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Por quê o "Timão" insiste tanto com o atabalhoado grandalhão Kazim?

Resposta com Matheus Assaf, o seu empresário

Silvio Lancellotti|Sílvio Lancellotti

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Colin Kázim-Richards
Colin Kázim-Richards

Havia uma certa graça nas partidas em que o artilheiro Jô era o principal avante do Corinthians. Muitas vezes, com o resultado já definido, o treinador Fábio Carille colocava em seu lugar um reserva corpulento, desajeitado, que mal dominava a pelota e que, talvez por isso, divertia a “Fiel”. No começo deste ano de 2018, porém, Jô se transferiu ao Japão e Carille transformou o grandalhão em titular. Ora, e por quê não experimentar o garoto Carlinhos, goleador na classe Sub-20? Por quê não uma nova contratação?

Nascido em Londres, 26 de Agosto de 1986, filho de mãe otomana e de pai britânico, atleta de nacionalidade dupla, Colin Kázim-Richards, 1m85 de altura e 84kg de peso, o nome transliterado com uma acentuação no i, acabou por herdar o comando da ofensiva do “Timão”. Parece capaz, até, aqui e ali, de registrar um tento significativo. Porém, o seu padrão é o de alguém que apanha do esporte que escolheu para se profissionalizar.


No Fenerbahce
No Fenerbahce

Em primeiro lugar, aliás, parece difícil entender por quê o Corinthians o alistou no seu plantel, lá atrás, em Janeiro de 2017. E por um salário correspondente a R$ 250 mil ao mês. Isso, depois de, entre 2007 e 2016, Kazim passar por três clubes da Turquia (Fenerbahce, Galatasaray e Bursaspor) e mais cinco do Velho Continente (Toulouse da França, Olympiacos da Grécia, Blackburn da Inglaterra, Feyenoord da Holanda e Celtic da Escócia). Não aconteceu nenhuma passeata de gente fanática e decidida a lutar pela sua permanência nos gramados mais exigentes da Europa.

Ainda em 2016, disputou 25 partidas pelo Coritiba, só três tentos anotados. E, à sua partida, cartolas do “Coxa” ironizaram o seu futuro no “Timão”. Pior, poucos prélios, neste início de 2018, bastaram para que a contestação à sua presença no alvinegro se exacerbasse. No domingo, dia 22, a mesma torcida que saudava Kazim como “o gringo da favela”, o vaiou vivamente na sua saída aos 63’ da pugna contra o São Caetano. E aplaudiu fogosamente Júnior Dutra, que entrou em seu lugar e logo cravou 2 X 0 e abriu espaço para um sucesso tranquilo do Corinthians, 4 X 0.


Kazim e Assaf
Kazim e Assaf

Quanto às perguntas que fecham o parágrafo inaugural deste texto, eu esboço uma resposta viável: Matheus Assaf Pereira, gaúcho, o empresário de Kazim e amigão do ex-presidente Andrés Sanchez, candidato ao retorno nas eleições programadas para o sábado, 3 de Fevereiro. A história pregressa de Assaf não aponta agenciados além de Kazim. Foi esse eficiente negociante, todavia, que, em 2015, por R$ 500 mil ao mês, retrouxe o volante Cristian, sucesso entre 2008 e 2009 – mas, relegado ao banco, acomodadíssimo, até assinar com o Grêmio/RS em Setembro.

Resta afirmar que, ao menos, no “Timão”, a postura de Kazim se amainou. Nos seus idos de Europa, em diversas ocasiões sofreu denúncias de homofobia explícita e, na Holanda, a sua estada se encerrou abruptamente depois de, numa entrevista coletiva, audaciosamente convidar um jornalista para “brigar lá fora”. Como “gringo da favela” ele se mostrou um ótimo rapaz, simpaticão. Infelizmente, contudo, lhe falta o crucial, o Futebol.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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