“Sem o dinheiro da Parmalat e da Crefisa, lutei, chorei, vivi o jejum. Sofri muito no Palmeiras.” Toninho
Capitão do Palmeiras quando o clube ficou 16 anos sem conquistas, Toninho Cecílio relembra como era difícil jogar com a camisa verde. ‘Tenho muito orgulho. Realizei o sonho da minha vida. Mas o clube viveu um dos seus piores momentos da história. Quando a Parmalat chegou, fui embora. Errei...’

Toninho Cecílio era o grande líder na pior fase do Palmeiras.A dos 16 anos de jejum.
Foi xingado, ameaçado, vivia escondido, chorava em casa, vendo o sofrimento da família.
Agia como se fosse um criminoso.
Zagueiro forte, vigoroso, de excelente formação intelectual, ‘nascido nas categorias de base do Palmeiras, comandava o grupo de jogadores que passou pelas maiores provações com a camisa verde.
“Eu sempre amei o Palmeiras, dava o sangue dentro do campo. Chorava de raiva nas derrotas, Cobrava os jogadores, os técnicos, os dirigentes, ajudava como podia. Mas a pressão era gigantesca. Os anos de jejum se acumulavam. A torcida palmeirense se não conformava.
“Tinha vivido a felicidade de duas gerações excepcionais de atletas: as duas Academias, que acumularam títulos. E depois encara 16 anos sem títulos. Eu era capitão. Tinha um misto de tristeza, vergonha, raiva. Foi muito sofrido”, relembra Toninho.
O ex-capitão viveu as entranhas dessa fase.
‘O dinheiro era pouco e os dirigentes pressionados, formavam e desmanchavam equipes durante a mesma temporada. A imprensa era duríssima e a torcida também. Assim que virei profissional, em 1983, nasceu a Mancha Verde. E aí as cobranças passaram a ser muito mais pesadas. Com gente passando totalmente dos limites. Quando em 1990, depois que empatamos em 0 a 0 com a Ferroviária, no Pacaembu. E não fomos decidir o Paulista, alguns torcedores arrebentaram a sala dos troféus. Quebraram, destruíram taças que fizeram a glória do Palmeiras.“
Toninho revela que os familiares ficavam muito preocupados, com as ameaças que os jogadores sofriam. Eles eram perseguidos nas ruas, supermercados, restaurantes.
“A gente pagava pela falta de filosofia de trabalho dos dirigentes, que trocavam de técnicos, de jogadores. Contratavam qualquer promessa que surgia para que fosse nosso salvador da Pátria. Mas atletas passaram a ficar com medo de aceitar jogar no Palmeiras.”
Tudo mudou em 1992, quando a multinacional Parmalat quis o domínio de um clube no Brasil. E se aproveitou do desespero administrativo do Palmeiras. Pessoas que trataram dessa parceria, que durou oito anos, acabaram na cadeia, na Itália. Por lavagem de dinheiro.

Toninho era tão influente que o então presidente Facchina perguntou a ele se os atletas aceitariam esse modo que o futebol seria gerido. “Ele me consultou. Mas eu não tive poder de veto algum. Só fui avisado. Sabia que tudo mudaria.’E a multinacional italiana usou o Palmeiras como trampolim. Contratou jogadores importantes, talentosos, formou verdadeiras seleções. Só com o intuito de valorizá-los e vendê-los.
Foi quando chegou Antônio Carlos. Toninho percebeu que, de capitão, viraria reserva. Justo quando estava tendo chances na Seleção Brasileira. E resolveu sair do Palmeiras. Jogar emprestado no Botafogo.
‘Saí quando o dinheiro chegou. E o Palmeiras voltou a ser uma grande potência. O Vanderlei Luxemburgo chegou a pedir para eu não ir. Mas já estava decidido.’Toninho ganharia títulos no Japão. Voltou ao Palmeiras como dirigente e foi, finalmente campeão, paulista, em 2008. Saiu com a desilusão que foi a passagem de Muricy Ramalho como treinador.
Depois se tornou técnico, trabalhou em várias equipes. E voltou a ser gerente de futebol.
Aos 59 anos, faz um balanço de sua carreira. E sempre sábio, resume. ‘Sem o dinheiro da Parmalat, da Crefisa, o Palmeiras era outro. Era um clube sem organização, planejamento, amador. De uma pressão quase insuportável por ter sido vencedor no passado. O jejum foi de muito sofrimento.
“Quem comemora hoje, nem imagina o que foi o Palmeiras no fim da década de 70 e toda a década de 80.’
A entrevista completa, na íntegra com Toninho Cecílio, está no canal Cosme Rímoli, no youtube.
São mais de 200 exclusivas, com mais 18,2 milhões de acessos.
As representativas passam na Record News, aos sábados, das 10 horas às 11h30, no programa Cosme Rímoli Entrevista.
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