O Corinthians faz o que quer, com o fraco Paraná de Micale. 4 a 0
Não bastasse o fraco elenco, a péssima estratégia do rival ajudou Carille
Cosme Rímoli|Do R7 e Cosme Rímoli

4 a 0 foi pouco para o Corinthians. Aliás, se quisesse, a goleada diante do Paraná Clube seria história. Mas Fábio Carille não quis. Ele foi jogador da equipe de Curitiba, deixou laços afetivos. Preferiu não humilhar o frágil adversário.
Ainda mais montado de forma ingênua, juvenil, por Rogério Micale.
Foi realmente triste o que aconteceu. A torcida paranista fez uma festa inesquecível à chegada do elenco no estádio da Vila Capanema.
Mas toda a euforia foi embora com a bola rolando.
Ficou mais do que evidente que o heptacampeão brasileiro caminha firme para brigar por mais um título. Seguindo o caminho trilhado por Tite e já conhecido por Carille. Disparando na frente logo nas primeiras rodadas. Duas vitórias com autoridade. Seis pontos. Estar na frente nas primeiras rodadas faz bem para o ego, dá confiança, impõe respeito.
Já o Paraná Clube, com seu elenco fraquíssimo, está em mãos muito inseguras. Rogério Micale é um treinador especialista em garotos. Não sabe lidar com profissionais. A combinação é terrível. E toda a alegria pela volta, depois de dez anos longe da Série A, tem tudo para ser fugaz.
Cada vez fica mais evidente que, se não fosse a intervenção de Tite, o Brasil não teria a medalha de ouro olímpica. Rogério Micale segue um treinador especialista em comandar garotos. Não profissionais. Já mostrou isso na sua passagem relâmpago no Atlético Mineiro, despachado após dois meses.
Neste curto período deu tempo para vexames. Eliminação da Copa do Brasil. E na Libertadores, pela primeira vez uma equipe nacional foi eliminada diante de uma equipe boliviana, Jorge Wilstermann.
Depois de cinco meses desempregado, o Paraná Clube, recém-chegado da Segunda Divisão no Brasileiro, o contratou. Buscava um 'treinador de nome'. No Estadual, seu cartão de visita. Rogério Micale montou uma equipe insegura, sem cobertura, sem imaginação. E que abusa dos chuveirinhos. Lógico que não chegou às finais, foi eliminado pelo humilde Londrina.
No Brasileiro, o time já estreou contra o pressionado São Paulo de Diego Aguirre, poupando titulares, para o jogo que custou a sua eliminação da Copa do Brasil, diante do Atlético Paranaense. Não adiantou a ajuda. O Paraná foi incompetente e perdeu o jogo, no Morumbi.
Mesmo assim, a torcida estava ansiosa nesta manhã de sol, em Curitiba. Queria dar boas-vindas ao time. Se mostrava orgulhosa, enfrentaria o heptacampeão brasileiro, bicampeão paulista. No estúpido horário das 11 horas, imposto à CBF pela TV Globo, para transmitir um jogo no domingo à tarde da Europa. E no final da noite na Ásia, não na madrugada. Os atletas que se exponham ao desgaste absurdo de atuar ao meio-dia.
Mas o sorriso de orgulho dos paranistas logo deixaria seus rostos. Rogério Micale decidiu ir pelo caminho mais simples. Espelhou sua equipe no mesmo sistema tático do Corinthians de Fábio Carille. Os dois times atuando no 4-1-4-1. E ainda adiantou a marcação nos primeiros minutos para tentar aproveitar a empolgação da torcida.
Atitude infantil. O Paraná teve o aparente controle da partida nos primeiros minutos. Mas o Paraná Clube tem jogadores com muito menos qualidade, sem a visão de jogo do time paulista, sem o entrosamento. E principalmente, com um treinador que não tem noção de cobertura.
As duas linhas paranistas estavam distantes demais. Seus volantes não cobriam as laterais do campo. Principalmente Alemão, na direita. Ele atacava, ansioso. Carille enxergou o óbvio. Adiantou Sidcley e Matheus Vital. Rodriguinho, aparecendo como o falso centroavante, cada vez tinha mais espaço.

Não demorou 25 minutos e o Corinthians já marcava o seu primeiro gol. Jadson descobriu Sidcley livre, fez a triangulação com Matheus Vital, e cruzou. Rodriguinho empurro para as redes. Gol treinado. Parecia coletivo. Vergonhosa a postura da defesa paranista. 1 a 0.
Foi um choque de realidade do Paraná Clube e de seus torcedores. Quando estavam tentando acordar, um minuto depois, veio o segundo gol.
Desta vez, bastou Sidcley levantar a cabeça e acreditar no próprio futebol. Ele desceu com a bola dominada. Percebeu que se driblasse o desesperado Alemão, chegaria na cara do gol. E foi o que fez, com a maior facilidade, invadiu a área e fulminou Richard. 2 a 0.
A partir daí, o Corinthians sabia que a partida estava ganha. Carille pediu para seus jogadores diminuírem o ritmo, tocassem a bola com calma na intermediária.
O Paraná Clube era o retrato de seu técnico.
Perdido, tinha medo de atacar e tomar mais gols. E se defender perdendo não teria lógica.
O clube paulista não tinha nada a ver com esse problema. Foi tocando a bola e esperando o tempo passar, mais preocupado com o sol inclumente do que diante do fraquíssimo adversário.
No segundo tempo, a grande mudança foi a troca de lado. O Paraná Clube e seu futebol de Segunda Divisão seguiu não saber o que fazer com o Corinthians. E o time de Carille, como se estivesse treinando, visivelmente, se poupava.
Mesmo assim, as coisas estavam tão fáceis que quase foi obrigado a marcar mais dois gols. A fragilidade defensiva do adversário seguia primária. Foi assim que Fagner recebeu de Romero e cruzou para Clayson, livre, tranquilo, sossegado, empurrar para as redes. 3 a 0, aos 34 minutos.
E aos 40 minutos, Micale, de mãos na cintura, viu seu time sofrer o quarto gol. Clayson pedalou, driblou. E rolou para Gabriel. O chute foi seco, tranquilo, para o canto esquerdo de Luís Carlos, que substituiu Richard, 4 a 0.
A realidade é clara.
O Corinthians já caminha firme na luta por mais um Brasileiro.
E o fraco elenco do Paraná, com Micale, especialista em garotos, já caminha para onde parece que não deveria ter saído.
A Segunda Divisão...















