Sem Durant e sem Cousins? Mas os Warriors têm no banco Steve Kerr!
Ex-craque dos Bulls de Michael Jordan, o treinador do Golden State demonstra que nem os mais graves dos desfalques conseguem abalar o seu elenco
Silvio Lancellotti|Do R7 e Sílvio Lancellotti

Nesta noitada norte-americana de Oakland, na Califórnia, 16 de Maio de 2019, na sua Oracle Arena de novo repleta com quase todos os seus 19.569 espectadores vestidos de amarelo, camisetas de presente a cada torcedor, de novo os Golden State Warriors sobrepujaram os Trail Blazers de Portland, do vizinho Oregon, agora pelo placar de 114 X 111, e abriram para 2 X 0 a sua vantagem na decisiva melhor-de-sete da Conferência Oeste da NBA, a entidade que organiza o Basquete profissional dos Estados Unidos e do Canadá. O resultado propiciou que o elenco de Steve Kerr fique a somente duas partidas da sua quinta disputa consecutiva do Larry O’Brien Trophy, o prêmio máximo da NBA, que ele venceu em 2015, em 2017 e em 2018.

Aos 53 anos de idade, na sua única experiência como um treinador, Kerr também está prestes a igualar o recorde de John Kundia (1916-2017) e de Pat Riley, outros dois que somaram cinco finais de Conferência na história da NBA. Kundia, quando os Lakers tinham sede em Minesotta, nas décadas de 40 e 50. Riley, já nos Lakers de Los Angeles, entre 1982 e 2006. Kerr, todavia, agora pode estabelecer um inédito e legítimo penta em sequência. E isso, muito melhor ainda, nas suas primeiras cinco temporadas no encargo.

Filho de Malcolm Hooper Kerr (1931-1984), um doutor em assuntos do Oriente Médio e reitor da Universidade Americana de Beirute, batizado Stephen Douglas Kerr, o hoje treinador nasceu na capital do Líbano, no dia 27 de Setembro de 1965, cresceu e estudou naquela região até a sua adolescência e então se instalou na Califórnia, aluno do Palisades Center de Los Angeles, onde rapidamente se destacou no Basquete. Tinha 18 de idade quando radicais do Islã assassinaram seu pai, numa emboscada, com dois tiros nas costas. Naquele período, graças a uma bolsa abiscoitada pela sua qualidade como atleta, era um aluno da Universidade do Arizona em Tucson.

Mesmo com um diploma em Estudos Sociais, optou pelo esporte e, em 1988, se tornou um integrante dos Phoenix Suns. A sua altura, 1m91, e a sua leveza, 82kg, fizeram de Kerr uma combinação preciosa de ala e armador. Daí, entre 1993 e 1999, ele fulgurou com os Chicago Bulls de Michael Jordan, Scottie Pippen, Dennis Rodman etcetera. Sobre a atuação mais admirável da sua carreira, Kerr não hesita. E aponta o sexto jogo da briga pelo título da NBA, em 13 de Junho de 1997. O placar, entre os Bulls e o Jazz de Utah, cinco segundos restantes, exibia 86 X 86. Jordan passou a bola a Kerr, que arremessou a 5m50 de distância da cesta e colocou Chicago à frente por 88 X 86. O Jazz ainda tentou o empate no desespero, uma triangulação ensaiada. Os Bulls, no entanto, com Pippen, recuperaram a pelota e Tony Kukoc enterrou, 90 X 86.

Kerr não se caracterizou, especificamente, pelo volume de cestas. Na carreira, em 910 porfias, acumulou 5.437 pontos, a média de praticamente 6 por pugna. Todavia, foi um excelente marcador, um estrategista primoroso. E por isso, em 2003, quando abandonou as quadras, logo se tornou comentarista de TV. Até assumir o comando dos Warriors, em 14 de Maio de 2014, ele alternaria encargos administrativos nos Phoenix Suns com retornos rápidos à TV e narrações para os videogames da NBA. Sua estréia nos “Dubs” (brincadeira idiomática com o W do nome da franquia Golden State) se mostrou arrasadora, antológica: ao delinear o seu sucesso de número 19 contra somente 2 derrotas logo na inauguração da sua gestão, ele suplantou um recorde estabelecido por Al Cervi (1917-2009), com os desaparecidos Syracuse Nationals, 18 X 2 no já longínquo certame de 1954/55.

Para esta “season” de 2018/19, Steve Kerr pôde montar um dos melhores grupos de toda a história da NBA. Ao lado dos astros superlativos que já ostentava desde 2014, como Steph Curry, Klay Thompson, Draymond Green e Andre Iguodala, e ao lado de Kevin Durant, o MVP, ou o “Jogador Mais Valioso”, nas finais de 2017 e de 2018, os Warriors contrataram um “center” portentoso, DeMarcus Cousins. Durant e Cousins, na média, foram capazes de contribuir com 15 e 35 pontos por partida, sem falar nos rebotes e nas assistências. Todavia, Cousins, que saboreia um acordo de US$ 5.3 milhões ao ano, sofreu uma lesão no quadríceps, o músculo posterior da sua coxa esquerda. E Durant, que abiscoita, em doze meses, eu repito, em doze meses, uma bagatela de US$ 30 milhões, se contundiu na panturrilha direita. Cousins está fora de cogitação. Durant talvez consiga voltar na próxima semana.

No prélio de abertura desta série, graças a um esplêndido último quarto de 12’, os Warriors suplantaram os Blazers por 116 X 94. Kerr soube como rodar os seus suplentes em torno de Curry-Thompson-Green-Iguodala. E repetiu a sistemática no segundo cotejo. Os visitantes fecharam o primeiro tempo em 65 X 50. Sua constante habitual, no entanto, do terceiro em diante, os hospedeiros aos poucos se recuperaram no físico e na mente, na psicologia. E desembarcaram nos 12’ derradeiros com o resultado de 89 X 89. Ironia, apareceu bastante, pelos Blazers, um certo Seth Curry, o mano mais novo de Steph. Nas tribunas, os pais de ambos se dividiam entre satisfação e angústia, E de novo Steph prevaleceria, com 37 pontos, 8 rebotes e 8 assistências.

Impressionante, mesmo que suave e quase imperceptível, a ascendência de Steve Kerr sobre os seus pupilos. Claro que, além de Curry, ele deposita o máximo da sua fé e da sua confiança em Thompson, 24 pontos, e em Draymond Green, gigantesco nos seus 16 pontos e mais 10 rebotes e 7 assistências. O treinador, contudo, sem trocadilho, tirou ouro de pedras menos esfuziantes como os coadjuvantes Kevin Looney, 14 pontos e 7 rebotes, e Jordan Bell, 11 e 3. A série prosseguirá em Portland, sábado 18 e segunda-feira 20. Caso necessário, na outra quarta, 22, retornará a Oakland. A tabela ainda prevê as datas de sexta, 24, para uma porfia em Portland, e para a derradeira, em Oakland, dia 26. Os Warriors, cada vez mais dinastia.
Gostou? Clique em “Compartilhar”, em “Twittar”, ou deixe a sua opinião em “Comentários”. Muito obrigado. E um grande abraço!



