem séria desconfiança de que a Fiel da Sorte possa estar ligada aos saques em dinheiro, sem comprovantes, no valor de R$ 3,4 milhões por funcionário que trabalhou nas administrações Andrés Sanchez e Duílio Monteiro Alves.
O blog falou com dois conselheiros importantes, históricos, do clube. E eles garantem que há um movimento para levar o caso para apreciação da Comissão de Ética do Conselho Deliberativo.
A situação pode ficar complicada para Osmar Stábile.
Duílio Monteiro Alves renunciou até ao cargo de conselheiro e de sócio remido. Antecipou-se ao processo que pedia sua expulsão.
Augusto Melo foi expulso do Corinthians.
Assim como Andrés Sanchez...













