Logo R7.com
RecordPlus
Cosme Rímoli - Blogs

10 gols! Para seduzir o trilhardário EUA. Inglaterra 6 x França 4. Britânicos ficam em terceiro, no mais frenético jogo da Copa. Mbappé chega a 22 gols

Sem a responsabilidade de lutar pelo título, ingleses e franceses abandonaram a defesa. E duelaram ‘de peito aberto’. A França entrou em ritmo de treino e foi humilhada no primeiro tempo. Saiu perdendo por 4 a 0. Em uma reação espetacular, o Mbappé marcou dois gols, chegou a 22 na história das Copas. O jogo ‘pegou fogo’, com os dois times atacando em bloco. O time de Deschamps, que deu seu adeus à França, teve a chance até de virar, mas desperdiçou vários gols. E veio derrota tão empolgante quanto histórica, por 6 a 4

Cosme Rímoli|Do R7

  • Google News

Adicione como fonte preferencial no Google

Opens in new window
Saka comemora seu terceiro gol contra a França. Jogo alucinante, com os dois times só se preocupando em atacar Paul Childs/Reuters

São Paulo, Brasil


O principal motivo de rejeição para o consumo do futebol pelos norte-americanos, a Fifa conhece bem.

A ausência de momentos de euforia durante os jogos.


Ou seja, poucos gols.

A possibilidade de 0 a 0.


Mas a decisão do terceiro lugar, partida que costumeiramente é dominada pela frustração das duas seleções que não conseguiram chegar à final, nesta Copa foi muito diferente.

Inglaterra e França protagonizaram uma das partidas mais emocionantes da história do Mundial.


Na vontade do alemão Thomas Thuchel como técnico do time inglês e na despedida de Didier Duschamps, como comandante dos franceses, ambos decidiram.

Abriram mão da forte marcação e apostaram no ataque.

Até de forma inconsequente.

Queriam vencer, mas com seus jogadores tendo prazer em buscar o gol.

Por coincidência, ou não, os vividos treinadores enxergaram que, de nada adiantava travar o adversário, deixar o jogo amarrado.

E liberaram seus atletas para se divertirem.

Quem ganhou com isso foi quem teve o privilégio de assistir à partida de Miami.

Assistiram à quinta partida da história com mais gols em Mundiais.

Dez. Sim, dez. O placar de 6 a 4 para a Inglaterra foi o resultado do que jogadores talentosos podem fazer sem marcação, com espaço para atacar à vontade.

Saka marcou três vezes. Se aproveitou do esquema escancarado da França Reuters

A Inglaterra conseguiu a sua melhor colocação desde 1960, quando foi campeã.

E Mbappé assumiu a artilharia da Copa com 10 gols. Chegou a 21, se tornando o atleta que mais marcou em todos os Mundiais, chegando a 22 gols.

Messi tem oito gols nesta Copa. E 20 gols somando todos os Mundiais.

Saka, do Arsenal, roubou a cena, marcando três gols no confronto inesquecível.

O jogo começou com a França andando em campo, desinteressada na partida. Resultado da frustração pela derrota para a Espanha, na semifinal.

A última partida de Deschamps como treinador, antes de Zidane assumir, também deu o tom para um primeiro tempo assustador.

O jogo valia muito para Thomas Duchel seguir comandando a Inglaterra.

Ele tratou de colocar seus jogadores pressionando, encurralando os franceses.

Deixou Harry Kane, Bellingham no banco. Assim como o goleiro Pickord.

Com a desculpa de que as 24 horas a menos que seu time teve em relação aos franceses, apostou em uma equipe menos técnica, mas com muita força física.

Combinou com a falta de gana dos franceses.

E veio a inesperada, e justa, goleada no primeiro tempo.

Aos dois minutos, Rice marcou em um belo chute de fora da área. Depois, cobrou escanteio e Konsa, livre, marcou 2 a 0, aos 17.

Atônitos, os franceses tomaram mais dois gols. Aos 36 e 46, de Saka.

4 a 0 Inglaterra.

Deschamps ficou realmente irado com seus jogadores.

“Eles não têm o direito de fazer isso”, desabafou.

Trocou quatro atletas de uma vez só.

Theo Hernández, Konaté, Cherki e Doué.

Entraram Digne, Upamecano, Dembélé e Barcola.

E a vergonha na cara dos franceses, que passaram a correr, a lutar.

A Inglaterra não esperava o ritmo frenético, intenso, que a França iria impor.

E o jogo foi se transformando no mais emocionante da Copa.

Graças à irresponsabilidade dos marcadores dos dois times, que davam espaço ao adversário.

Mbappé, que fazia sua despedida deste Mundial, passou Messi, ao receber passe de Olise. 4 a 1 aos dois minutos.

Seis minutos depois, Mbappé deu excepcional passe para Barcola. Ele não teve dificuldade em marcar.

4 a 2 e colocava um rastilho de pólvora no jogo.

A Inglaterra se assustou com a reação francesa, enquanto as arquibancadas tremiam de emoção.

O cenário iria ficar ainda mais incendiário, depois que, aos 20 minutos, Mbappé tabelou com Olise e não perdoou Henderson.

4 a 3.

Mbappé marcou dois gols. Bateu recorde. Mas não conseguiu evitar a derrota marcante Carlos Barria/Reuters

Narradores se esgoelavam, os jogadores dos dois times seguiram atacando.

A emoção estava à flor da pele.

Thomas Suchel apelou para o talento e a consciência de Bellingham. E o colocou na partida.

A França estava escancarada na frente quando, em um contragolpe, Spence foi derrubado por Gusto. Pênalti.

Saka bateu com talento e convicção.

Hat-trick, três gols, para o jogador do Arsenal.

5 a 3 para a Inglaterra.

O jogo parecia decidido.

Só que não.

Aos 50 minutos, Dembélé driblou Chalobah e marcou 5 a 4.

As esperanças francesas reacenderam.

Mas morreram de vez, depois de uma jogada espetacular de Bellingham, que deu arrancada fulminante e estufou as redes francesas, com raiva.

6 a 4, Inglaterra, aos 52 minutos.

Fim do jogo que foi um privilégio para quem assistiu.

Até mesmo para os norte-americanos que são viciados em adrenalina em esportes com placares que mudam a todo instante e não conseguem absorver as nuances e complexidade de uma partida de futebol.

Hoje até eles se deixaram levar pela euforia.

Para alegria desenfreada da cúpula da Fifa, que levou a Copa para os Estados Unidos por conta do mercado trilhardário.

A Inglaterra chegou a seu resultado mais marcante, depois de 60 anos.

E a França se despede de Deschamps.

Apostando que Zidane levará essa excelente geração a nova luta por título em 2030.

As duas seleções cumpriram seu papel na Copa de 2026.

Mostraram para o mundo toda a magia do futebol...

Veja também: França segue preparação para a disputa do terceiro lugar

A seleção francesa voltou aos treinamentos em Boston e segue a preparação para enfrentar a Inglaterra na disputa do terceiro lugar da Copa do Mundo da FIFA, neste sábado, em Miami.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.