Neymar não será cortado.‘Não expliquei bem. Podia convocar um jogador que não estava bem fisicamente.’Ancelotti recua. E assume dependência de Neymar na Copa
‘Não vamos trocar ninguém.’ Na mais esperada coletiva, o treinador italiano deixa explícita sua contradição em convocar um jogador machucado. Fez ao contrário do que garantiu desde que assumiu a Seleção. Levará Neymar para a Copa, sem ter a mínima certeza quando ele poderá jogar. Se poderá jogar

“Eu falei sobre eles precisarem estar 100%, mas também falei em março, talvez não explicando bem.
“Podia chamar um jogador que não estava 100%, mas que poderia estar 100% na Copa.
“Por má sorte, não pode estar 100% na Copa o Militão, o Rodrygo, o Estêvão… Mas Neymar pode estar.
“Para ser claro. Ele vai estar conosco até o dia que vai recuperar e estar disponível. Pensamos que ele pode se recuperar para o primeiro jogo. Se não puder, para o segundo jogo. Não temos nenhuma dúvida de que não vamos trocar ninguém.Os jogadores escolhidos são estes 26 e estes 26 vão jogar a Copa do Mundo.”
Palavras de Carlo Ancelotti hoje, dia 30 de maio, Teresópolis, Rio de Janeiro.
“Um critério (para a convocação) muito importante para a comissão é o aspecto físico.O jogador que joga na Seleção tem que estar 100% na condição física.
“Isso é um critério muito importante para nós.
“Porque a competência em qualquer posição é muito grande, laterais-direitos, zagueiros, meio-campistas, atacantes.A competência é muito grande.
“Se um jogador não esta 100%, posso chamar outro sem nenhum problema.”
Frases de Ancelotti, dia 25 de agosto de 2025, Rio de Janeiro, na convocação da Seleção para os jogos das Eliminatórias, contra Bolívia e Chile.
A contradição é explícita.
O recuo na sua convicção, assustador.
Está claro que o treinador se tornou mais um técnico da Seleção Brasileira a perceber o quanto essa geração de jogadores é fraca.
E precisa de Neymar, mesmo aos 34 anos, 45 lesões, cinco cirurgias.
A ponto de não ter medo de voltar atrás, se contradizer, desprezar a sua postura.
Optou pelo caminho mais fácil.
Não se ‘explicou direito’.
Ancelotti assumiu hoje que recuou.
Colocou Neymar em outro patamar, como Felipão, Dunga, Tite, Fernando Diniz já colocaram. Por pura necessidade.
A Seleção não tem um jogador diferenciado, talentoso, com personalidade para dar confiança ao grupo como Neymar.
Então, voltar atrás no seu discurso é o de menos.
O clima na coletiva de hoje em Teresópolis foi de puro desencanto por parte dos jornalistas.
A desculpa dada por Ancelotti não convenceu. Ele sabia muito bem o que falou durante o ano todo e simplesmente teve de se desdizer.
“Antes da convocação, recebemos comunicado do Santos de que ele teria um edema. O Santos ia cuidar desse assunto. Ele foi convocado porque, para a comissão, teria que ser convocado. Depois a CBF toma conta do problema do Neymar.
“E estamos tomando conta do problema dele. Pensamos que ele vai recuperar o mais rápido possível. Está animado. Tomara que ele possa recuperar logo.”
Sim, o treinador mais vencedor da história do futebol, campeão de cinco Champions League, disse literalmente.
“Tomara que ele possa se recuperar logo.” O Brasil está há 24 anos sem ganhar uma copa e o técnico aposta no ‘tomara’, ou seja, não há certeza nenhuma quando e se Neymar irá se recuperar a tempo de disputar a Copa.
A lesão grau dois na panturrilha é uma contusão muito traiçoeira. Os filamentos do músculo estão rompidos. Neymar é uma atleta com um passado de muitas lesões. Não há certeza de quando ele poderá jogar. A panturrilha é fundamental para arranques, chutes, dribles.
Diante da séria questão se sofreu pressão externa para a convocação de Neymar, como patrocinadores, direção da CBF, Ancelotti procurou a saída fácil.
O escárnio, ironizar a pergunta.
“Se minha mãe tivesse rodas, seria um carro.”
Ancelotti deixou escapar saber o quanto grande parte do Brasil queria a convocação de Neymar. Independente do edema, do inchaço de sua panturrilha direita.
“Ele é muito conhecido, amado pela CBF, pelos jogadores. Ele está trabalhando bem para estar disponível o quanto antes. Conversamos de tudo, da recuperação, vai ser importante nesse ambiente. Importante para ele entender bem o seu papel. E acho que ele entendeu muito bem.”
O treinador italiano não quis mostrar sua ira, quando soube que Neymar estava contundido. E o Santos passou um relatório sem imagens. Apenas passou a informação que ele tinha uma leve edema (inchaço), por conta de uma lesão na panturrilha de dois milímetros.
E não era assim. Se fosse, ele estaria treinando, escalado para a partida de amanhã, contra o Panamá, no amistoso do ‘adeus’ da torcida, no Maracanã.
Ele quis evitar um tumulto maior apontando a postura do Santos, para garantir a convocação de Neymar, mesmo contundido.
Ancelotti saiu da coletiva sorridente, confiante.
Aposta que ‘matou’ o assunto.
Brincou, fez os jornalistas rirem, alguns deles mesmos.
E, de maneira hábil, mostrou que voltou atrás.
Ao contrário do que fez em toda sua carreira.
Mas percebeu que a Seleção Brasileira de 2026 não é o Real Madrid.
Não há outro ídolo com personalidade e com o talento de Neymar.
Ele encontrou um país desesperado por um ídolo midiático de 34 anos, 45 lesões, cinco cirurgias. E que está com a panturrilha inchada.
O que Carlo Ancelotti fez hoje pode ser resumida em única frase.
Assumiu ser apenas mais um técnico dependente de Neymar...













