Cocaína. Camaro. Caminhonete batida. Farras. Sumiços. Diogo Vitor
O que está por trás da rebeldia sem controle do atacante? A morte dos pais? A falta de limites? Por que o Santos decidiu dar esta última chance?
Cosme Rímoli|Do R7 e Cosme Rímoli

São Paulo, Brasil
Dos 13 aos 21 anos, ele criou todo tipo de problema.
Sumiu quatro vezes.
Uma delas por quatro meses.
Estava em uma caminhonete que se espatifou em uma parede.
Se ausentou do clube dizendo ter de ir ao funeral da avó.
A mentira foi descoberta quando os dirigentes foram dar condolências.
E falaram com a avó que estava viva, saudável.
Já comprou e teve de devolver um Camaro por falta de pagamento.
No litoral paulista é conhecido frequentador de baladas.
Para raiva dos treinadores santistas.
Tudo piorou de vez na partida contra o Botafogo, pelo Paulista.
Foi flagrado e suspenso pelo uso de cocaína.
Primeiro negou e depois assumiu.
Aos 21 anos, Diogo Vitor já deu todos os motivos possíveis para ser dispensado do Santos. Além dos atos que praticou, há o pior exemplo possível, deixado aos companheiros. Passa a certeza de que ele é protegido da diretoria. Que tudo pode e nenhuma punição o atinge.
Seu contrato renovado por três anos, que garante R$ 80 mil mensais, voltou a valer depois que ele assumiu ontem ter consumido cocaína em uma festa, algo que jurava não ter feito.
E com a proteção do ex-jogador e comentarista Walter Casagrande, o atacante terá seu retorno garantido à Vila Belmiro. Desde que se comprometa a buscar tratamento para escapar da cocaína.
O que faz o Santos Futebol Clube tolerar tantos problemas criados por um jogador.
"O potencial do garoto é sensacional. Se ele levar a sério a carreira terá tudo para ser um excelente atacante. Tem força, habilidade, faro de gol. É preciso dar chance, cuidar do Diogo", repete Clodoaldo a importantes conselheiros santistas.
Como um dos maiores volantes da história do futebol brasileiro, Clodoaldo insiste que o principal entrave está na infância sofrida do atacante. Ele perdeu o pai com cinco anos e a mãe com 15. Nascido na minúscula cidade mineira de Coqueiral, foi criado pela avó, a que 'matou'.
De personalidade forte, Clodoaldo avisa aos conselheiros revoltados que nunca houve quem pudesse realmente orientar o garoto.

O presidente José Carlos Peres é uma das pessoas que foi convencida que vale a pena seguir apostando. Mas não foi convencido só por Clodoaldo. Ele ouviu muito os conselhos do empresário Wagner Ribeiro.
O agente o lembrou que o Real Madrid B e clubes portugueses já se interessaram no atletas no passado. É possível recuperá-lo e ainda lucrar muito com o atacante.
O homem que agenciou Kaká, Robinho, Neymar, Gabigol vê potencial importante no jogador. Ele se associou a Willian Barile para cuidar da carreira do garoto.
Ou seja, Peres acreditou em tudo que foi dito por Ribeiro. E decidiu salvar a carreira do atacante. Desde que se submeta à um tratamento contra a dependência da cocaína.
A realidade é que o dirigente tem medo de simplesmente rescindir contrato e perder muito dinheiro com um atacante de grande potencial. Só por isso esta situação se arrasta.
Casagrande teve responsabilidade sobre a difícil postura do atacante. A princípio, ele tentou negar o óbvio. Repetia, por meio de Barille, que não havia usado droga alguma.
Mas o ex-jogador do Corinthians que não esconde que foi dependente por décadas de cocaína, foi firme com Diogo. Disse que se ele assumisse o problema teria o respaldo popular. Todos ficariam ao seu lado, se ele realmente se comprometesse a se afastar das drogas.
"Eu não sou nenhum drogado. Todos apontam o dedo, mas eu errei mesmo. Vou fazer o que? Vou dar a volta por cima. Eu errei e foi só aquela vez. Eu quero mostrar para o Santos e para todos que me apoiaram que eu posso e vou retribuir isso, podem esperar", prometeu, em entrevista ao Lance! E confirmou que cheirou cocaína em uma festa. Por isso foi flagrado no Paulista, na partida entre Santos e Botafogo.
O único erro que o atacante já havia admitido foi o pênalti que perdeu na decisão da semifinal do Paulista, diante do Palmeiras.
"Hoje to vindo aqui me desculpar pelo meu grande erro e tamb venho agradecer o apoio de toda a torcida que nos apoiaram e me apoiou no pior momento da minha carreira, Mais pego esse erro como aprendizado e não vou abaixar a cabeça. Obrigado a todos torcedores santista e a todos que vem me apoiando", escreveu no seu instagram.
Mas negou por meses ter consumido a droga.
Ao assumir a cocaína em entrevista, Diogo Vitor deu o primeiro passo combinado com Casagrande e Peres. O segundo será iniciar o tratamento para evitar qualquer dependência.
Dorival Júnior e Jair Ventura haviam ficado extremamente decepcionados com o garoto.
Cuca, não.
E está disposto a dar crédito ao atacante.
Desde que ele cumpra o que está prometendo.
E passe a treinar sério.
Primeiro sozinho, longe dos companheiros, já que está suspenso.
Mas o treinador sabe que o Santos já deu inúmeras chances.
Diogo não as aproveitou.
Cuca já falou a Peres que é preciso ajudar mas por um limite.
Para não perder o restante do grupo, os outros jogadores.
Ou seja, está tudo nas mãos de Diogo Vitor.
Ele é um dos jogadores que mais foi perdoado da história santista.
Só que chegou ao limite.
Conselheiros que sustentam Peres no cargo já o avisaram.
Ou o garoto toma jeito ou o caminho é a rescisão.
O recado foi dado.
Ele e seus empresários já sabem.

Ou se enquadra e se assume como jogador profissional.
Ou acabará seu espaço no Santos.
Nem mesmo Casagrande e Clodoaldo poderão salvá-lo...













