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Toninho Buonerba (1940-2018)

Uma homenagem ao inventor do "Polpettone". Que, muito além de amigo por razões profissionais, em meio século se tornou um "fratello" de verdade.

Silvio Lancellotti|Do R7 e Sílvio Lancellotti

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O Toninho, no seu "Buteco"
O Toninho, no seu "Buteco"

No universo da gastronomia e no mundinho do futebol de veteranos éramos chamados de “I Tre Amici”. Falo dos anos 80, quando vivíamos os nossos quarenta e ainda podíamos bater uma pelota. Também liderávamos uma entidade secreta, de nome “Clube do Vagabundo”. Pela seguinte razão. Uma vez a cada mês, um dos três, na data da sua veneta, podia convocar os outros dois, mais todos os outros associados informais do clube, para um dia em que nos obrigávamos a largar tudo, a família e o trabalho inclusive, e rumávamos em comitiva até um sítio com campinho, piscina, churrasqueira e forno de lenha, uma chopeira importada, e literalmente nos esbaldávamos.

A cantina
A cantina

Ideia de Marcos Bassi (1948-2013), que comparecia com as suas carnes de mestre, ideia que Toninho Buonerba, o mago das pizzas, e eu, mero assessor de afazeres vários, partilhávamos com alegria juvenil, o clube se apagou na década de 90, sabe-se lá por que razão. De todo modo, invariavelmente nos cruzávamos, no açougue ou mesmo na churrascaria do Marcão, para um papo sempre livre e sempre solto, sem as amarras da Política e da Economia, temas proibidos entre nós. Foi mais ou menos na mesma época em que o clube se findou que o Buonerba criou, num fundo de estacionamento, à frente da sua cantina de antologia, batizada de Jardim de Napoli, o “Buteco do Tunico”, onde um outro batalhão invariavelmente muito feliz se congregava.


O próprio, o "Polpettone"
O próprio, o "Polpettone"

Nossos pais, o meu Eduardo e o Francesco do Toninho, se conheceram na juventude de ambos, vizinhos de muro nas redondezas da Rua dos Lavapés. O Francesco já era um professor nas pizzas que desde a minha infância me encantam e me engordam. Depois, já na década de 60, o Toninho inventou uma iguaria que o tornou celebrado e que produziu centenas de imitadores, o “Polpettone alla Parmiggiana”, um imenso bolo empanado de carne, bem recheado de mozzarella, frito e opulentamente coberto de molho de tomates e queijo ralado. Quem não experimentou e amou, ou não ouviu falar?

Com o Chico, o herdeiro
Com o Chico, o herdeiro

Mais que um dos meu “amici” caríssimos, o Toninho foi um verdadeiro irmão, um parceiro de sinuca, de baralho, de piadas, de alegrias e até de sofrimentos, na sua cantina, no “Buteco”, na sua casa e até mesmo na minha, para as pizzas que ele me ensinou a fazer no meu doméstico mas indomável forno de lenha no quintal. Tínhamos chorado, juntos, a partida do Marcão, o mais jovem, levado pela doença ruim. Agora, nesta quinta-feira, 28 de Junho, o Toninho me deixou a chorar sozinho. Foi-se, aos 78 de idade. Mas na verdade não sumiu, virou estrela. E uma estrela mais fulgurante do que todas que recebeu com o imortal “Jardim di Napoli”. Sim, imortal, posto que o Chico, a Ana, a Rosana, o Adolfo, o Aílton, o Braz etcetera não deixarão a sua peteca cair. Jamais.

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