‘O Brasil é um desperdício olímpico. Só enxerga o futebol.’ Álvaro José
Ninguém narrou mais medalhas olímpicas do que ele. 47, em 12 Olimpíadas in loco. Álvaro José não vê um projeto para o Brasil se tornar uma potência olímpica. A entrevista exclusiva é direta. Faz a radiografia do quanto o país poderia usar as escolas públicas para o esporte. E refletiria na melhoria educacional da população

São Paulo, Brasil
“Seja de direita, seja de esquerda, o governo do Brasil não investe no esporte olímpico.
“Não tem plano algum. Há enorme dificuldade em entender que o esporte serve como base da educação.”
“Não, a meta não é conseguir medalhas de quatro em quatro anos. Mas desenvolver a educação, a disciplina, a saúde de milhões de crianças nas escolas. Muitas delas sequer têm quadras.
“Como fazem as grandes potências olímpicas. Os medalhistas servem como motivação. O plano é desenvolver o esporte como educação. E a educação é a base de um povo.”
Álvaro José é sinônimo de credibilidade. Por trás do apelido ‘A Voz da Olimpíada’, há algo muito mais profundo do que sua espetacular mistura de emoção, carisma e informação ao narrar qualquer esporte.
Formado em história, ele faz questão de educar, explicar cada nuance do esporte que transmite. Emociona e educa.
“Vejo como minha obrigação passar todo o meu entusiasmo no que transmito. Mas sei que o Brasil, de forma geral, só é especialista em futebol. Faço questão de detalhar, explicar, contextualizar os outros esportes. Seja ginástica olímpica, judô, hipismo, corrida, salto em distância, vôlei, NBA.
“Somos mais de 200 milhões de pessoas. A maioria sem acesso a outros esportes que não seja o futebol. A tevê serve também para difundir, mostrar, educar e atrair crianças para novos esportes. Insisto que esporte é educação.“
Álvaro José é filho do histórico jornalista Álvaro Paes Leme. Extremamente comunicativo, culto e talentoso, passou pelos maiores veículos do país. Band, Globo, RECORD.
Sua paixão sempre foi a Olimpíada.
Narrou in loco (no local) 12 delas.
Ninguém transmitiu mais medalhas brasileiras nestas competições: 47. Acompanhou a Guerra Fria, os boicotes de Estados Unidos e União Soviética. Foi a voz das mais marcantes conquistas brasileiras.
Em Barcelona, uma façanha incrível. ‘Eu estava no estádio Olímpico de Montjuic. A primeira luta de judô, de Rogério Sampaio, foi contra o português Augusto Almeida no tatame B. E eu só tinha o tatame A.
“Aí fechei os olhos. Colocaram no meu ouvido o retorno do nosso editor Rogério Carneiro, que foi árbitro de judô. “Ele falava. ‘Eles estão em pé. Agora, no solo.’ Imaginei a luta com a ajuda dele. Fui narrando. Quando a luta acabou, o pessoal da Band duvidou que eu não tinha sinal. Quando tiveram a certeza, todas as pessoas me aplaudiram. Narrei sem enxergar, com o mesmo entusiasmo que é a minha marca.”

Entre as milhares de narrações, a medalha de ouro de Cesar Cielo, em Pequim, na Olimpíada de 2008, é inesquecível. Para ele e para quem teve a sorte de acompanhar a prova.
Sorte que está nas redes sociais do narrador, apresentador, historiador, jornalista. Imperdível.
É inacreditável acreditar, mas Álvaro José tem 70 anos. E segue entusiasmado, narrando, mostrando caminhos para o esporte deste país. Espera ansioso a Olimpíada de Los Angeles, em 2028. “Pode ser que seja a minha última...”, diz, emocionado.
Mas quem o conhece já antevê planejando a Olimpíada de Brisbane, na Austrália. Em 2032. Que ninguém duvide de Álvaro José...
Ele é um dos 200 entrevistados do Canal Cosme Rímoli, no YouTube, uma parceria com o R7, portal da RECORD.
As exclusivas já tiveram mais de 18,2 milhões de acessos.
As mais marcantes passam aos sábados, na RECORD NEWS, às 10 horas.
A desta semana será com Edu, espetacular companheiro de Pelé, no Santos...













