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Silvio Lancellotti - Blogs

Um Milan chinês, que triste fim!

No comando, um bilionário estranhíssimo de Hong Kong

Silvio Lancellotti|Sílvio Lancellotti

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Milan 1962: Cesare Maldini, Benitez, Rivera, Altafini, Mora, Pivatelli, Ghezzi, Trebbi, David, Trapattoni, Dino Sani
Milan 1962: Cesare Maldini, Benitez, Rivera, Altafini, Mora, Pivatelli, Ghezzi, Trebbi, David, Trapattoni, Dino Sani

Começo pelo começo. Jamais escondi que, na Itália, sou um tifoso da Juventus de Turim. Porém, amantíssimo do bom futebol, em 1º de Julho de 1962 me acomodei nas então “gerais” de cimento do Pacaembu para presenciar um duelo até então inédito no País, aquele do Palmeiras contra o Milan em excursão às Américas. Pelo Milan de então atuavam dois brasileiros, Dino Sani e Mazzola, na Bota chamado de Altafini. E mais craques como o inglês Jimmy Greaves, os peninsulares Trapattoni e Maldini, o uruguaio Ghiggia, aquele carrasco da Copa de 50. Placar de 4 X 4, e um combate antológico, de se preservar na memória.

Timaço dono do scudetto, que em 1963 batalharia com o Super Santos pelo título da Intercontinental de Clubes. O Milan que conquistaria tal troféu em três oportunidades. E arrebataria a Champíons da Europa em sete ocasiões. O título da Itália, em 18. Nas funções de comentarista, eu vi os seus sucessos na Intercontinental em 1989 e 1990. Vi o triunfo no Mundial da FIFA de 2007. Na Champions de 1989, 1990, 1994, 2003 e 2007. No certame da Bota, em 1988, 1992, 1993, 1994, 1996, 1999 e 2004. Aquele de 1992, sob a direção de Fabio Capello, invicto, 22 vitórias e 12 empates. Aliás, em tal período, também testemunhei a sua maravilhosa série de 56 partidas sem derrota,


Em 88, Gullit, Van Basten e Rijkaard
Em 88, Gullit, Van Basten e Rijkaard

Tempos deliciosos dos holandeses Gullit, Van Basten e Rejkaard. Do francês Desailly. Do sérvio-montenegrino Savicevic e do ucraniano Shevchenko. Dos brasileiros Leonardo, Cafu e Kaká. Do liberiano Weah. E, claro, dos nativos Donadoni, Costacurta, Paolo Maldini, Albertini, Carlo Ancelotti, Franco Baresi. De treinadores com quem até travei amizade como Arrigo Sacchi, e Ancelotti. O Milan do gladiador Gennaro Gattuso. Ah, pobre Gattuso, hoje confinado à condição de técnico de um dos elencos mais medíocres que o Milan ostentou em toda a sua vasta história de glórias, inaugurada em 1899. Meramente se salva o arqueiro Gigi Donnaruma, prestes a completar os seus dezenove de idade e já na reserva de seu xará Buffon na “Squadra Azzurra”.

Com apenas 34 pontos em 66 disponíveis, dez vitórias, quatro empates e oito derrotas, na sétima colocação da tabela, o Milan atual está a três degraus da Sampdoria de Gênova, e fora da chamada Zona Europa. Pior, ainda tem no seu cangote as perseguições de Atalanta, de Udinese e de Torino. Nesta quarta-feira, 31 de Janeiro, semifinais da Copa Itália, hospedou a Lazio de Roma e apenas por causa da elasticidade de Donnaruma e da má pontaria dos seus adversários, mal e porcamente ficou no 0 X 0. E não se responsabilizem Gattuso ou os seus jogadores pífios. Os culpados pela decadência vêm de cima a baixo. E muito de cima...


Ele, Don Silvio
Ele, Don Silvio

Propriedade quase ditatorial de Silvio Berlusconi desde 1986, em 5 de Agosto de 2016 o Milan se emaranhou em uma negociação confusérrima com um grupo chinês (é, isso mesmo, chinês), liderado por um certo Li Yonghong e a sua esposa Huang. Constava, então, que Li seria um bilionário da especulação em terras para a construção de condomínios, da indústria de embalagens e da extração de fósforo. Daí, enquanto a transação se arrastava, dois períodicos importantíssimos, “New York Times” e “La Gazzetta dello Sport”, mergulharam em uma impiedosa nvestigação conjunta a respeito do estranho cidadão.

O proprietário sem biografia
O proprietário sem biografia

Não confirmaram sequer a sua data de nascimento, 16 de Setembro de 1969. Muito pior, descobriram que a fortuna da família de Li teria nascido do golpe da “Pirâmide de Dinheiro”, cuja havia lesado 18.000 incautos. Que o pai e dois irmãos estariam presos num enclave continental da China subordinado à jurisdição de Hong Kong. Sobre o seu braço-direito, Han Li, que o suposto magnata indicou como seu braço-direito, sequer a origem se levantou. E no entanto, em 13 de Abril de 2017, Adriano Galliani, o sub de Berlusconi no clube, anunciou a “feliz conclusão” da venda do Milan pelo equivalente a R$ 3 bi, além da absorção de uma dívida de R$ 900 mi.


Fassone e Galliani
Fassone e Galliani

Um outro personagem controvertido assumiu, logo após o aperto de mãos, a administração do Milan, na cadeira que fora de Galliani. Trata-se de Marco Fassone, um piemontês de 53 anos, diplomado em “Letras”, que se empregou, sucessivamente, nas áreas de Marketing da Juventus, do Napoli e da Internazionale. Deve-se a essa conturbada rede de personagens o Milan de agora. Na Itália se fala, sem subterfúgios, que se criou, às expensas dos torcedores do “Diavolo Rossonero”, uma gigantesca lavadora de dinheiro.

Pois é... Quem diria...


Vicini, 90, Concentração de Marino
Vicini, 90, Concentração de Marino

PS.: Foi-se, no dia 31 de Janeiro, de falência múltipla de órgãos, causada pela conjunção de Alzheimer e diabetes, o sisudo Azeglio Vicini, nascido em Cesena, junto ao mar Adriático, na costa leste da Itália, em 20 de Março de 1933. Um ex-volante no estilo “mastim de meio-campo”, Vicini assumiu a seleção da Bota e, 1986, na sucessão de Enzo Bearzot, o campeão do planeta na Espanha/82. Dirigiu a equipe em 54 porfiais, com 32 vitórias e sete derrotas – a crucial em 3 de Julho de 1990, na Copa que a Itália organizou. Numa das semifinais, em Nápoles, com a alquebrada Argentina, mesmo mal escalada, com Roby Baggio no banco, a “Azzurra” saiu à frente, 1 X 0, mas cedeu o empate e soçobrou pateticamente na loteria dos pênaltis, 3 X 4. Os tifosi e inúmeros analistas jamais perdoaram os seus erros.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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