Renan foi apenas vice, mas merece a confiança dos fãs do Vôlei no País
No Mundial conjunto de Bulgária & Itália, a seleção do Brasil perdeu a decisão para a Polônia. No entanto, com certeza vai evoluir muito até Tóquio/2020
Silvio Lancellotti|Do R7 e Sílvio Lancellotti

Evidentemente não é nada fácil substituir um campeão da magnitude de Bernardo Rocha de Rezende, o celebrado Bernardinho, na posição de líder da Comissão Técnica da seleção brasileira de Vôlei. Afinal, o ex-levantador, agora nos 59 anos de idade, em sua carreira de comandante dos rapazes da modalidade, no País, acumulou a maravilha de 16 títulos em competições planetárias e duas medalhas de ouro em Jogos Olímpicos.
Pior para Renan Dal Zotto, 58, também da chamada “Geração de Prata” que foi vice no Mundial de Buenos Aires, em 1982, e nos Jogos de 1984 em Los Angeles, amigo e companheiro de Bernardinho, a obrigação lhe caiu nas mãos precisamente num momento em que o seu esporte atravessa uma complicada mudança de guarda, veteranos que se despedem e jovens que ainda não ganharam a experiência necessária e suficiente.

Mesmo assim, no Mundial que se desenrolou na Bulgária e na Itália, e que acabou neste domingo, 30 de Setembro de 2018, em Turim, norte da Bota, a seleção masculina de Renan realizou com garbo sua missão. Chegou à decisão contra a favorita Polônia, a detentora do troféu, sua algoz na final do certame de Curitiba, em 2014, perdeu por 0 X 3 (20-25, 26-28, 23-25). Mas, ao estilo de Renan, que foi um cortador vibrante, de mais físico e mais garra do que a técnica, usou o coração para merecer o segundo lugar.

Na transmissão pela TV, e nas chamadas “redes sociais”, choveram críticas a erros de fundamentos como o saque e o bloqueio, à dificuldade de Renan fazer as modificações que talvez alterassem o desenvolvimento do cotejo. Até houve quem lembrasse saudosamente das tantas broncas explosivas com que Bernardinho costumava temperar a sua presença na lateral da quadra.
Injustiça. Bernardinho iniciou a sua vasta carreira de orientador, na seleção feminina, em 1994, ficou com a prata de Atlanta/96 e com o bronze de Sydney/2000. Mas só inaugurou a sua coleção de títulos, só arrebatou o seu primeiro ouro com o time masculino, no Mundial da Argentina em 2004.

Obviamente Renan pretendia comemorar a sua estreia no topo do pódio neste certame de 2018, diante da esposa Anne, com quem já saboreia três décadas de matrimônio, e com os filhos Enzo e Gianluca, todos presentes dentre os espectadores da pugna. Não deu. Mas, com certeza ele aprendeu algumas lições. Como também alguns dos seus novos atletas, Douglas Souza, Lucas Loh e Isak Santos, amadureceram bastante na competição.
E é necessário enfatizar que Renan não pôde contar com os talentos de Maurício Borges e Lucarelli, fundamentais no ouro dos Jogos do Rio, em 2016. Nem com o excepcional Yoandy Leal, cubano que se naturalizou em 2015, considerado o melhor ponteiro do universo. Com certeza o Brasil de Renan será extremamente competitivo em Tóquio/2020.

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