Quem diria, as 11 vitórias seguidas da "Azzurra" de Roberto Mancini
Treinador da seleção da Itália desde o fracasso pré-Copa da Rússia, o ex-colega de Cerezo na Sampdoria quebrou um recorde de mais de 70 anos
Silvio Lancellotti|Do R7 e Sílvio Lancellotti

De todas as 55 seleções que disputaram as eliminatórias da Eurocopa/2020, apenas duas encerraram na perfeição absoluta a sua participação, 10 sucessos em 10 partidas: aquelas da Bélgica e da Itália. Um desempenho, digamos, esperável de “Les Diables Rouges”, supervisionados por Roberto Martinez desde Agosto de 2016, classificados na terceira posição da Copa da Rússia/2018 e responsáveis pela eliminação do Brasil. Nada lógico, porém, quanto à “Squadra Azzurra”, que sequer foi ao recente Mundial, uma humilhação patética, que provocou a queda do frustrante "mister" Gian Piero Ventura e a sua inexorável substituição - por Roberto Mancini.

Conheço Mancini desde os últimos anos da década de 80 e assim que ele assumiu o novo encargo me empenhei em entrevistá-lo. Não foi uma missão tranqüila. Nos seus primeiros dias de incumbência, além da diferença de fuso horário, as óbvias atribulações do momento se agregaram à imperiosidade de ele atender, prioritariamente, todas as solicitações de entrevista provenientes da sua Velha Bota. De todo modo, depois de um turbilhão de telefonemas e de e-mails, nasceu um longo texto que publiquei, aqui no R7, em 16 de Maio de 2018. Para ler, ou reler, o que tal matéria especulava , clique neste link:

Desde então, o Mancio dirigiu a “Azzurra” em 19 pelejas, com 12 vitórias, 4 empates e 2 derrotas, 45 tentos a favor e apenas 12 concedidos. Números significativos, aproveitamento de 68,42%. Números, todavia, absurdamente impactantes quando examinados ao inverso, da atualidade ao passado. Ao esmerilhar a Armênia por 9 X 1, na segunda-feira, dia 18 de Novembro, a Itália alinhavou o seu 11º triunfo em sequência e suplantou um recorde venerando de 9 jogos sem perder, estabelecido em 1938 e 1939 pelo grande elenco do mitológico Don Vittorio Pozzo (1886-1968), originalmente um cronista do Calcio, bicampeão do planeta – em casa, 1934 e então na França, em 1938.

Nesse trajeto de agora, a “Azzurra” acumulou 35 gols e sofreu 4. Um salto além de espetacular. Nas anteriores 8 pugnas a mesma Itália do mesmo Mancio havia reunido um único triunfo, 4 empates e 2 derrotas, com 10 tentos sobre 8. Curiosamente, porém, a porfia que coroou toda a sua série e inflou bastante as suas estatísticas, a sapecada na Armênia, não é a maior da relação de seus 823 duelos, com 457 vitórias, 224 empates, 162 derrotas, 1.432 tentos a favor e 817 contra. Há outros desempenhos admiráveis, e sempre, incrível, acredite se queiser, com "lo stesso" Vittorio Pozzo na sua liderança.
Por exemplo, em 18 de Janeiro de 1920, num amistoso, em Milão, superou a França por 9 X 4. Em 2 de Agosto de 1948, na Olimpíada de Londres, arrasou os Estados Unidos por 9 X 0. E, recorde dos recordes, nos Jogos de Amsterdam, Holanda, em 9 de Junho de 1928, cravou 11 X 3 no Egito. Um personagem invulgar, consagrado como “O Velho Maestro”, e um treinador perticularmente duradouro na História do Futebol, Pozzo coordenou a “Azzurra” desde 1912 até 1948, com dois interregnos. De 1913 a 1922, no Torino. De 1924 a 1926, no Milan. Claro, não consta que o Mancio pretenda permanecer tanto tempo na ativa. Outros tempos, bem diferentes...
PS: Sobre o que Mancini pensava, em 2018, quando fiz a matéria a respeito do seu desembarque na “Azzurra”, ele, de fato, recolocou Mario Balotelli na seleção. O atacante, contudo, participou apenas de três amistosos, marcou um gol, se envolveu em confusões, e o treinador nunca mais o reconvocou.
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