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Furada de Antônio Carlos faz Palmeiras sonhar com volta de Mina

No amargo empate contra o Boca, ficou evidente. O milionário Palmeiras não tem um grande zagueiro. Conselheiros exigem o retorno de Mina

Cosme Rímoli|Cosme Rímoli

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Conselheiros pressionam a diretoria. Querem a volta de Mina
Conselheiros pressionam a diretoria. Querem a volta de Mina

As vaias de decepção dominaram a arena palmeirense.

Todas direcionadas a Lucas Lima.


Mais uma vez, o meia teve uma atuação burocrática contra o Boca Juniors. Se limitou a ajudar na marcação na intermediária. Deu raros chutes a gol. Não foi e nem sequer tentou ser o articulador do ataque. Um mero carimbador de bolas. Especialista em passes do lado, sem qualquer objetividade.

Nem sombra do meia importante, driblador, lançador, chutador. Jogador de personalidade que o Santos levou até a Seleção Brasileira. No Palmeiras de Roger Machado se tornou um assessor de volantes.


Rádios e televisões já criticavam abertamente o jogador, no final da noite de ontem. Assim como os palavrões e vaias dos palmeirenses no estádio o tinham como alvo. 

Mais de 37 mil apaixonados, tentavam esquecer a desilusão de perder o título paulista para o Corinthians, no domingo. Levaram mais de R$ 4,4 milhões aos abarrotados cofres verdes. E se incomodavam com a apatia do time, que permitia que o Boca Junior tivesse 61% de posse de bola, ditando o lento ritmo do 0 a 0. 


A revolta crescia no estádio, quando Jara foi despachar a bola para a frente. Só que o pé esquerdo bateu antes na bola do que o violento chute que o direito se preparava para dar. A furada foi circense. A bola sobrou para Guerra que cruzou rasante para a área. O veloz e injustiçado Keno estufou as redes de Rossi.

O gol, aos 44 minutos do segundo tempo, lavava a alma palmeirense. O jogador tirou a camisa e fez questão de comemorar com a torcida. Parecia ser a redenção. Vitória contra o poderoso Boca Juniors, a terceira seguida na Libertadores, a melhor campanha entre todos os times.


Mas dois minutos depois, tudo isso foi esquecido.

Antônio Carlos se preparou para despachar um chutão dado para a frente pelo time argentino. O zagueiro dá uma furada incrível. A bola passa e chega ao jogador mais agudo do Boca, o velocista e driblador Pavón. Depois do inesperado presente, ele invade a área palmeirense e cruza.

A dor seria ainda maior. O ex-ídolo corintiano Carlitos Tevez desvia com raiva. A bola sobe. Bate no travessão, atravessa a linha, sobe de novo e morre nas redes. 1 a 1.

A decepção domina novamente o estádio palmeirense.

Alguns torcedores se chocam e xingam Jailson. Ele comete a heresia de trocar a camisa com Tevez. Deve ser um presente para sua mãe, Maria Antonia, corintiana fanática. Filho com consideração faz tudo o que pode pela mãe. E o gesto é logo esquecido.

O foco sai do improdutivo futebol do time comandado por Roger Machado. Sem poder de se impor em jogos decisivos. Da burocrática apatia de Lucas Lima. De Jailson e sua camisa de Tevez.

E recai em Antonio Carlos.

Contra o Corinthians, Antônio Carlos falhou no gol decisivo
Contra o Corinthians, Antônio Carlos falhou no gol decisivo

O zagueiro que já havia falhado no gol do Corinthians, na final do Paulista. Matheus Vital fez o que quis com ele, que vinha desesperado, tentar cobrir Marcos Rocha. E ajeitou para Rodriguinho marcar.

O que o ex-zagueiro do próprio Corinthians, Oeste, Avaí, Flamengo e Ponte Preta fez foi lastimável. Sua furada misturou afobação, falta de tempo de bola, nervosismo. Ele já tem 25 anos. Não é o garoto que aparenta ser.

Ele e Thiago Martins, jogador de 23 anos, que chegou com 18 no Palestra Itália, formam a zaga predileta de Roger Machado. E deixam no banco de reservas Edu Dracena, Luan, Juninho, Emerson Santos e Pedrão.

São altos, fortes. Marcam gols, presenças perigosas nas áreas adversárias em escanteios. Mas são lentos, têm fraca saída de bola, se enervam com facilidade. Inseguros.

O descontentamento com a dupla de zaga titular no milionário elenco palmeirense não é novidade. Conselheiros vem criticando o executivo Alexandre Mattos. Não se conformam com o dinheiro colocado à sua disposição, ele não ter conseguido contratar sequer um grande zagueiro para o clube. Pelo contrário. Perdeu Mina antes do prazo que todos esperavam. O colombiano foi para o Barcelona em janeiro e não em junho, após a Copa do Mundo, como estava combinado.

No final do ano houve boatos fortes de que Mattos negociava com Geromel do Grêmio e com Miranda, da Seleção Brasileira, e da Inter de Milão. Nada foi confirmado.

Jailson fez questão de trocar sua camisa com Carlitos Tevez
Jailson fez questão de trocar sua camisa com Carlitos Tevez

A perda do Paulista e, principalmente a furada de Antônio Carlos, trouxe imediatamente de volta o questionamento. A necessidade de o time contratar pelo menos um grande zagueiro, se quiser, vencer a Libertadores.

No vestiário, Roger Machado, fez sua obrigação. Defendeu como pôde Antônio Carlos. 

"É triste colocar uma culpa em um jogador só. Triste e injusto. É um esporte coletivo. Minutos atrás ele salvou em boma em um carrinho fantástico. O jogador mais veloz deles, o Pavón, ia dentro do gol. Contra o Santos ele fez o gol que abriu para vencermos, São Paulo idem. É um garoto, jogador que tem futuro brilhante, é um cara que está em alto nível, tem nosso apoio e confiança.

"Ele não estava, ele está em alto nível. Tem de avaliar os dois lances com olho bastante clínico, o contexto total. No clássico, o Tonhão estava envolvido no lance, houve outro erro técnico e tático que ele tentou consertar. Esse (contra o Boca) foi de tomada de decisão. Arrisco dizer que foi um dos melhores em campo", exagerou o treinador.

Como é praxe no futebol brasileiro, jogador que atua mal, não dá entrevista. Foi assim ontem com Antônio Carlos. Há saídas laterais no estádio palmeirense para quem não deseja encontrar jornalistas.

O questionamento da torcida e, principalmente dos conselheiros, é justa. Antônio Carlos não merece ser crucificado. O Palmeiras como um todo não vem agradando. E não foi o único a jogar mal ontem contra o Boca.

Roger tentou defender o fraco desempenho de Antônio Carlos contra o Boca
Roger tentou defender o fraco desempenho de Antônio Carlos contra o Boca

A verdade é que a zaga palmeirense é fraca.

A ideia de tentar trazer de volta, por empréstimo, Mina, que não tem ficado nem no banco do Barcelona, não é nova no Palmeiras. Mattos rebate, alegando ser impossível, já que o Barcelona pagou R$ 45 milhões pelo zagueiro de 23 anos, há quatro meses. E não iria emprestá-lo agora, de graça.

A janela está fechada para jogadores que atuam na Espanha.

Ela se reabrirá em junho.

Se o zagueiro seguir na reserva da reserva, Mattos tentará sua volta.

Mina segue se comunicando com vários jogadores palmeirenses. Principalmente com Borja, sem maior amigo e parceiro de Seleção Colombiana. Ele adorou o período que passou no Palestra Itália.

A verdade é evidente.

O Palmeiras irá atrás de defensores na janela do meio do ano.

A falha de Antônio Carlos ontem só expõe o erro de Alexandre Mattos.

Na hora de ir às compras se esqueceu de um grande zagueiro.

O gol de Carlitos Teves é só mais uma das provas...

Tomar gol do ex-ídolo corintiano, Carlitos Tevez, foi duro para os palmeirenses
Tomar gol do ex-ídolo corintiano, Carlitos Tevez, foi duro para os palmeirenses
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