Silvio Lancellotti Tóquio, Dia 11 - As soberbas nove medalhas da Família Grael na Vela

Tóquio, Dia 11 - As soberbas nove medalhas da Família Grael na Vela

Em dupla com Kahena Kunze, Martine Grael, da classe 49er da Vela, conquista o bi em Tóquio. O pai Torben tem cinco pódios. Tio Lars, dois. Houve ainda os bronzes de Alison e Thiago Braz no Atletismo.

Kahena e Martine

Kahena e Martine

@TimeBrasil

Dia 11 dos Jogos de Tóquio/2020. Pois este 3 de Agosto de 2021 prometia ser generoso para o Time Brasil. Nada menos do que seis possibilidades de medalha e também  uma semifinal de um boxeador, Abner Teixeira, que já havia assegurado o bronze. Na noite daqui, Alison dos Santos participaria da decisão dos 400m com Barreiras do Atletismo. Logo em seguida, já manhãzinha no Oriente, duas duplas lutariam pelo pódio da Vela: Martine Grael e Kahena Kunze num 49er com chances de ouro, e Samuel Albrecht e Gabriela Nicolino num Nacra 17, com a possibilidade pequenina, mas existente, do bronze.

Flávia Saraiva

Flávia Saraiva

Júlio César Guimarães/COB

As águas também receberiam Jackie Godmann e Isaquias Queiroz dos Santos na decisão dos 1000m da Canoagem. Flávia Saraiva, a oitava nota na qualificação da Trave de Equilíbrio da Ginástica, tentaria aprimorá-la mesmo com o retorno da norte-americana Simone Biles. Aconteceria, ainda, a decisão do Salto com Vara, contenda na qual em 2016, no Rio, Thiago Braz abiscoitou o ouro com o novo recorde, 6m03. E, num entretempo, ocorreria o combate do pesado Abner Teixeira contra o favorito Júlio la Cruz, de Cuba. No Pugilismo não existe uma briga pelo bronze. O brasileiro, porém, claro, obviamente pretendia chegar à final.

Alison dos Santos

Alison dos Santos

@TimeBrasil

Um paulista de São Joaquim da Barra, apenas 21 anos, Alison Brendom dos Santos desembarcou na final dos 400m com Barreiras depois de fazer o terceiro tempo na qualificação, 47”31, recorde sul-americano. Manteve a posição na decisão de maneira arrebatadora nos últimos 30m, quando precisou superar os sprints de Abderrahman Samba do Qatar, e de Kyron McMaster das Ilhas Virgens Britânicas. Impossível, porém, alcançar Rai Benjamin dos EUA, 46”17, ou o Karsten Warholm, da Noruega, 45”94, o primeiro da História a correr a prova abaixo dos 46”. Sensacional...

Justíssima euforia

Justíssima euforia

@TimeBrasil

Evidentemente, um novo recorde do mundo. Aliás, além de Warholm, também Rai Benjamin e Alison quebraram o recorde olímpico de 46”78, um primado que pertencia ao norte-americano Kevin Young, acredite se quiser, desde Barcelona/2012. Uma façanha fenomenal de Alison, que quase morreu, quando tinha os dez meses de vida, num acidente doméstico, uma frigideira de óleo fervente que desabou sobre a sua cabeça, suas costas e seus braços. E ele, insisto, tem apenas 21 anos de idade. Um futuro além de promissor.

Burkhard Cordes e Reinaldo Conrad nos Jogos da Cidade do México/1968

Burkhard Cordes e Reinaldo Conrad nos Jogos da Cidade do México/1968

Reprodução

Alegria pelo bronze antológico de Alison? Haveria mais. Garantia de medalha desde o bronze de Reinaldo Conrad e Burkhard Cordes na classe Flying Dutchman da Cidade do México/1968, 18 prêmios até este Dia 11 dos Jogos de Tóquio (ou sete de ouro, três de prata e oito de bronze), a Vela também procurou aumentar o seu tesouro. De modo a repetir o seu ouro do Rio, na sua Medal Race o 49er de Martine Grael e Kahena Kunze tinha que vencer a regata. Ou, atravessar a meta à frente de Annemiek Bekkering e Annette Duetz, da Neerlândia, desde que numa segunda colocação. Poderia mesmo chegar em terceiro, desde que as ganhadoras não fossem Tina Lutz e Susann Beucke, da Alemanha. As neerlandesas e as brasileiras acumulavam 70 pontos negativos. As tedescas, 73. Na vela, a primeira colocada perde um ponto, a segunda perde dois, e assim em diante. Na Medal Race esses valores contam o dobro. Todavia, por quê pensar na aritmética?

Martine e Kahena no Rio/2016

Martine e Kahena no Rio/2016

COB

Não é nada fácil comentar uma regata, embora eu tenha ousado, nos Jogos de Atlanta/1996, pelo microfone da Rede Record de TV, nas duas jornadas que redundaram no ouro de Robert Scheidt, na Laser, e de Torben Grael & Marcelão Ferreira na Star. No entanto, foi emocionante, mesmo, acompanhar a saga da timoneira Martine, 30 de idade, uma fluminense de Niterói, filha de Torben, e da proeira Kahena, também 30, paulistana, filha de Claudio Kunze, o campeão mundial da classe Pinguim, Júnior, em 1973.

Kahena e Martine em plena ação

Kahena e Martine em plena ação

Júlio César Guimarães/COB

Numa regata de dez barcos, a Holanda, bastante infeliz, completou a primeira perna em nono lugar. Na segunda, pior, caiu para o décimo posto. Enquanto isso, Martine e Kahena se acautelavam numa tranqüila terceira posição e a Alemanha sofria na sexta. Na perna derradeira, Martine e Kahena preservaram uma folga de 50 metros à frente das tedescas e rumaram, eufóricas, à brilhante conquista do ouro. Uma curiosidade: Martine agora tem dois títulos como seu pai, Torben. E a Família Grael, agora, acumula nove medalhas. As duas de ouro de Martine. Duas de ouro, uma de prata e duas de bronze de Torben. E mais duas de bronze do tio Lars, mano mais novo de Torben. Do orgulhosíssimo Lars eu recebi um WhatsApp com as nove imagenzinhas das medalhas, e a frase: “É uma satisfação constatar que a paixão pela Vela e a cumplicidade com o vento se perpetuam na família”.

Goodmann e Isaquias, na C-2

Goodmann e Isaquias, na C-2

Wander Roberto/COB

Na História Olímpica do Brasil, o homem com o maior número de lauréis por edição dos Jogos, dois de prata e um de bronze no Rio/2020, o baiano Isaquias, 27 anos, de Imbituba/BA, sofreu um baque somente um mês antes da competição de Tóquio. Erlon Silva, por sete anos o seu parceiro habitual na chamada C-2, convalescente de um problema de vascularização no fêmur da sua perna esquerda, anunciou que não poderia viajar ao Japão. Na pressa, Isaquias se acoplou a Godmann, ótimo remador, filho de canoístas, mas sem tempo para que ambos se entrosassem. O seu C-2, no limite, arrancou uma vaga na decisão e cumpriu sua missão com galhardia exemplar. Brigou pelo bronze, proa a proa, até os últimos  metros, Com 3’27”603, perdeu dos alemães, 3’25”615. A China levou a prata, 3’25”. E Cuba, que foi a Tóquio nada cotada, levou o ouro, 2’24”995.

O choro de Flávia Saraiva pela lesão de tornozelo na prova dos Exercícios Combinados

O choro de Flávia Saraiva pela lesão de tornozelo na prova dos Exercícios Combinados

Júlio César Guimarães/COB

Também não brilharam, como fantasiavam, Samuel & Gabriela, Flavinha Saraiva e Abner Teixeira. A dupla do Nacra 17 foi a última dentre as dez que navegaram na sua Medal Race. Flavinha Saraiva, que havia se lesionado no tornozelo na competição Individual dos Exercícios Combinados, aquela All Around em que Rebeca pegou a prata, titubeou duas vezes e se limitou à sétima colocação. Detalhe: Simone Biles, que não se arriscou tanto, conquistou um mero bronze. Abner Teixeira, enfim, perdeu do cubano na visão de quatro dos cinco jurados do seu combate. Consolo do Time Brasil no pugilismo: no Peso Leve, a campeã do mundo Beatriz Ferreira, por largos 5 X 0, detonou Raykhona Kodirova, do Uzbequistão, avançou as semis e garantiu o bronze. Assim como garantiu a prata o time masculino de Futebol do Brasil que suplantou o México no bingo dos penais por 4 X 1.

Thiago Braz

Thiago Braz

Gaspar Nóbrega/COB

Restava esperar que o terceiro ouro do Dia 11 adviesse de Thiago Braz, em busca do bi no Salto com Vara. Paulista de Marília, 27 de idade, nos Jogos do Rio, mesmo com a pista inundada por uma intempérie, com o novo primado  de 6m03, Thiago havia suplantado Renaud Lavillenie, da França, o ganhador em Londres/2012 e dono do recorde, 5m98 registrados dez minutos antes. Depois, sumiu dos grandes pódios. Em Tóquio, dentre oito disputantes, foi o primeiro a superar, sem sustos, os 4m87. O primadista do planeta, o sueco Armand Duplantis, dono de estupendos 6m17, assim como Lavillenie, optaram por esperar pelos 5m92. Então, Duplantis mantinha a marca de 5m80. E o francês, 5m70. Sobraram, para os 5m92, os dois, Thiago e o norte-americano Christopher Nilsen. Só que o francês falhou, circunstância que assegurou o pódio ao brasileiro, mesmo que não vencesse tal marca. Desafortunadamente, parou nos 5.87. De todo modo, abiscoitou o bronze e, de novo inscreveu seu nome nas antologias da Olimpíada: agora, duas medalhas em Jogos consecutivos. Coube a prata a Nilsen. E Duplantis arrebatou o ouro.

Kahena e Martine, dois ouros em sequência

Kahena e Martine, dois ouros em sequência

Jonne Roriz/COB

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