Silvio Lancellotti Tóquio, dia 7 - Ao menos uma promessa de medalha no Boxe

Tóquio, dia 7 - Ao menos uma promessa de medalha no Boxe

Peso Pesado, Abner Teixeira continua a ignorar os seus rivais. Agora, porém, nas semis, pega o favorito cubano Julio la Cruz. No Atletismo, segue Alison. Na Natação, Fratus. Na Vela, Scheidt.

Abner Teixeira

Abner Teixeira

@Gaspar Nóbrega/COB

Nos idos em que os Jogos Olímpicos ainda não estavam, digamos, inflacionados de países, atletas, modalidades ou compromissos paralelos, principalmente aqueles dos patrocínios e das transmissões das TVs, o Atletismo e a Natação mal se cumprimentavam, nem se viam. Habitualmente, o Atletismo ocupava uma das semanas do evento e, assim que se despedia, já a Natação entrava em seu lugar – ou vice-versa. Pois neste 30 de Julho, o Dia 7 dos Jogos de Tóquio/2020, as atividades da Natação ainda em cena até o domingo, 1º de Agosto, o Atletismo, atropeladamente, inaugurou as suas cativantes atividades.

Bruno Fratus

Bruno Fratus

Jonne Roriz/COB

Na piscina, houve provas com brasileiros na noite de lá, ainda a manhã por aqui. Óbvia frustração pela desclassificação do revezamento de 4 X 100 Quatro Estilos dos rapazes e pela eliminação de Etienne Medeiros nos 50m Livre para as garotas. Ela tinha um tempo de entrada de 24”53, que lhe garantiria vaga nas semis e no entanto, com 25”45, apenas o 28º, se despediu da competição. Único alívio, já esperado, aliás, Bruno Fratus nos 50m Livre dos rapazes. Na prova em que César Cielo detém o recorde mundial, 20”91, desde 18 de Dezembro de 2009, e em que a sua melhor marca é 21”31, Bruno cravou 21”73 e passou às semis como o quarto melhor. Caeleb Dressel, dos Estados Unidos, foi o primeiro, 21”34.

Alison dos Santos

Alison dos Santos

Jonne Roriz/COB

Na pista e no campo de saltos do Atletismo houve eliminatórias importantes. No Salto em Altura, Thiago Moura e Fernando Ferreira não passaram de 2m21, longe de suas melhores marcas, 2m28 e 2m30. Nos 3.000m Steeple Chase, a charmosa corrida de média distância com obstáculos, Altobeli Silva, recorde pessoal de 8’23”27, ficou no 28º lugar entre 44 atletas, 8’29”17. Das duas velocistas inscritas nos 100m, em uma das sete eliminatórias, Rosângela Santos cravou o segundo melhor tempo da sua carreira, 11”33. Vitória Rosa, cujo recorde pessoal é 11”03, sumariamente não compareceu à sua bateria. Preferiu se guardar para o Revezamento 4 X 100 e para os 200m. Salvou a jornada a performance tranqüila, o final quase no trote, nos 400m com Barreiras, de Alison dos Santos, 48”42. Detalhe: Alison já cravou, nesta temporada, o tempo de 47”34, o melhor dentre os inscritos na prova;

Robert Scheidt com o ouro de Londres/2012

Robert Scheidt com o ouro de Londres/2012

Arquivo Pessoal

Houve também a definição da fase qualificatória de uma das oito classes em que o Time Brasil disputa a Vela, ou Iatismo – e precisamente aquela em que representa o País o atleta que mais medalhas ganhou na História dos Jogos, Robert Scheidt, cinco (duas de ouro, duas de prata e uma de bronze). Outro grande astro do Brasil, também da Vela, já abiscoitou cinco medalhas, Torben Grael. Porém, duas de ouro, uma de prata e duas de bronze.

Robert Scheidt em Atlanta/1996

Robert Scheidt em Atlanta/1996

Arquivo Pessoal

Paulistano, 48 de idade, Scheidt foi ouro com a Laser em Atlanta/96 e em Atenas/2004, foi prata em Sidney/2000. Transferido à Star, embarcação para dois, na parceria de Bruno Prada levou prata em Pequim/2008 e então bronze em Londres/2012. Não resistiu ao apelo da Laser, a mais popular do planeta, cerca de 250.000 adeptos, e retornou à classe nos Jogos do Rio/2016, desafortunadamente só na quarta posição, ou quase o pódio,

Robert Scheidt em Tóquio/2020

Robert Scheidt em Tóquio/2020

Júlio César Guimarães/COB

Embora de manejo fácil, em comparação, por exemplo, ao Star, um Laser pede um físico mais jovem, e Scheidt admite que a idade já lhe pesa. De todo modo, em Tóquio, ao menos não decepcionou. Com 86 pontos perdidos ele se classificou para a Medal Race, na qual a contagem vale o dobro. Numa regata da vela o primeiro colocado perde um, o segundo perde dois assim por diante. Scheidt está a 12 pontos do bronze. Ainda tem a sua chance.

Suelen, na maca, depois da sua contusão no Judô

Suelen, na maca, depois da sua contusão no Judô

Annegret Hilse/Reuters

Por medalha, mesmo, lutaram os dois contendores mais pesados do Judô do Time Brasil. Na categoria acima dos 78kg, Maria Suelen Altheman, de Amparo/SP, 32 anos, 1m75 e 112kg, um quinto posto em Londres/2012 e a 5ª no ranking mundial. E, na categoria acima dos 100kg, o 7º, Rafael Carlos da Silva, o Baby de Aquidauana/MS, 34 de idade, 2m03 e 160kg, bronze em Londres e no Rio. Suelen foi “bye”. Quer dizer, principiou diretamente nas oitavas de final. Suplantou a eslovena Anamari Velensek, 25ª do ranking, por falta de combatividade, e enfrentou a francesa Romane Dicko, sexta colocada. Porfia difícil. A francesa, de maior envergadura, aplicou um Ippon a 1’04 do final e, pior, na queda, Suelan sofreu uma lesão no seu joelho esquerdo. Claro, não pôde disputar a repescagem e, muito provavelmente, desfalcará o Brasil na contenda por equipes, neste dia 31.

Teddy RIner e Rafael Silva

Teddy RIner e Rafael Silva

@TimeBrasil

O Baby, também “bye”, se desvencilhou sem sustos, por Ippon, a 1’43” do Golden Score, de Ushangi Kokauri, do Azerbaidjão, 18º. Então, contra um rival quase um palmo menor, Guram Tushishvili, da Geórgia, sexto do ranking, não conseguiu um ponto de ataque e acabou punido com as três advertências fatais. Ironia: na repescagem pegaria o ex-imbatível francês Teddy Riner, que sonhava com o seu terceiro ouro consecutivo. Riner se consolou com o broze ao desferir um Ippon indefensável no Baby a 45” do final.

Bia Ferreira

Bia Ferreira

Rafael Bello/COB

Lutaram, ainda, mas nos ringues do Boxe, o Pugilismo, o meio-pesado Keno Machado (de 75kg a 81kg), baiano de 21 de idade, ouro nos Jogos Olímpicos da Juventude, em Buenos Aires/2018, e Beatriz Ferreira (de 56kg a 60Kg), baiana de 26 anos, campeã do planeta desde 2019. Keno provinha de um sucesso sossegado contra o chinês Chen Daxiang, 5 X 0. Já nas quartas de final, lhe bastava bater o britânico Benjamin Whitaker para assegurar ao menos o bronze. Por razões óbvias a sua agressividade, no Boxe não se realiza um combate pelo terceiro lugar. Pena, num duelo equilibradíssimo perdeu por 2 X 3. A modalidade, no entanto segue viva em Tóquio. Bia suplantou Wu Shi-Yi, de Taipei, 5 X 0, e se qualificou às oitavas. E o pesado Abner Teixeira (de 81 a 89kg) por 4 X 1 se desvencilhou do jordaniano Jor Ishaish e está nas semis. Agora, 3 de Agosto, pegará o favorito cubano Júlio la Cruz.


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