Corinthians aproveita crise no Fluminense. E tenta Henrique, Scarpa e Dourado
Cosme Rímoli|Cosme Rímoli

Pablo por Henrique. E mais Henrique Dourado para a vaga de Jô. Scarpa seria o grande brinde, no meio de campo.
Fábio Carille nem acreditou quando soube ontem que o Fluminense anunciou: por economia, o clube não seguirá com oito jogadores em 2018. A estratégia será rescisões amigáveis, sem custo para o clube e liberdade aos atletas. Economizará cerca de R$ 20 milhões com salários. Durante este ano, o clube carioca já chegou a ficar dois meses com salários atrasados. A diretoria considera que a equipe não foi rebaixada graças ao treinador Abel Braga.
Na lista dos dispensado, que fez os olhos do treinador brilharem, está o nome de Henrique. Era o jogador que mais desejava, na relação que está nas mãos de Roberto de Andrade e Alessandro, desde o final do Campeonato Brasileiro.
Aos 31 anos, o ex-jogador do Palmeiras, da Seleção Brasileira, Bayer Leverkussen, Racing Santander e Napoli, está pronto. Tem todas as características para chegar ao Parque São Jorge e formar uma dupla de respeito, com Balbuena, para a Libertadores.
Carille sabia da crise financeira do Fluminense e indicou Henrique, Gustavo Scarpa e Henrique Dourado. Mas deixou claro que, a prioridade, seria Henrique. Ele desejava alguém experiente, vivido. Capaz de suportar a pressão do próximo ano, com a disputa da Libertadores como prioridade.
A direção corintiana estava descrente. Afinal, o clube carioca investiu muito alto para contratar o zagueiro. Foram 2 milhões de euros, cerca de R$ 8,8 milhões, em 2016. Venceu concorrência de Flamengo, Grêmio e São Paulo. Só que as dívidas nas Laranjeiras acabaram se acumulando. O clube deve R$ 440 milhões, com direito a 168 processos na Justiça Trabalhista. Se fosse uma empresa, estaria falido.

Uma comparação básica. Só em arrecadação, o Corinthians chegou a R$ 63 milhões. O Fluminense mal alcançou R$ 17 milhões nas suas partidas como mandante, em todo o ano.
Com a saída de Pablo, o Corinthians só tem os jovens Pedro Henrique e Léo Santos para atuarem ao lado de Balbuena. Vilson teve uma série de lesões e não agrada a Carille. O treinador havia pedido um zagueiro experiente e com personalidade para a zaga. Ele sempre viu muito potencial em Henrique.
Roberto de Andrade se assustou ao saber que ele recebe R$ 480 mil mensais. E mais 12 mil de auxílio moradia. R$ 492 mil mensais para um zagueiro de 31 anos, sem poder de revenda. Nas primeiras conversas, empresários acreditavam que o Fluminense pediria pelo menos 1 milhão de euros, R$ 3,9 milhões para liberar o jogador. Com seu salário, ficaria inviável.
Só que o presidente Pedro Abad resolveu cortar o mal pela raiz. E vai montar o elenco mais barato possível, com jovens promessas da base.
Não quis perder tempo com Diego Cavalieri, Henrique, Wellington Silva, Artur, Marquinho, Higor Leite, Maranhão e Robert. E eles já foram avisados que não seguirão em 2018. Abad já está pressionado pelo Conselho Deliberativo pelo escândalo envolvendo os ingressos que eram repassados a torcedores. O assessor de imprensa do clube, Artur Mahmoud, chegou a ser preso, como membros de torcidas organizadas.
Roberto de Andrade ontem mesmo entrou em contato com representantes do zagueiro. Quis não só a prioridade. Mas também avisar que o clube não pode pagar R$ 492 mil por mês ao jogador. Se ele se adequar à uma faixa de R$ 300 mil, haverá negócio.
A direção estava decepcionada com a dificuldade para contratar Trellez do Vitória. Desde ontem se entusiasmou com a possibilidade de tentar Henrique Dourado, jogador com as mesmas características de Jô, que foi para o Japão. Ele recebe R$ 350 mil na Laranjeiras. Só que o jogador custou R$ 6,6 milhões e está valorizado por ter sido artilheiro do Brasileiro, justamente ao lado de Jô.

O meia Gustavo Scarpa também recebe R$ 350 mil. Só que é o jogador do Fluminense que mais desperta cobiça no mercado. O Palmeiras segue profundamente interessado. O clube carioca acredita que ainda poderá vendê-lo para a Europa nesta janela. Sonha com uma proposta de 10 milhões de euros, cerca de R$ 39 milhões. Mas aceitaria até 8 milhões de euros, R$ 31,1 milhões.
Se não conseguir vendê-lo, poderia emprestá-lo por um ano.
O Corinthians tem Giovanni Augusto, Lucca, Léo Príncipe, Marciel, Felipe Bastos e Kazim como moedas de troca.
Há muita animação no Corinthians.
A profunda crise financeira do Fluminense abriu três oportunidades.
E Carille está empolgado.
Tem quase certeza que pelo menos um atleta tricolor deverá chegar.
O que mais deseja.
Aquele que não deixará saudades de Pablo.
Henrique...
(A diretoria corintiana confirmou hoje, sábado, o que foi publicado aqui ontem. Só espera a rescisão de contrato de Henrique para anunciá-lo como novo jogador para 2018. E ainda tentará Dourado e Scarpa...)














