Por 1 X 0 o São Paulo supera o "Timão" e se livra de um tabu
Já eram sete partidas sem vitória e mais uma série de estatísticas folclóricas que interrompem as gozações, ao menos até a próxima quarta-feira
Silvio Lancellotti|Sílvio Lancellotti

Dois resultados iguais, ambos de 2 X 1, ambos em favor do “Timão”, até este domingo, 25 de Março de 2018, emolduravam a história dos duelos entre o Corinthians e o São Paulo. O primeiro aconteceu no Parque São Jorge, em 25 de Maio de 1930. E o mais recente, no Pacaembu, em 27 de Janeiro. No total, 335 prélios, o “Timão” tinha 126 triunfos a 102, vantagem nos tentos de 487 a 458. No Morumbi, que já fora apelidado de “A Casa do Timão”, em 143 desafios superava o “Tricolor” por 50 X 36. Nos mata-matas, vencia o São Paulo por 21 X 5. E ostentava uma série invicta de 7 jogos sobre o rival.

Obviamente, os dois elencos que estiveram em ação, no Morumbi, para a semifinal de ida do atual Campeonato Estadual, não precisaram aferventar a sua disposição com tanta mitologia e tanto folclore estatístico. Assim que o árbitro Raphael Claus trilou o seu apito inaugural, os 22 atletas que começaram a porfia só pensaram na conquista do sucesso que os colocaria pertinho da decisão. Com a torcida única a seu favor, 42.280 espectadores, o “Tricolor” de Diego Aguirre despachou os pupilos de Fábio Carille por 1 X 0, e enfim se desvencilhou de tantos incômodos enciclopédicos.

Já sem Fagner, com a delegação do Brasil na Europa, e sem Romero e sem Balbuena, com a seleção do Paraguai, o treinador do “Mosqueteiro”, na sua centésima aparição no comando da equipe, sofreu um quarto desfalque ainda no aquecimento dos seus rapazes: Rodriguinho, problema muscular na coxa esquerda. Improvisou Émerson Sheik como meia. O “Timão” se ressentiu da ausência do seu principal costurador de jogadas de ataque. E o São Paulo, ao invés de tramar pelo meio e pelo chão, escolheu abusar dos chuveirinhos, talvez convicto de que as bolas aéreas representariam uma tortura para a retaguarda do alvinegro. No solo, e nos acréscimos da primeira etapa, todavia, o “Tricolor” cravaria o placar de 1 X 0, justo até então: uma investida veloz de Tréllez, uma intervenção incompleta de Cássio e a rebatida desfrutada por Nenê. Na celebração, estupidez desnecessária, Nenê, com uma "banana", provocou os reservas do Corinthians e o pau quase quebrou.

Melhorou bastante o “Mosqueteiro” na etapa derradeira. Assumiu o controle das intermediárias, a posse da pelota mas, de novo o drama de costume – na ausência de um artilheiro de ofício, a ausência de arremates e de tentos. Aos 75’ o São Paulo devastava o “Timão” na quantidade de finalizações, 11 X 2. Então, Carille tentou a alteração radical que se mostrava indispensável: tirou Sheik, 39 de idade, e colocou Pedrinho, menos da metade, 19. Mas, não houve tempo para uma reviravolta. Além de quebrar o tal tabu, irritante, o “Tricolor” abiscoitou o seu primeiro clássico na temporada e ainda a primazia de apenas necessitar de um empate, quarta, na Arena ainda-sem-nome-de Itaquera, para brigar pelo prazer de um título que desconhece desde 2005.
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