Entrada duríssima de Casemiro em Endrick repercute na Seleção. Choque de geração é evidente. O veterano volante disse, em maio, atacante ‘não é do grupo’
Ancelotti precisa intervir. Não foi normal o carrinho por trás que Casemiro deu em Endrick. Poderia ter acertado o tornozelo do jovem atacante, que o driblou de forma humilhante. Não é bom sinal

Casemiro é um veterano.
Tem 34 anos.
Sabe muito bem o que faz em campo.
Está na fase final de sua carreira.
Mas foi um dos grandes marcadores do mundo.
Tanto que passou por clubes como Real Madrid e Manchester United.
Quando ele vai dar uma entrada em algum rival, sabe como fazer.
Quando oferece risco ou não.
É isso que mexeu com o ambiente da Seleção nos Estados Unidos.
No treinamento de ontem, ele deu um carrinho por trás em Endrick.
Absolutamente desnecessário, violento, que pegou o jogador por trás. O risco de torção nos tornozelos ou até nos joelhos foi grande.
Casemiro havia acabado de ser driblado de forma humilhante, com toda a imprensa brasileira acompanhando.
Tanto que a jogada foi filmada, fotografada.
E ganhou o mundo.
Não foi só impressão dos torcedores nas redes sociais.
Embora Endrick tenha escapado, por sorte, ileso, o carrinho trouxe um clima tenso à delegação brasileira.
É evidente o choque de geração.
Do veterano Casemiro com o calouro Endrick.
O volante foi perguntado sobre o atacante em maio.
Sobre o potencial e quanto ele poderia ajudar a Seleção a ganhar o hexa.
A resposta foi inesperada.
“Se ele for para a Copa do Mundo, e temos de ser realistas que ele ainda não é do grupo, a gente não pode botar uma pressão de que vai resolver, que vai entrar nos jogos para resolver.”
Se Casemiro pensou ou não na repercussão, a verdade é que sua fala repercutiu.
Passou para Endrick e para quem a ouviu dúvida sobre a convocação do jovem atacante.
Evidente que o jogador e seu estafe não gostaram.
Endrick foi convocado, por mérito.
E Casemiro teve de se explicar em uma das primeiras situações constrangedoras desta Seleção.
O volante falou que não esperava tamanha repercussão.
“Fiquei bastante chateado. No momento em que fui tentar proteger o jogador, tentar não colocar o peso nele em uma Copa do Mundo...
“Endrick é um jogador que vai jogar umas três, quatro Copas. Ele é um grande jogador. A questão foi só de protagonismo. Existem outros jogadores que estão à frente e têm que assumir o protagonismo. E outros jogadores como Rayan, Endrick, resolvam sem essa pressão. Os cortes acontecem. Nas redes sociais acontecem essas coisas.”
Sim, ele quis colocar a culpa no ‘corte’ da entrevista dada à TNT.
Mas não convenceu nenhum jornalista na coletiva do Brasil.
A expectativa era que Endrick publicasse algo nas suas redes sociais, isentando Casemiro.
Mas nenhuma palavra.
E ontem veio a entrada duríssima, desnecessária, violenta.
Casemiro sabe muito bem o que fez.
Endrick tem plena consciência da força do volante no grupo da Seleção. Foi capitão de Tite.
Mas os vídeos e as fotos da dividida por trás inflamaram jornalistas.
Casemiro não pediu desculpas.
Nem Endrick se manifestou de novo.
A impressão dos jornalistas que estão nos Estados Unidos é que não há uma grande aproximação entre os dois.
Esse tipo de situação já aconteceu algumas vezes na Seleção.
O choque de geração.
Ronaldo Fenômeno na Copa de 94, além de tomar entradas duras, era atormentado por tapas na cabeça dos veteranos.
Mas, a partir de Neymar, os garotos que surgem na Seleção estão cada vez mais poderosos, com mais personalidade.
Sabem que valem muito mais do que os veteranos.
Isso pesa.
O valor de mercado de Casemiro hoje é de 6 milhões de euros, cerca de R$ 30 milhões.
Ele inclusive está sem clube.
Começa a negociar com o Inter Miami, do fraquíssimo mercado norte-americano.
Endrick vale 40 milhões de euros, cerca de R$ 200 milhões. Os valores são do site Transfermarkt, especializado em transações de jogadores.
Ele está voltando muito valorizado para o Real Madrid, depois do empréstimo ao Lyon.
O italiano, técnico do Brasil, sabe muito bem como dominar um grupo.
Ainda mais por ter sido treinador dos dois no Real Madrid.
O que aconteceu entre Casemiro e Endrick é descabido.
E expõe os dois jogadores para o restante da Copa do Mundo.
Treinamento ‘forte’ não é sinônimo de treino violento.
Tudo partiu de Casemiro.
A hora é de Ancelotti cortar o mal pela raiz.
E fazer o veterano volante se acertar com o jovem atacante.
Não permitir que o grupo ‘rache’.
Com os defensores de Casemiro contra os defensores de Endrick.
Copa do Mundo não é lugar para picuinhas narcisistas...












