Palmeiras aprendeu. Libertadores seria prêmio. Prioridade é Brasileiro
A lição de 2017 foi dolorida. Perdeu todos os títulos que disputou. Agora, apostará na conquista de título nacional, Chega de só respirar Libertadores
Cosme Rímoli|Do R7 e Cosme Rímoli

27 de novembro de 2016.
Começo de noite. Suados, eufóricos, roucos, Paulo Nobre e Mauricio Galiotte se abraçam. Estavam para embarcar no trio elétrico que desfilaria pela Avenida Paulista, com o time campeão brasileiro de 2016. Conselheiros olhavam embevecidos, orgulhosos, a união dos dois dirigentes. Representavam a união do mandatário vencedor e o seu sucessor.
Nobre não se continha de tanta euforia. Ele havia feito questão de levantar a taça junto com Dudu, o capitão do time. O então presidente queria estar para sempre nos pôsteres, retratos e imagens da tevê e internet. O bilionário havia colocado mais de R$ 140 milhões do próprio bolso na formação da equipe. E se achava no direito de ser eternizado ao final do jejum de 22 anos sem o título brasileiro. A ideia de a equipe jogar de meias brancas, como em 1994, tinha sido dele.
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Mas no abraço entre Nobre e Galiotte, conselheiros ouviram a determinação do presidente que deixava o cargo.
"No ano que vem, quero ver você levantando a taça da Libertadores", gritou Nobre para Galiotte.
E o pedido calou fundo em Mauricio. Ele já tinha suas convicções. O time já era forte. E teria um bilonário aporte por trás. Mas não o de Nobre, que demonstrara que gostaria controlar o futebol e se manter nos holofotes, mesmo sem cargo. Não. Galiotte já havia se aproximado e firmado um pacto com Leila Peira, dona da Crefisa. Com ela, teria a independência que desejava, em todos os setores do clube.
Nobre se sentiu traído, sem espaço, e se afastou. Decidira voltar a competir em ralis pelo mundo, distração milionária que adora. E trabalhar para voltar um dia à presidência. De preferência disputando o cargo com Leila, de quem virou inimigo número um, ao tentar inviabilizar sua entrada no Conselho Deliberativo, para que ficasse apta a ser a primeira mulher a comandar o Palmeiras.
Enquanto esse aguardado duelo entre bilionários ainda está longe, Galiotte ficou obcecado pelas palavras de Nobre. E determinou a Alexandre Mattos. A ordem era avisar ao mundo que o Palmeiras desejava todos os títulos de 2017. Seria ótima propaganda. Mas a prioridade absoluta era a Libertadores. Eduardo Baptista e Cuca, que depois retornou devido ao fracasso do filho de Nelsinho, sabiam. Tiveram o direito de fracassar no Paulista, na Copa do Brasil e no Brasileiro.
A exigência era a Libertadores.

Os jogadores sofreram uma pressão acima do normal na competição sul-americana. E o resultado foi um enorme fracasso. Com o time tenso, afobado, transformando qualquer partida em um drama. Porque o nervosismo e a insegurança chegaram até a ávida torcida. O que culminou na eliminação de forma deprimente, nas oitavas de final para o Barcelona de Guayaquil, em plena arena palmeirense. Cuca ficou tão desnorteado que nem acabou o ano comandando o time. Atletas ficaram a um passo da depressão.
O Palmeiras não conquistou nem a Libertadores e muito menos um mísero título qualquer. Galiotte passou em branco. Não pôde levantar qualquer taça.
O fracasso foi um bom professor. Mal começou o ano, depois que Alexandre Mattos não conseguiu convencer Mano Menezes a trocar o Cruzeiro pelo Palmeiras, Galiotte fez questão de conversar com seu executivo. E a ordem do presidente foi completamente outra. Toda a atenção possível na Libertadores. Mas ele também exigia que o elenco milionário, que consome uma folha de pagamento de R$ 14 milhões, a mais alta da América Latina, o sangue derramado para tentar conquistar o Paulista, a Copa do Brasil e o Brasileiro.
O recado chegou forte a Roger Machado. Acabou a compreensão com derrotas. Por isso a indignação que não passa do presidente diante da derrota para o Corinthians na final do Estadual. Ele não se conformou com a perda do título, para o maior rival, o Corinthians, na arena palmeirense. Foi frustante demais.
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A vitória do Palmeiras ontem contra o Alianza Lima, com o time repleto de reservas, não seria possível em 2017. O fato de o time estar a um triunfo de conquistar a melhor campanha da fase de grupos da Libertadores não comove Galiotte. Ter a vantagem de decidir em casa é pouco. Desde que a Conmebol determinou os sorteios dos adversários no mata-mata.
Mattos e Roger Machado querem o Palmeiras completo contra o Atlético Paranaense, domingo, às 11 horas, na Arena da Baixada. E também uma equipe muito forte na quarta, no Independência, contra o América Mineiro, pela Copa do Brasil.
Uma análise fria no Palestra Itália mostrou: os grandes rivais pela Libertadores, Copa do Brasil e Brasileiro são três. Grêmio, Cruzeiro e Corinthians.
Renato Gaúcho está cada vez mais empolgado com a Libertadores, sonha com o bicampeonato. Vê a Copa do Brasil muito mais possível que o Brasileiro, pelo menor número de jogos. No Brasileiro, não tem pudor em colocar reservas. Mano Menezes no Cruzeiro, vai pelo mesmo caminho.

Carille padece com seu elenco pequeno. E com um grande diferencial em relação a 2017, quando conquistou o heptacampeonato nacional. O Corinthians não estava na Libertadores. Agora, a pressão, o desgaste, a cobrança estão maiores. O técnico queria, mas sabe que não tem condições de dar uma arrancada histórica no Brasileiro. Capenga na Libertadores. E também vê a Copa do Brasil como mais factível.
Galiotte sabe que o Palmeiras tem iguais condições na disputa da Libertadores e Copa do Brasil com o Grêmio e o Cruzeiro. Tem melhor e mais variado elenco que o Corinthians.
Tem consciência que o longo Brasileiro está aberto para o Palmeiras. Ainda mais com Lucas Lima e os laterais Marcos Rocha e Diogo Barbosa se entrosando de vez no time.
O dirigente já mandou buscar um zagueiro de peso para depois da Copa do Mundo.
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A prioridade é Miranda, que sairá da Inter de Milão.
Vai depender do seu sucesso na Rússia.
Se for muito bem, poderá ir para a China.
Mas ele é o nome desejado por Galiotte.
O dirigente já avisou Mattos e Roger.
Ele precisa ao menos de um título relevante.
Se for a Libertadores, ótimo.

Mas se for o Brasileiro ou a Copa do Brasil, estará excelente.
O dirigente exige que o clube passe a ter o patrocínio da Puma, em 2019 com uma conquista importante.
Ser campeão nacional pela décima vez traria respeito internacional.
A conselheiros já avisou que não cairá mais no conto da Libertadores.
Priorizar a competição mais importante do continente é uma bobagem.
Tanto quanto virar as costas à Copa do Brasil e Brasileiro.
Nunca mais, enquanto for presidente, o Palmeiras agirá com em 2017.
A promessa feita a Paulo Nobre, hoje seu inimigo político, foi enterrada.
Assim como a amizade entre os dois...














