Logo R7.com
RecordPlus
Cosme Rímoli - Blogs

6 a 2 no Panamá. Festa de despedida perfeita, antes da Copa. Para dar confiança à Seleção sem Neymar. E mostrar a Ancelotti que o time precisa marcar

Quando Ancelotti ajustou o time, veio a goleada, para encher a torcida que foi ao Maracanã de esperança. Sem levar em consideração a fragilidade do Panamá

Cosme Rímoli|Cosme RímoliOpens in new window

  • Google News
Vinicius Júnior marcou aos 59 segundos do amistoso. E ganhou o apoio da torcida contra a ex-namorada Virginia. Surreal Rafael Ribeiro/CBF

O Brasil fez a festa que a CBF queria.


Diante da falta de confiança da população, o adversário escolhido para que a Seleção fizesse seu último adversário no país, foi o fraquíssimo Panamá.

Ainda mais sem Neymar, que viajará para os Estados Unidos contundido.


Depois de um primeiro tempo irregular, Ancelotti ajustou a equipe equilibrando o meio-campo. Sentiu na prática, mais uma vez, que quatro atacantes é algo inútil, se a Seleção perde as intermediárias.

4-4-2, só na década de 70.


Com uma postura mais racional, veio a goleada por 6 a 2, dando a medida exata da diferença técnica entre os dois times.

A torcida que foi aquecida por Ivete Sangalo, saiu do Maracanã, esperançosa.


E com a velha obsessão.

Gritando a plenos pulmões um velho coro, que tem mais de 14 anos.

Voltado ao jogador de 34 anos, que prometeu um Mundial em 2014, 2018, 2022...

“Neymar, Neymar, Neymar, Neymar....”

52% de posse de bola.

Cinco arremates ao gol contra quatro.

A estatística do primeiro tempo é fria, direta.

Mostra que o Panamá teve o domínio da partida no primeiro tempo.

Sim, o que deveria ser apenas uma festa, por conta da fragilidade do adversário, escolhido a dedo pela CBF, se mostrou dramático no primeiro tempo.

Apesar do gol de Vinicius Júnior, aos 59 segundos.

Casemiro, em um dos poucos momentos que o Brasil marcou sob pressão a saída de bola panamenha, desarmou e tocou para Vinicius Júnior, que deu um drible de corpo espetacular e bateu com convicção, de perna direita, indefensável para o goleiro Mosquera.

Brasil 1 a 0.

A reação da torcida no Maracanã misturou felicidade e deboche.

Depois da vibração, veio o forte coro.

“Ei, Virginia... Vá tomar no ....”

Virginia é uma influenciadora que namorava com o atacante do Real Madrid. O coro foi de apoio ao jogador, depois do término da namorada.

Mas o que interessa na verdade foi o falso brilhante. Não, Vinicius Júnior não deu nenhuma bijuteria a Virginia, mas foi a Seleção Brasileira de Ancelotti que parecia ser algo impressionante nos primeiros minutos, mas depois, mesmo contra o fraquíssimo Panamá, mostrou lentidão, insegurança e muito espaço no meio-campo.

I

Igor Thiago mostrou seu potencial. Pode 'roubar' uma vaga no time titular, na Copa do Mundo Divulgação/CBF

O Brasil conseguiu esfriar a torcida. Por quê? Por que Ancelotti colocou em campo sua ideia de apenas dois jogadores de marcação nas intermediárias. Casemiro e Bruno Guimarães. E deixou Luiz Henrique, Matheus Cunha, Rafinha e Vinicius Júnior no ataque.

Ou seja, 4-2-4, como jogavam os times da década de 70.

Aos poucos, o Panamá de Thomas Christiansen foi se aproveitando do maior número de jogadores no meio-campo, quatro atletas.

E também da fragilidade na marcação de Alex Sandro, pelo lado esquerdo.

O Panamá foi ganhando coragem.

E teve sorte.

Em uma cobrança de falta de Murillo da entrada da área, a bola desviou em Matheus Cunha e enganou completamente Alisson, que não mostrou estar com o reflexo apurado.

1 a 1.

Outro defeito a ser corrigido era a lentidão de saída de bola do Brasil, o que facilitava a marcação. E irritava a torcida.

O jogo estava ficando complicado. Matheus Cunha estava perdido em campo, mais recuado, para tentar atuar como meia.

Alisson e Léo Pereira, inseguro, começaram até a serem vaiados.

Quando o clima começava a pesar, o Brasil retomou a bola e ela chegou a Vinicius Júnior, o jogador bateu forte cruzado, Casemiro enfiou, com coragem a cabeça na bola.

Posição legal, por milímetros, 2 a 1, Brasil, aos 38 minutos.

O gol trouxe alívio, confiança ao time, à torcida.

No intervalo, Ancelotti percebeu o erro que estava cometendo.

O italiano tratou de preencher as lacunas no meio-campo.

E fez trocas significativas.

As principais delas foram as entrada de Paquetá no lugar de Matheus Cunha e Danilo na vaga de Luiz Henrique.

O Brasil passou a ter três jogadores de marcação nas intermediárias, já que Fabinho entrou no lugar de Casemiro.

Fabinho, Paquetá e Danilo.

Muito melhor distribuído em campo e com a juventude de Endrick e Igor Thiago nos lugares de Vinicius Júnior e Rafinha, o Brasil se assumiu no 3-3-4.

E com as linhas adiantadas, com fôlego o tempo todo para roubar as bolas do frágil sistema defensivo panamenho.

Os gols vieram em profusão.

Aos sete minutos, Igor Thiago conseguiu desviar a bola no chute de Mosquera. Ela caiu nos pés de Rayan, que entrou no lugar de Alex Sandro. O toque foi perfeito para o gol vazio.

3 a 1, Brasil, aos sete minutos.

Os panamenhos sentiram o golpe. E o cansaço.

Os brasileiros se aproveitaram.

Paquetá ajudou a dar estabilidade ao meio-campo Lucas Figueiredo/CBF

Danilo tocou para Douglas Santos, a bola chegou para Paquetá, que bateu forte. Ela desviou na zaga e enganou Mosquera.

4 a 1, aos 14 minutos.

Clima de euforia no Maracanã.

Ainda haveria espaço para Igor Thiago mostrar porque foi convocado.

Ele invadiu a área, deu um drible no meio das pernas de Escobar e sofre pênalti de Mosquera.

A cobrança foi perfeita de Igor Thiago.

5 a 1, aos 17 minutos.

Ainda havia espaço para mais um gol.

Aos 35 minutos, Paquetá deu passe perfeito, de pé direito, para Danilo. O jogador do Botafogo gira o corpo e fuzila.

6 a 1.

Com a larga vantagem, o time deu espaço e o Panamá descontou, com um chute fortíssimo de Harvey, aos 38 minutos. 6 a 2.

A festa de despedida foi perfeita.

O Panamá cumpriu seu papel.

Foi o sparring perfeito.

Passou confiança.

E mostrou a Ancelotti que só dois jogadores de marcação no meio-campo e quatro atacantes, só na década de 70...

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.