Deyverson sensacional. Palmeiras tira o Grêmio do caminho
O jogo teve o peso de uma decisão. E o time de Luiz Felipe Scolari se impôs. 2 a 0 no Pacaembu, dois gols de Deyverson. Desempenho invejável
Cosme Rímoli|Do R7 e Cosme Rímoli

São Paulo, Brasil
Teve o peso de uma decisão.
E Deyverson a desequilibrou. Teve o compartamento sensacional em campo. Superou suas limitações técnicas, com muita luta, garra e oportunismo.
O atarantado atacante marcou os dois gols na fundamental vitória do Palmeiras contra o Grêmio, no Pacaembu, por 2 a 0.
Resultado que garantiu a liderança isolada no Brasileiro.
As duas equipes jogaram com equipes mistas. Por conta da semifinal da Libertadores da América.
O time paulista mostrou muita personalidade e vibração contra o atual campeão da Libertadores. Não deu chance à bem montada, organizada equipe de Renato Gaúcho.
Faltando apenas nove rodadas para o campeonato terminar, o time de Luiz Felipe Scolari tem 59 pontos, três a mais do que o segundo colocado, o Internacional. Destes nove jogos, cinco serão em São Paulo.
Com Felipão no comando palmeirense, a equipe venceu dez jogos e empatou três. Ele é o responsável por esta arrancada histórica. De time desacreditado a líder e favorito absoluto ao título.
"Tenho de valorizar o trabalho da equipe, meus familiares que estão aqui no estádio. Ao clube que acreditou em mim. Agradecer a Deus pelo momento em que estou vivendo, as pessoas que eu amo. Tenho que agradecer. Hoje estava com pensamento em dedicar os gols ao Nickollas. Um menino que não pode enxergar, mas que pode sentir", disse Deyverson, dedicando seus gols a um garoto, torcedor do Palmeiras que é cego. Mesmo assim, vai aos jogos com a mãe, que explica cada lance importante do jogo ao filho.
"Agora ficou muito mais difícil são oito pontos de diferença para o Palmeiras. E faltando nove rodadas. Mesmo assim, temos de acreditar. Os nossos vacilos das últimas rodadas custaram muito caro", lamentava Maicon.
Com o elenco pequeno que o Grêmio possui, diante de tanta responsabilidade, não há a menor dúvida.
Renato Gaúcho faz um trabalho outra vez marcante.
Vai além do limite de seus jogadores.
Mas hoje, sem seis titulares, encontrou um adversário forte demais.
Felipão acertou em cheio na montagem de sua equipe. Sabia que teria pela frente um Grêmio competitivo, com Renato Gaúcho interessado em ter a posse de bola. Tentar encurralar o Palmeiras, tirar a paciência do time e da torcida. Forçar a afobação, os erros do time paulista, que tinha a obrigação de vencer no Pacaembu.
O veterano treinador foi inteligente. Tratou de colocar mais titulares do que todos previam. E a equipe teve mais força e experiência para controlar os nervos. E marcar muito forte. O caminho da vitória verde teve o primeiro passo na proteção de sua linha defensiva.
Thiago Santos (Felipe Melo estava suspenso), Bruno Henrique e Moisés foram fundamentais para encaixotar Luan, o dono dos neurônios na intermediária ofensiva gremista. Com o meia anulado e Everton, machucado, o time gaúcho ficou sem objetividade. Mayke e Diogo Barbosa tiveram ótimo comportamento defensivo. Fecharam os lados do campo, que os gremistas tanto gostam.

A equipe do Rio Grande Sul conseguiu ter mais o domínio da bola, mas não criou sequer uma chance real de gol.
O Palmeiras foi uma equipe muito focada. Que teve em Dudu seu grande destaque na armação das jogadas. Ele estava inspirado e mais generoso, jogando mais para o time. Não exagerando em forçar dribles e matar contragolpes, como de vez em quando costuma fazer.
Willian colaborou atazando a saída de bola e mostrando sua velocidade quando o Palmeiras retomava a bola.
Mas foi Deyverson quem decidou o jogo.
O atacante não tem muitos recursos técnicos. E seu grande mérito é saber disso e lutar, entregar até a última célula, para provar sua importância ao time. E foi o que fez, mostrando incrível concentração e disputa do primeiro ao derradeiro minuto de jogo.
Não é só no 'chip que de vez em quando desliga' que lembra o ex-jogador do Corinthians, Dinei. Pelo contário. Seu futebol atabalhoado, capaz de tropeçar na bola e em seguida, marcar um belo gol, chega a ser idêntico.
Foi assim que, logo aos sete minutos, quando os times se distribuiam em campo, que Dudu fez ótimo cruzamento. E Deyverson desviou a bola que tocou em Bressan e foi no ângulo de Paulo Victor. 1 a 0, Palmeiras.
O gol deu confiança e alívio. Mas não mexeu com a estrutura tática, muito bem definida. Principalmente na marcação. Não havia espaço para o Grêmio se infiltrar. Poderia tocar a bola à vontade, mas longe do gol de Fernando Prassi.
Foi assim durante toda a partida.
O Palmeiras era mais objetivo nos contragolpes, deixava a iniciativa ao Grêmio.
Em uma estocada, aos sete minutos do segundo tempo, Bressan fez pênalti claro sobre Dudu. Mas o juiz Fifa, Ricardo Marques Ribeiro, não teve a coragem de marcar. A arbitragem brasileira segue vergonhosa.
Por sorte de Ricardo Marques Ribeiro, o lance não teve influência no resultado do jogo.
Graças a Deyverson.
Aos 37 minutos, ele correu atrás do chutão de Luan. Dividiu com Bressan, que chutou a bola no seu corpo. O zagueiro gremista escorregou. Melhor para o atacante que dominou a bola. E conforme Bressan se jogou, desesperado, para tentar o corte, o palmeirense tocou a bola do pé esquerdo para o direito. E estufou a rede gremista. 2 a 0, Palmeiras.

A partida estava acabada.
O Palmeiras segue líder absoluto do Brasileiro.
E ainda 'matou' um adversário perigosíssimo.
Mérito total de Felipão.
Faltam apenas nove jogos.
E o campeonato acabará.
O grande favorito joga de verde...













