10 gols! Para seduzir o trilhardário EUA. Inglaterra 6 x França 4. Britânicos ficam em terceiro, no mais frenético jogo da Copa. Mbappé chega a 22 gols
Sem a responsabilidade de lutar pelo título, ingleses e franceses abandonaram a defesa. E duelaram ‘de peito aberto’. A França entrou em ritmo de treino e foi humilhada no primeiro tempo. Saiu perdendo por 4 a 0. Em uma reação espetacular, o Mbappé marcou dois gols, chegou a 22 na história das Copas. O jogo ‘pegou fogo’, com os dois times atacando em bloco. O time de Deschamps, que deu seu adeus à França, teve a chance até de virar, mas desperdiçou vários gols. E veio derrota tão empolgante quanto histórica, por 6 a 4
Cosme Rímoli|Do R7

São Paulo, Brasil
O principal motivo de rejeição para o consumo do futebol pelos norte-americanos, a Fifa conhece bem.
A ausência de momentos de euforia durante os jogos.
Ou seja, poucos gols.
A possibilidade de 0 a 0.
Mas a decisão do terceiro lugar, partida que costumeiramente é dominada pela frustração das duas seleções que não conseguiram chegar à final, nesta Copa foi muito diferente.
Inglaterra e França protagonizaram uma das partidas mais emocionantes da história do Mundial.
Na vontade do alemão Thomas Thuchel como técnico do time inglês e na despedida de Didier Duschamps, como comandante dos franceses, ambos decidiram.
Abriram mão da forte marcação e apostaram no ataque.
Até de forma inconsequente.
Queriam vencer, mas com seus jogadores tendo prazer em buscar o gol.
Por coincidência, ou não, os vividos treinadores enxergaram que, de nada adiantava travar o adversário, deixar o jogo amarrado.
E liberaram seus atletas para se divertirem.
Quem ganhou com isso foi quem teve o privilégio de assistir à partida de Miami.
Assistiram à quinta partida da história com mais gols em Mundiais.
Dez. Sim, dez. O placar de 6 a 4 para a Inglaterra foi o resultado do que jogadores talentosos podem fazer sem marcação, com espaço para atacar à vontade.

A Inglaterra conseguiu a sua melhor colocação desde 1960, quando foi campeã.
E Mbappé assumiu a artilharia da Copa com 10 gols. Chegou a 21, se tornando o atleta que mais marcou em todos os Mundiais, chegando a 22 gols.
Messi tem oito gols nesta Copa. E 20 gols somando todos os Mundiais.
Saka, do Arsenal, roubou a cena, marcando três gols no confronto inesquecível.
O jogo começou com a França andando em campo, desinteressada na partida. Resultado da frustração pela derrota para a Espanha, na semifinal.
A última partida de Deschamps como treinador, antes de Zidane assumir, também deu o tom para um primeiro tempo assustador.
O jogo valia muito para Thomas Duchel seguir comandando a Inglaterra.
Ele tratou de colocar seus jogadores pressionando, encurralando os franceses.
Deixou Harry Kane, Bellingham no banco. Assim como o goleiro Pickord.
Com a desculpa de que as 24 horas a menos que seu time teve em relação aos franceses, apostou em uma equipe menos técnica, mas com muita força física.
Combinou com a falta de gana dos franceses.
E veio a inesperada, e justa, goleada no primeiro tempo.
Aos dois minutos, Rice marcou em um belo chute de fora da área. Depois, cobrou escanteio e Konsa, livre, marcou 2 a 0, aos 17.
Atônitos, os franceses tomaram mais dois gols. Aos 36 e 46, de Saka.
4 a 0 Inglaterra.
Deschamps ficou realmente irado com seus jogadores.
“Eles não têm o direito de fazer isso”, desabafou.
Trocou quatro atletas de uma vez só.
Theo Hernández, Konaté, Cherki e Doué.
Entraram Digne, Upamecano, Dembélé e Barcola.
E a vergonha na cara dos franceses, que passaram a correr, a lutar.
A Inglaterra não esperava o ritmo frenético, intenso, que a França iria impor.
E o jogo foi se transformando no mais emocionante da Copa.
Graças à irresponsabilidade dos marcadores dos dois times, que davam espaço ao adversário.
Mbappé, que fazia sua despedida deste Mundial, passou Messi, ao receber passe de Olise. 4 a 1 aos dois minutos.
Seis minutos depois, Mbappé deu excepcional passe para Barcola. Ele não teve dificuldade em marcar.
4 a 2 e colocava um rastilho de pólvora no jogo.
A Inglaterra se assustou com a reação francesa, enquanto as arquibancadas tremiam de emoção.
O cenário iria ficar ainda mais incendiário, depois que, aos 20 minutos, Mbappé tabelou com Olise e não perdoou Henderson.
4 a 3.
Narradores se esgoelavam, os jogadores dos dois times seguiram atacando.
A emoção estava à flor da pele.
Thomas Suchel apelou para o talento e a consciência de Bellingham. E o colocou na partida.
A França estava escancarada na frente quando, em um contragolpe, Spence foi derrubado por Gusto. Pênalti.
Saka bateu com talento e convicção.
Hat-trick, três gols, para o jogador do Arsenal.
5 a 3 para a Inglaterra.
O jogo parecia decidido.
Só que não.
Aos 50 minutos, Dembélé driblou Chalobah e marcou 5 a 4.
As esperanças francesas reacenderam.
Mas morreram de vez, depois de uma jogada espetacular de Bellingham, que deu arrancada fulminante e estufou as redes francesas, com raiva.
6 a 4, Inglaterra, aos 52 minutos.
Fim do jogo que foi um privilégio para quem assistiu.
Até mesmo para os norte-americanos que são viciados em adrenalina em esportes com placares que mudam a todo instante e não conseguem absorver as nuances e complexidade de uma partida de futebol.
Hoje até eles se deixaram levar pela euforia.
Para alegria desenfreada da cúpula da Fifa, que levou a Copa para os Estados Unidos por conta do mercado trilhardário.
A Inglaterra chegou a seu resultado mais marcante, depois de 60 anos.
E a França se despede de Deschamps.
Apostando que Zidane levará essa excelente geração a nova luta por título em 2030.
As duas seleções cumpriram seu papel na Copa de 2026.
Mostraram para o mundo toda a magia do futebol...
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