“Penso em mudar.” O recuo de Ancelotti. O Panamá mostrou que não pode colocar o Brasil aberto na Copa. Danilo Santos ganha espaço
A ideia de colocar quatro jogadores no ataque e só dois no meio-campo se mostrou utópica, perigosa demais. O técnico não vai manter sua proposta de 4-4-2. O versátil Danilo Santos e o ótimo marcador, Fabinho, ganharam pontos na goleada de ontem

“Passa pela minha cabeça a possibilidade de mudar a equipe, a estratégia, o jogo da segunda parte coloca mais dúvidas.
“Isso para mim é bom, é importante ter dúvida positiva. O jogo da segunda parte me dá mais dúvidas, isso é muito bom.”
De forma direta, sem segredo, mistério, Carlo Ancelotti teve de admitir o óbvio.
O Brasil no segundo tempo contra o Panamá foi muito melhor do que no primeiro tempo.
Não foi pelo talento dos reservas, maior do que os que começaram a partida, os ‘titulares’.
Não.
A situação foi levantada na crítica do jogo, feita pelo blog.
O 4-2-4 se mostrou utópico, frágil sem a bola.
De nada adianta ter o talento individual de Luiz Henrique, Matheus Cunha, Raphinha e Vinicius Júnior. E o Brasil sofrer com qualquer contragolpe, tendo apenas Casemiro, que já não tem a mesma vitalidade, aos 34 anos, e Bruno Guimarães.

A necessidade, a intensidade que faltou na recomposição, clamam por mais um jogador com pontencial de saída de bola, mas muito forte na marcação.
O que deixará o Brasil com muito maior intensidade.
A chance cresce para dois jogadores.
O primeiro vive uma fase excepcional, a melhor na carreira.
Danilo Santos.
Ele se mostra muito mais vibrante, confiante. Rápido e duro nas divididas e com enorme potencial para surgir como elemento surpresa na área adversária.
Está atuando tão bem que não se justifica pensar em colocá-lo no banco.
O Brasil ficará muito mais equilibrado como time se, por exemplo, Luiz Henrique for para a reserva.
E a Seleção mantiver Casemiro e Bruno Guimarães, com o auxílio precioso de Danilo Santos.
O ataque seguiria poderosíssimo.
Com Raphinha, Matheus Cunha e Vinicius Júnior.
Fabinho, aos 32 anos, corre por fora.
O volante tem como vantagem a experiência e o senso de colocação. Mas não tem a explosão de Danilo Santos.
Há um detalhe muito significativo.
Dos 24 gols que o Brasil marcou sob a batuta de Ancelotti, nada menos do que seis gols foram roubada de bola, pegando a defesa adversária desmontada.
Para isso acontecer, a Seleção marcar por pressão a saída adversária, precisa ter mais atletas versáteis e no melhor estado atlético.
A Copa do Mundo será muito física. Pela modernidade estratégica como pelo verão inclemente dos Estados Unidos.
Ancelotti deu mais pistas sobre a importância de ter um meio-campo mais compacto.
“A atuação da segunda parte foi importante para o time, para os jogadores que entraram, que mostraram qualidade, mostraram que podem competir com todos da lista.
“Mas temos que ter em conta que o rival baixou o ritmo, teve menos intensidade e ofereceu mais oportunidade de mostrar qualidade. O primeiro tempo teve coisas boas e coisas a melhorar.”
No ataque, Luiz Henrique teve uma atuação decepcionante.
Dos que entraram na segunda etapa, Rayan e, principalmente, Igor Thiago, foram muito bem. Não se intimidaram com a camisa da Seleção, pelo contrário.
Endrick lutou muito, correu, mas se mostrou afobado, tenso.
Alisson, apesar de vaiado, tem toda a confiança de Ancelotti.
O Brasil embarca hoje para os Estados Unidos. A CBF incentiva que torcedores vão até o aeroporto do Galeão, passar uma despedida calorosa aos atletas.
No sábado, a Seleção fará o último amistoso antes da Copa, contra o Egito, em Cleveland.
Lá jogarão os titulares da zaga, Marquinhos e Gabriel Magalhães, que não atuaram ontem por terem decidido a Champions League, no sábado.
No confronto daqui cinco dias, Ancelotti deu a certeza que mudará o esquema tático.
Sem os utópicos quatro atacantes.
E o meio-campo ganhará mais um jogador.
Se houver justiça, ele precisa ser Danilo Santos...












