6 a 2 no Panamá. Festa de despedida perfeita, antes da Copa. Para dar confiança à Seleção sem Neymar. E mostrar a Ancelotti que o time precisa marcar
Quando Ancelotti ajustou o time, veio a goleada, para encher a torcida que foi ao Maracanã de esperança. Sem levar em consideração a fragilidade do Panamá
O Brasil fez a festa que a CBF queria.
Diante da falta de confiança da população, o adversário escolhido para que a Seleção fizesse seu último adversário no país, foi o fraquíssimo Panamá.
Ainda mais sem Neymar, que viajará para os Estados Unidos contundido.
Depois de um primeiro tempo irregular, Ancelotti ajustou a equipe equilibrando o meio-campo. Sentiu na prática, mais uma vez, que quatro atacantes é algo inútil, se a Seleção perde as intermediárias.
4-4-2, só na década de 70.
Com uma postura mais racional, veio a goleada por 6 a 2, dando a medida exata da diferença técnica entre os dois times.
A torcida que foi aquecida por Ivete Sangalo, saiu do Maracanã, esperançosa.
E com a velha obsessão.
Gritando a plenos pulmões um velho coro, que tem mais de 14 anos.
Voltado ao jogador de 34 anos, que prometeu um Mundial em 2014, 2018, 2022...
“Neymar, Neymar, Neymar, Neymar....”
52% de posse de bola.
Cinco arremates ao gol contra quatro.
A estatística do primeiro tempo é fria, direta.
Mostra que o Panamá teve o domínio da partida no primeiro tempo.
Sim, o que deveria ser apenas uma festa, por conta da fragilidade do adversário, escolhido a dedo pela CBF, se mostrou dramático no primeiro tempo.
Apesar do gol de Vinicius Júnior, aos 59 segundos.
Casemiro, em um dos poucos momentos que o Brasil marcou sob pressão a saída de bola panamenha, desarmou e tocou para Vinicius Júnior, que deu um drible de corpo espetacular e bateu com convicção, de perna direita, indefensável para o goleiro Mosquera.
Brasil 1 a 0.
A reação da torcida no Maracanã misturou felicidade e deboche.
Depois da vibração, veio o forte coro.
“Ei, Virginia... Vá tomar no ....”
Virginia é uma influenciadora que namorava com o atacante do Real Madrid. O coro foi de apoio ao jogador, depois do término da namorada.
Mas o que interessa na verdade foi o falso brilhante. Não, Vinicius Júnior não deu nenhuma bijuteria a Virginia, mas foi a Seleção Brasileira de Ancelotti que parecia ser algo impressionante nos primeiros minutos, mas depois, mesmo contra o fraquíssimo Panamá, mostrou lentidão, insegurança e muito espaço no meio-campo.
I

O Brasil conseguiu esfriar a torcida. Por quê? Por que Ancelotti colocou em campo sua ideia de apenas dois jogadores de marcação nas intermediárias. Casemiro e Bruno Guimarães. E deixou Luiz Henrique, Matheus Cunha, Rafinha e Vinicius Júnior no ataque.
Ou seja, 4-2-4, como jogavam os times da década de 70.
Aos poucos, o Panamá de Thomas Christiansen foi se aproveitando do maior número de jogadores no meio-campo, quatro atletas.
E também da fragilidade na marcação de Alex Sandro, pelo lado esquerdo.
O Panamá foi ganhando coragem.
E teve sorte.
Em uma cobrança de falta de Murillo da entrada da área, a bola desviou em Matheus Cunha e enganou completamente Alisson, que não mostrou estar com o reflexo apurado.
1 a 1.
Outro defeito a ser corrigido era a lentidão de saída de bola do Brasil, o que facilitava a marcação. E irritava a torcida.
O jogo estava ficando complicado. Matheus Cunha estava perdido em campo, mais recuado, para tentar atuar como meia.
Alisson e Léo Pereira, inseguro, começaram até a serem vaiados.
Quando o clima começava a pesar, o Brasil retomou a bola e ela chegou a Vinicius Júnior, o jogador bateu forte cruzado, Casemiro enfiou, com coragem a cabeça na bola.
Posição legal, por milímetros, 2 a 1, Brasil, aos 38 minutos.
O gol trouxe alívio, confiança ao time, à torcida.
No intervalo, Ancelotti percebeu o erro que estava cometendo.
O italiano tratou de preencher as lacunas no meio-campo.
E fez trocas significativas.
As principais delas foram as entrada de Paquetá no lugar de Matheus Cunha e Danilo na vaga de Luiz Henrique.
O Brasil passou a ter três jogadores de marcação nas intermediárias, já que Fabinho entrou no lugar de Casemiro.
Fabinho, Paquetá e Danilo.
Muito melhor distribuído em campo e com a juventude de Endrick e Igor Thiago nos lugares de Vinicius Júnior e Rafinha, o Brasil se assumiu no 3-3-4.
E com as linhas adiantadas, com fôlego o tempo todo para roubar as bolas do frágil sistema defensivo panamenho.
Os gols vieram em profusão.
Aos sete minutos, Igor Thiago conseguiu desviar a bola no chute de Mosquera. Ela caiu nos pés de Rayan, que entrou no lugar de Alex Sandro. O toque foi perfeito para o gol vazio.
3 a 1, Brasil, aos sete minutos.
Os panamenhos sentiram o golpe. E o cansaço.
Os brasileiros se aproveitaram.
Danilo tocou para Douglas Santos, a bola chegou para Paquetá, que bateu forte. Ela desviou na zaga e enganou Mosquera.
4 a 1, aos 14 minutos.
Clima de euforia no Maracanã.
Ainda haveria espaço para Igor Thiago mostrar porque foi convocado.
Ele invadiu a área, deu um drible no meio das pernas de Escobar e sofre pênalti de Mosquera.
A cobrança foi perfeita de Igor Thiago.
5 a 1, aos 17 minutos.
Ainda havia espaço para mais um gol.
Aos 35 minutos, Paquetá deu passe perfeito, de pé direito, para Danilo. O jogador do Botafogo gira o corpo e fuzila.
6 a 1.
Com a larga vantagem, o time deu espaço e o Panamá descontou, com um chute fortíssimo de Harvey, aos 38 minutos. 6 a 2.
A festa de despedida foi perfeita.
O Panamá cumpriu seu papel.
Foi o sparring perfeito.
Passou confiança.
E mostrou a Ancelotti que só dois jogadores de marcação no meio-campo e quatro atacantes, só na década de 70...













