Patrocinador da Fifa ignora protestos e prega ‘ícone da felicidade’ na Copa de 2014
Marca de refrigerante planeja campanha focada em sentimento distinto aos brasileiros

Uma das seis principais parceiras da Fifa, a empresa americana de bebidas Coca-Cola parece ignorar completamente as manifestações e o clima de instabilidade no Brasil, palco da próxima Copa do Mundo, em 2014. A marca anunciou nesta semana que o seu foco é ser o “ícone da felicidade” durante o Mundial em solo brasileiro.
A campanha de marketing da empresa parte da premissa de “se tornar um ícone de felicidade através de histórias” por mais de um período de 300 dias, a um ano da Copa de 2014. A meta é obter engajamento digital de consumidores através das redes sociais em todo o planeta. A estratégia foi revelada pelo vice-presidente de publicidade global da marca, Jonathan Mindenhall, durante o Festival de Criatividade de Cannes, na França, voltado ao mercado publicitário.
Em uma das mais recentes manifestações em São Paulo, um painel da Coca-Cola localizado na avenida Paulista foi alvo de vandalismo. A filial brasileira da empresa considerou a situação um “fato isolado” e declarou, em comunicado oficial, apoio aos protestos na ocasião.
— Como patrocinadora da Copa das Confederações e da Copa do Mundo, a Coca-Cola acredita que esses eventos vão colaborar para o desenvolvimento econômico e social do país, além de deixar uma contribuição permanente para o esporte brasileiro. Manifestações públicas e pacíficas, como as que vêm ocorrendo em vários lugares do Brasil, fazem parte do processo democrático, que tem como característica a livre expressão de todos os pontos de vista.
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No exterior, a situação instável no Brasil não parece preocupar a companhia, considerada um dos maiores ícones do capitalismo no mundo. O chefe digital da marca, Neil Bedwell, destacou, em entrevista ao site The Drum, que “não é preciso explicar o que é e onde comprar Coca-Cola”, mas sim “falar diretamente com as pessoas”, no caso, os seus consumidores.
A estratégia da empresa – ao lado dela, a Fifa conta com Adidas, Emirates, Sony, Visa e Hyundai/Kia como suas parceiras oficiais – de refrigerantes também passa por levar a taça da Copa do Mundo por uma turnê por 95 lugares em 86 países diferentes. O conteúdo da campanha de marketing e outros detalhes do conteúdo que será levado ao público ainda são mantidos em sigilo.
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É possível que o mesmo tempo real do contato da Coca-Cola com seus consumidores na esfera digital tenha de ‘brigar’ por espaço com mais notícias sobre protestos em solo brasileiro até a Copa de 2014. Todavia, a marca se respalda na sua parceria com a Fifa e no fato de que, em caso de danos às suas instalações no Brasil em ações voltadas ao Mundial, quem terá de arcar com o prejuízo é o governo federal, conforme manda a Lei Geral da Copa.















