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O drama de Gabriel Magalhães. Pênalti perdido pelo zagueiro titular da seleção custou a sonhada Champions para o Arsenal. PSG bicampeão

O zagueiro brasileiro se propôs a bater o último pênalti da eletrizante decisão em Budapeste. Arsenal e PSG empataram em 1 a 1, no tempo normal e na prorrogação. Vieram os penalidades. Gabriel Magalhães havia sido o melhor em campo. Tinha de marcar para empatar em 4 a 4. Ele bateu forte, mas pelo alto, por cima. PSG bicampeão da Champions. O técnico Luis Enrique chegou à terceira conquista. E lágrimas para os desiludidos torcedores do Arsenal

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Gabriel Magalhães, zagueiro titular de Ancelotti, foi o personagem principal na derrota histórica do Arsenal REUTERS/Phil Noble TPX

O destino foi muito cruel.


Gabriel Magalhães havia feito uma Premier League impecável.

Formou dupla de zaga excelente com o francês Saliba.


O desempenho dos dois estava por trás da conquista do Campeonato Inglês pelo Arsenal, depois de 22 anos.

Há exatos 11 dias.


Thierry Henry, maior ídolo da história do clube britânico, decretou ontem.

“Se esse time ganhar do PSG, e conquistar a inédita Champions, ele fará história. Os jogadores serão conhecidos como ‘Os Inesquecíveis’”, disse o francês.


O Arsenal havia chegado à decisão do principal torneio europeu apenas uma vez, em 2006, há vinte anos. E perdeu, de virada, por 2 a 1, para o Barcelona.

A expectativa da torcida do clube inglês era gigantesca. A ponto de já haver preparado uma enorme festa de recepção para os jogadores, amanhã, em Islington, bairro ao norte de Londres.

Os torcedores que não puderam ir para Budapeste, local da decisão da Champions League, de hoje, foram convocados para a festa. Milhares deles estavam acompanhando a decisão, por televisões em pubs, em Londres.

E a desilusão foi histórica.

Infelizmente para o paulistano Gabriel Magalhães, ele se tornou personagem inesquecível na frustração inglesa.

O zagueiro teve atuação impecável durante 120 minutos.

O Arsenal de Arteta, ex-auxiliar de Pep Guardiola, optou pelo estilo de jogo que o levou à decisão da Champions.

Com muita força física, marcação alta, tentando sufocar o toque de bola refinado, mortal do PSG, de Luis Enrique.

O duelo foi sensacional.

Colocando na decisão os times mais efetivos e que chegavam confiantes à Hungria.

A final ganhou dramaticidade aos cinco minutos do primeiro tempo, envolvendo um brasileiro fundamental para Ancelotti: Marquinhos.

O capitão do PSG foi estabanado. Ele foi chutar a bola para a frente e acertou o corpo de Trossard. Ela sobrou ao alemão Havertz, que disparou sozinho e bateu forte, sem chance de defesa para Safonov. 1 a 0, Arsenal.

A partir daí, a partida ficou elétrica.

O PSG chegou a ter 78% de posse de bola, mas improdutivo, diante da fortíssima proposta destrutiva inglesa, que exigia ao máximo o físico dos atletas.

E Gabriel Magalhães era o melhor em campo, travando pelo alto e por baixo as articulações do time francês.

No segundo tempo, a pressão continuou.

E o Arsenal mostrava um ponto fraco. O lado direito de sua defesa, que Luis Enrique explorou com Kvaratskhelia. Mosquera já tinha tomado o cartão amarelo e deveria ser expulso, quando derrubou o atacante do PSG dentro da área.

Pênalti que Dembélé não desperdiçou. 1 a 1, aos dez minutos.

A partir daí o Arsenal recuou mais ainda. Foi pressionado. Kvaratskhelia acertou a trave aos 31 minutos.

Os jogadores dos dois times acabaram cansando, diante do ritmo intenso da partida.

Veio a prorrogação.

Tanto Arteta quanto Luis Enrique resolveram não arriscar.

Vieram os pênaltis.

O PSG abriu 4 a 3.

E veio a cobrança de Gabriel Magalhães.

O melhor em campo se mostrou nervoso.

Cobrou muito forte e alto, por cima do travessão.

PSG bicampeão da Champions League.

PSG bicampeão da Champions. Por coincidência, desde que Neymar deixou o clube, por ordem de Luis Enrique, vieram os dois títulos Divulgação/UEFA

O Arsenal perdia a chance de vencer pela primeira vez a Champions na história.

O telão do estádio Puskas se fixou no brasileiro.

Primeiro ele escondeu o rosto na camiseta.

Depois ficou olhando ‘para o nada’, desolado.

Marquinhos, seu companheiro de zaga na Seleção, e capitão do PSG, deu um longo abraço, tentando consolá-lo.

Mas a dor estava estampada no seu rosto.

Sabia que personificava a frustração do Arsenal.

Muitos torcedores ingleses choraram nas arquibancadas.

A cena era pungente.

Aos 28 anos, Gabriel Magalhães vivia os piores momentos de sua dura caminhada no futebol.

O jogador era de uma família pobre, de Pirituba, começou em uma escolinha de Osasco. Era atacante, mas o porte físico privilegiado o transformou em zagueiro. Canhoto, forte, rápido, manteve o faro de artilheiro por onde passou.

A imagem mais tocante do jogo. Marquinhos consola Gabriel Magalhães. A dupla de zaga titular do Brasil na Copa dos Estados Unidos Michael Reagan/UEFA

Aos 14 anos fez teste e foi aprovado no Avaí. Depois de uma semana, sozinho, em Santa Catarina, fugiu do clube e voltou para casa, não suportando a saudade. O pai o levou outra vez ao Avaí e ele entendeu que a família dependia do seu sucesso no futebol para sair da pobreza.

Com talento, ganhou espaço no Avaí. Convocado para a Seleção Brasileira de base, acabou alvo de duelo entre Palmeiras e Flamengo, que o queriam.

Foi comprado pelo Lille. Não teve paciência para ficar na reserva. Acabou emprestado ao Troyes e para o Dínamo Zagreb. Finalmente titular no clube francês, despertou interesse do Arsenal, que o comprou em 2020.

Tite o convocou em 2021, para as partidas contra Colômbia e Argentina.

Ganhou espaço de vez, com Carlo Ancelotti, que o considera zagueiro ideal para atuar em dupla com Marquinhos.

Será titular da Copa do Mundo com a camisa do Brasil.

Pode até ser hexacampeão.

Mas jamais esquecerá essa noite, em Budapeste.

Nem a sofrida torcida do Arsenal...

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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