Silvio Lancellotti Tóquio, dia 2 - Duas medalhas para o Time Brasil, no Skate e no Judô.

Tóquio, dia 2 - Duas medalhas para o Time Brasil, no Skate e no Judô.

Com uma exibição excepcional na última das suas sete tentativas, Kelvin Hoefler ganhou a primeira, uma prata magnífica no Street. E depois Daniel Cargnin levou um bronze na categoria de até 66kg.

Hoefler, a primeira medalha do Brasil nos Jogos de Tóquio/2020

Hoefler, a primeira medalha do Brasil nos Jogos de Tóquio/2020

Toby Melville/Reuters

Uma decepção terrível na Esgrima e no Tiro Esportivo. E uma frustração intensa na Ginástica Artística dos rapazes. Claudicante o Judô. Com esse desestímulo o Time Brasil entrou, em 25 de Julho, no efetivo Dia 2 das competições que valem medalha nos Jogos de Tóquio, aquele evento de 2020 que a Covid-19 atrasou para este 2021. Existiam esperanças de melhora e até de pódio, porém. E o pódio, o primeiro do Brasil em Tóquio, uma preciosíssima prata, enriqueceu o butim do Skate estreante de Kelvin Hoefler. No Judô, categoria até 66kg, Daniel Cragnin atingiu uma semifinal, perdeu, mas se recuperou na disputa do bronze e abiscoitou, emocionantemente, a segunda medalha do País.

Daniel Cargnin

Daniel Cargnin

Gaspar Nóbrega/COI

Neste mesmo dia 25, ironicamente, começaram as ações de um dos esportes nos quais o País mais levantou lauréis na sua História Olímpica, o Iatismo, ou a Vela, 7 de ouro, 3 de prata e 8 de bronze, total de 18. Apenas no próximo domingo se conhecerão os seus eternizados. Mais do que a Vela, só o Judô, 23 e o Voleibol 23, subdivididos em 13 na areia 10 na quadra. Além desses, porém, insolitamente fazia uma inusitada aparição um outro intrometido que já prometia um montão de prêmios. Paralelamente ao Skate, nesta data na modalidade Street, para os rapazes, com Kelvin e mais Felipe Gustavo e Giovanni Vianna, também o Surfe, com Gabriel Medina e com Ítalo Ferreira, mais Silvana Lima e Tatiana Weston-Webb. E em quase tudo haveria alegria de um brinquedo que virou antologia.               

Hoefler, numa acrobacia

Hoefler, numa acrobacia

Jonne Roriz/COB

Na arena montada no Ariake Urban Park, junto à Baía de Tóquio, os contendores do Street precisavam efetuar duas descidas de velocidade e cinco de truques em degraus ou sobre corrimãos. Cada qual com a prerrogativa de abater três descartes. De 20 inscritos, oito prosseguiriam à final. Felipe caiu em quatro das suas sete tentativas, se obrigou a engolir uma nota zero e ficou fora dos oito. Terminaria na 14ª posição com 24,75 pontos. Giovanni, três chances queimadas, 28,15, acabou na 12ª. Apenas se classificou o paulista Hoefler, 28, que nasceu no Guarujá mas vive em Los Angeles, cinco acertos, 34,69 pontos, no quarto lugar mas bastante perto do francês Aurelian Giraud, o líder da etapa com 35,88.

Hoefler, rumo à medalha

Hoefler, rumo à medalha

Jonne Roriz/COB

Fanático pela prancha de rodinhas desde os oito de idade, ele se profissionalizou em 2011 e passou a viajar na cata de oportunidades. Em 2016, se lesionou seriamente num torneio de Tampa, nos EUA, permaneceu onze meses no estaleiro e, enfim, bravamente, se recuperou de maneira a agora se tornar um personagem de enciclopédia. De fato, consciente, impecável,  Hoefler dominou metade da competição. Na quarta descida, infortúnio, sofreu um tombo, nota zero, e depois outra anotação nula. Mas, na derradeira das sete chances, prodigiosamente, mereceu a nota mais alta da competição inteira, 9,34. No acúmulo geral de pontos, 36,15, ficou  a 1,03 dos 37,18 do xodó da casa, ouro para Yuto Horigome.

Medina, numa acrobacia

Medina, numa acrobacia

Miriam Jeske/COB

Simultaneamente ao Skate, na Praia de Tsurigasaki, cerca de 70 quilômetros a leste da capital, os surfistas do Brasil se digladiavam com o chamado “mar pequeno”, de ondas precárias para quem se acostumou às de Saquarema e do Havaí. De todo modo, na Bateria 1, tranquilamente, Ítalo se classificou na primeira posição. Daí, na 2, igualmente, Medina sobrou acima dos adversários. Bem ao seu estilo, escolheu meticulosamente as ondas nas ocasiões em que detinha a prioridade. Ambos seguiram diretamente à fase dos mata-matas sem a necessidade da repescagem. Dentre as garotas, Silvana, vice na Bateria 1, e Tatiana, a líder na 2, também se qualificaram diretamente à rodada desta segunda-feira, 26 de Julho.

Tatiana Weston-Webb

Tatiana Weston-Webb

Júlio César Guimarães/COB

E existia, ainda, a competição nos tatames do Judô. Em séries que invariavelmente valem pódio, se apresentaram Larissa Pimenta, de São Vicente/SP, 22 de idade, recém-campeã pan-americana na categoria até 52kg, e Daniel Cargnin, gaúcho de Porto Alegre, 23, um ouro em 2017 na classe Júnior do peso até 66kg. E os dois inauguraram preciosamente os seus trajetos. Cargnin, que lutou antes, consumiu apenas 51” para derrubar o egípcio Mohamed Abdelmawgoud com o golpe perfeito, Ippon. Larissa até pegou uma adversária mais intrincada, Agata Perenc, da Polônia, a quem apenas bateu na prorrogação, o Golden Score, com um clássico e bem delineado Waza-Ari aos 1’02” de um confronto equilibrado.

Larissa Pimenta contra Agata Perenc

Larissa Pimenta contra Agata Perenc

Gaspar Nóbrega/COB

Ambos deparariam com rivais muito dificíeis nos seus combates posteriores: Denis Vieru, da Moldova, bronze no Mundial e no Europeu; e Uta Abe, do Japão, uma bi-campeã do planeta. Infelicidade de emparceiramento, a brasileira talvez sobrepujasse uma dúzia das judocas que haviam alcançado aquela etapa da competição. Batalhou, mas não resistiu à japonesa. Perdeu por imobilização a 2’03” do desfecho do tempo. Comoveu a entrevista que, de olhos marejados, e voz embargada, dignamente concedeu ao final da luta.

Cargnin contra Denis Vieru

Cargnin contra Denis Vieru

Gaspar Nóbrega/COB

Basicamente defensiva, os dois com uma advertência, a pugna entre Vieru e Cargnin se estendeu ao suplementar e então, com 1’22 de escaramuças nervosas o brasileiro acertou um contragolpe espetacular e se garantiu na fase de quartas de final. Depararia com um rival insidioso, o italiano Manuel Lombardo, número um do ranking. Uma pugna nervosa, intrincadíssima, em que ambos, contidos, sofreram advertências mútuas por pouca ofensividade. O gaúcho reagiu bem melhor e aos 3’53” dos 4’ do Golden Score aplicou um Waza-Ari fatal. Na sua semi, desafiaria Hifumi Abe, um irmão de Uta, quinto do ranking. Levou um Ippon aos 2’25” e brigaria pelo bronze com o oitavo, Baruch Ismailov, de Israel. Um Waza-Ari a 1'30" lhe garantiria um justo galardão: fôra convalescente da Covid-19.


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