Reflexões (deliciosas) sobre o Futebol da próxima Copa
O bilhete que recebi de Rubens Tavares Aidar
Silvio Lancellotti|Sílvio Lancellotti

Conheço Rubens Tavares Aidar faz bem umas quatro décadas. Aconteceu no final dos anos 70, quando os nossos filhos, respectivamente o Dado e o Luís Felipe, integravam uma das seleções dos Fraldinhas do Esporte Clube Pinheiros. Ele era o treinador e eu o seu vice. Um revolucionário nas estratégias e nas táticas, o Rubinho, mesmo em times de garotos da categoria Sub-10.
Ele também escrevia impecavelmente, com um bom-humor que me divertia a cada texto sobre Futebol. E com um apego à pesquisa e à precisão que me impressionava. Tanto que o contratei para me auxiliar na feitura de meu livro em fascículos sobre a “História da Copa” que a revista “IstoÉ” lançou antes da Espanha/82. Ainda hoje o Rubinho me impacta com as suas considerações. Por isso publico um bilhete delicioso que acaba de me enviar.

Eu estava certo.
O Old Style (do Futebol da Grã-Bretanha) é muito mais bonito de ver, mesmo com times fracos. Não aguento mais ver tictacs, toctics, aguero, higuain, debruyere, o tal de jorginho do Napoli (que é isso?), hazard, willian, neyriacho (tá certo que o pai é Ney Oceano, mas o rapaz é um regatinho. Na seleção, o Paulinho, sozinho, não resiste. É o melhor jogador do Brasil.
Messi e Cristiano Ronaldo são europeus sérios e se dão bem com a bola. Mas um, na Copa, vai jogar com os compatriotas que estão na Europa, saíram do Caminito de Buenos Aires e lá vivem como nababos. E o outro joga numa equipa ruim demais.
O único craque da atualidade, craque de verdade, além de Romero e Kazim e os outros tantos alvinegros, é o francês Mbappé. Esse joga bola. É disparado o melhor do mundo – depois de Romero & Cia., lógico. Cairia como uma luva no lugar do Rodriguinho.

O mais legal é que o Neyriacho foi tentar ser protagonista, e encontrou o Mbappé pela frente. É um regatinho que lembra aqueles mini-córregos das praias de Santos, Guarujá. Como um cara desses pode viver em Paris? É porisso que ele e os seus parças estão sempre em festinhas aqui. Não gostam de Paris.
Na Copa, eu sou Dinamarca ou Rússia. Não sei ainda.
A Alemanha está mal. A Espanha, sem Xavi e Iniesta, vai cair logo.É muito ruim e tem ainda o Diego Costa e, como reserva, um centro-avante que era do Atlético Madrid mas que a idade faz com que eu esqueça o nome (Nota do SL: David Villa, hoje no New York City). Já era ruim nos Masters, hoje atua com os Seniors.

A Argentina, a França e a Inglaterra são a Portuguesa. A Bélgica é a Ponte Preta. Portugal não existe. Os amarelões, nem pensar. Sobram Dinamarca, Rússia e o Lewandowski (da Polônia). A única opção da Portuguesa de Paris é o Mbappé acabar com o jogo. Fora disso os tres que apontei decidirão a parada.
Falo isto seis meses antes da Copa. Pode me cobrar.

Falta a “Azzurra”. Se, no lugar do Ventura (Nota do SL: Giampiero Ventura, o fracassado e já demitido treinador da seleção da Itália), fosse eu o técnico, estaríamos lá. Sou Itália, sempre, em tudo, apesar de não ter ascendência nenhuma.
PS: Rubens Tavares Aidar é corinthiano e é advogado. Aposentou-se como presidente do Tribunal Regional do Trabalho em São Paulo.
Gostou? Clique em “Compartilhar”, em “Tuitar”, ou registre a sua importante opinião em “Comentários”. Muito obrigado. E um grande abraço!



