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Ao mundo, o vexame não foi do Santos. Foi do egocêntrico Sampaoli

A queda logo diante do primeiro adversário na Sul-Americana, o genérico River Plate uruguaio, atinge o instável ex-treinador da Argentina

Cosme Rímoli|Do R7 e Cosme Rímoli

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O vexame de ontem será uma mancha eterna no currículo de Sampaoli
O vexame de ontem será uma mancha eterna no currículo de Sampaoli

São Paulo, Brasil

¡A Sampaoli lo eliminó River!


"River eliminou Sampaoli."

A manchete do jornal Olé, em relação ao vexame do Santos, ontem à noite no Pacaembu, não teve como alvo o clube bicampeão mundial.


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Mas o treinador que estava há oito meses comandando a Seleção Argentina na Copa da Rússia.

Não há análise profunda sobre a queda. 


Não estão citadas as promessas não cumpridas da direção santista da formação de um grande elenco.

Nem que a estupidez, da não confirmação de um jogador suspenso, direto com a incompetente e corrupta Conmebol, acabou por provocar a selvageria de vândalos na torcida na Libertadores passada. Motivo que fez o Santos não teve direito a sequer um torcedor ontem no Pacaembu.


Pouco importou ao Olé que mesmo com uma equipe limitada, o time brasileiro teve 73% de posse de bola, deu 15 chutes a gol, contra cinco do fraco time uruguaio, 'genérico' homônimo do clube argentino.

Nada disso importa.

O que conta é que Jorge Luis Sampaoli Moya passou pela vergonha de ter seu time eliminado. Logo na primeira fase da Copa Sul-Americana. 

É pesado demais para quem se considera um dos grandes treinadores do mundo.

"Não considero um vexame, considero um acidente.

Lá no Sul (Uruguai) tivemos um gol roubado, fomos furtados.

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Competição importante é a Copa do Brasil, que premia, dá bastante visibilidade.

A Libertadores, que dá bastante visibilidade.

Não é o caso da Sul-Americana.

Não tem crise nenhuma."

Essas foram as desculpas rasas do assustado presidente José Carlos Peres.

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Cercado de assessores especialistas em minimizar os fracassos, afinal, desde que o dirigente assumiu, no início de 2018, o clube não conquistou nada, Peres estava mais preocupado em mandar um recado para o seu técnico. 

Na verdade, a diretoria santista teme que Sampaoli vire as costas ao clube de um momento para o outro.

Desde que chegou, a frustração do técnico é nítida.

Ele foi convencido pelos 2 milhões de dólares por temporada. São R$ 7,5 milhões por ano. Ele assinou por dois anos, se ficar até o final de contrato, receberá R$ 15 milhões por 24 meses de trabalho. São R$ 625 mil mensais, a grosso modo.

Porque há premiações especiais, bônus.

Mas Sampaoli tem apenas 58 anos, idade que ainda garante pelo menos 12 anos de trabalho em clubes e até em seleções importantes. Ele não pode ficar perdendo tempo com times fracos, limitados, como é o atual Santos.

Não encontrou um elenco que chegue aos pés do bicampeão mundial, o time de Pelé.

Por isso, de nada adianta mostrar a intensidade do seu trabalho. 

A coragem de colocar as linhas adiantadas, a marcação forte na saída do adversário, a compactação nas intermediárias, a troca de bola veloz no ataque para desmanchar as defesas adversárias. 

Propor o jogo, não viver apenas de contragolpes, como a maioria dos times deste país.

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Na obsessão pela vitória já chegou a fazer seu time jogar no 3-2-5.

Só que com atletas de fraco potencial técnico de nada adianta ter a melhor estratégia.

Mais do que as palavras, o amargo da entonação das suas declarações era dolorido. 

O ex-treinador da Seleção Argentina estava ferido.

Sabia o quanto faria mal para a sua reputação a precoce queda.

"A eliminação incomoda.

Tínhamos a expectativa de passar.

Defendemos uma ideia de jogar e propor o jogo, e hoje nos eliminou uma equipe que não propôs.

Temos que saber que temos um estilo, e esse estilo não vai mudar por conta de uma eliminação", dizia, defendendo o que mais acredita, a forma ofensiva que monta seus times.

Só que Jorge Sampaoli não veio ao Brasil para perder prestígio.

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Longe disso.

Queria abrir o mercado mais rico da América do Sul.

Lamber as feridas da Copa do Mundo.

Se recompor.

E voltar para o ápice de todo técnico, a Europa.

Ou, romper o maior dos preconceitos no futebol deste país.

Assumir a Seleção Brasileira.

Afinal de contas, quantos treinador nacionais são do mesmo nível que Sampaoli?

E têm o seu currículo?

Felipão está muito acima e não volta a pisar na CBF.

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Renato Gaúcho, Mano Menezes, Cuca, Abel Braga.

Se Tite sair, Sampaoli não está abaixo dos candidatos.

Mas tem contra si ter nascido em Casilda, Argentina.

O treinador que o Santos importou além de competente, tem outras características.

Tem a personalidade inquieta.

É instável.

Sampaoli grita, orienta, cobra. Mas não evita o fracasso na primeira decisão
Sampaoli grita, orienta, cobra. Mas não evita o fracasso na primeira decisão

E seu ego tem um grande peso nas suas decisões.

O fracasso de ontem foi pesado demais.

Ao Santos, em 2019, sobram o Paulista, a Copa do Brasil e o Brasileiro.

São competições desvalorizadas mundialmente, com o exôdo dos atletas nacionais, com o mínimo talento, para a Europa.

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Mesmo sabendo que a Copa Sul-Americana tem a mesma importância da Liga Europa em relação à Champions, a conquista internacional seria importante para Sampaoli.

A queda logo diante do primeiro adversário, o limitado River Plate genérico é algo lamentável.

Para o técnico que estava comandando Messi há oito meses na Copa do Mundo.

No Brasil, sem dúvida alguma, quem caiu ontem foi o Santos.

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Mas para fora das fronteiras, foi Sampaoli.

E ele é um péssimo perdedor.

A frustração pelo que sonhava e pelo que realmente encontrou na Vila Belmiro é algo transparente.

Peres tem toda razão de estar preocupado.

O dinheiro é alto.

Mas não tão forte para sabotar a carreira do ex-comandante da Seleção Argentina.

O primeiro fracasso real já balança Sampaoli.

O vexame não sairá jamais do currículo.

Queda diante do primeiro adversário da Sul-Americana.

Quem perdeu ontem, para o mundo, não foi o Santos.

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Mas o ex-técnico de Messi na Copa da Rússia.

Surge o questionamento óbvio.

Valeu a pena apostar no 'time de Pelé'?

Ou o Santos se reforça de verdade.

E traz atletas inquestionáveis.

Dá material para o argentino poder sonhar.

Ou perderá seu treinador mais cedo que imagina...

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