Pertinho do seu Hepta inédito, esta Juve faz recordar outras gerações
De faro, uma performance admirável. Porém, consequência da fraqueza do Calcio de hoje. Houve equipes preciosas no passado da "Velha Senhora".
Silvio Lancellotti|Do R7 e Sílvio Lancellotti

Esta temporada de 2018 coloriu com números incríveis a antologia da Juventus de Turim, inaugurada na primeira jornada de Novembro de 1897. No dia 9 de Maio, quarta-feira, ao atropelar o Milan, 4 X 0, pela 13ª vez a “Velha Senhora” do Piemonte arrebatou a Copa Italia, a segunda competição mais importante do Calcio. E neste domingo, dia 13, pode abiscoitar o seu 34º scudetto de campeonato nacional. Na Copa, um legítimo Tetra. Agora, no campeonato, o inédito Hepta. Com números não se discute. Todavia, não se deve considerar que a presente seja a melhor Juventus de todos os tempos. Houve outras equipes, no passado, igualmente admiráveis.

Ocorre que o Calcio de hoje, literalmente dominado por especuladores estrangeiros, como os norte-americanos da Roma, os chineses da Internazionale e do Milan, também superlotado de atletas comunitários, europeus, e inclusive de não nativos do continente, parece menos competitivo em relação àqueles do passado. Rivais de antiguidade, do Milan à Inter, se esconderam atrás do palco. Desde o seu galardão inicial nesta série do Hepta eventual, apenas o Napoli e a Roma ousaram desafiar a “Signora”. E mesmo assim, no fechar das contas, empacaram inúmeros pontos atrás. Caso do time da Terra da Pizza, em mais uma desafortunada “stagione”.

O Napoli chegou a mandar na tabela de classificação. Até houve momentos em que pareceu disparar à frente. O seu proprietário, Aurelio De Laurentiis, de uma longa estirpe de produtores de cinema, acaba de se exibir ao estilo dos comediantes de Totò a Tognazzi. Ao invés de se autocriticar pela falta de profundidade do seu elenco e pela incompetência do treinador Maurizio Sarri, culpou as arbitragens e o tal VAR pelo insucesso do seu clube na reta decisiva.
Muito pior, um agrupamento mínimo e politicamente folclórico, que se denomina Neoborbônico, em homenagem aos reis, de origem espanhola, que governaram a Itália de 1861 a 1946, chegou a enviar um ridículo protesto à FIFA. Sem problemas. Evidentemente, não acontecerá nada, de cima para baixo, que possa macular a rara performance da “Senhora” desde 2011. De todo modo, faço questão de recordar diversas outras gerações de equipes da Juve que fulguram nas estatísticas do Calcio e na minha memória.

DÉCADA DE 50
Do oitavo ao 12º scudetto. Títulos de 1950, 1952, 1958. 1960 e 1961. No banco: Giorgio Sarosi e Carlo Parola. Em campo: Viola, Vavassori e Mattrel (arqueiros); Bertuccelli, Manente, Corradi, Parola, Piccinini, Ferrario, Garzena, Benito Sarti, Càstano, Cervato e Colombo (zagueiros); Mari, Boniperti, Karl Hansen e Emoli (meiocampistas); Muccinelli, John Hansen, Praest, Nicolè, John Charles, Sívori, Carapellese e Stacchini (atacantes). Em 1951, vice do Palmeiras, na Copa Rio.

DÉCADA DE 70
Do 14º ao 18º scudetto. Títulos de 1972, 1973, 1975. 1977 e 1978. No banco, Cetsmir Vycpalek, Carlo Parola e Giovanni Trapattoni. Em campo: Carmignani e Dino Zoff (arqueiros); Spinosi, Cuccureddu, Gentile, Cabrini, Morini, Salvatore e Scirea (zagueiros); Furino, Capello, Tardelli, Causio e Benetti (meiocampistas); Anastasi, Haller, Bettega, Altafini e Boninsegna (atacantes). O elenco de base para as seleções de 1978 e 1982 - esta, a vencedora do Mundial da Espanha.

DÉCADA DE 80
Do 19º ao 22º scudetto. Títulos de 1981, 1982, 1984 e 1986. No banco: Giovanni Trapattoni. Em campo: Zoff e Tacconi (arqueiros); Cucureddu, Gentile, Cabrini, Scirea, Brio, Fàvero e Carìcola (zagueiros); Tardelli, Causio, Benetti, Bonini, Liam Brady, Fanna, Prandelli, Màssimo Mauro e Marocchino (meiocampistas); Briaschi, Bettega, Virdis, Paolo Rossi, Penzo, Platini, Boniek, Serena e Laudrup (atacantes). Ganhadora da Champions League e da Copa Intercontinental de Clubes na temporada de 1985, dispunha de uma defesa intransponível.

DÉCADA DE 90 e início do SÉCULO XXI
Do 23º ao 27º scudetto. Títulos de 1995, 1997, 1998, 2002 e 2003. No banco: Marcello Lippi. Em campo: Peruzzi e Buffon (arqueiros); Vierchowod, Thuram, Ciro Ferrara, Carrera, Juergen Kohler, Birindelli, Torricelli, Juliano e Montero (zagueiros); Roby Baggio, Camoranesi, Davids, Di Livio, Paulo Souza, Zambrotta, Deschamps, Antonio Conte, Nedved, Jugovic e Zinedine Zidane (meiocampistas); Luca Vialli, Ravanelli, Del Piero, Padovano, Trezeguet, Pippo Inzaghi, Boksic e Di Vaio (atacantes). Ganhadora da CL e da Intercontinental de Clubes em 1996. Desaptado, Zizou ficou pouco tempo em Turim.

A SÉRIE B
Injustificável não destacar a dignidade do elenco que se manteve fiel à “Senhora” mesmo rebaixada, no tribunal, em 2006, depois de provado que Luciano Moggi, o seu Diretor de Futebol, mantinha relações pouco louváveis com apitadores em geral. Ganhadora da Série B em 2007. No banco: Didier Deschamps. Em campo: Buffon (na meta); Boumsong, Chiellini, Birindelli e Balzaretti (zagueiros); Camoranesi, Paro, Cristiano Zanetti e Nedved (meiocampistas); Del Piero e Trezeguet (atacantes). Num certame de 22 clubes, a Juventus somou 85 contra os 79 do Napoli, segundo na tabela.

A ATUALIDADE
Do 28º ao 33º scudetto. Títulos de 2012, 2013, 2014, 2015, 2016 e 2017. No banco, de 2011 a 2014, Antonio Conte; desde então, Massimiliano Allegri. De Maio de 2011 a Março de 2013, a “Senhora” cravou o recorde de 49 partidas sem perder. No torneio de 2013/14, aliás, assombrosamente somou 102 pontos contra os apenas 85 da vice Roma. Em campo: Buffon (na meta); Lichtsteiner, Bonucci, Evra, Barzagli, Chiellini, Asamoah (zagueiros); Vidal, Pirlo, Marchisio, Pogba, Roberto Pereyra, Cuadrado, Khedira, Alex Sandro e Pjanic (meiocampistas); Simone Pepe, Matri, Vucinic, Giovinco, Carlitos Tevez, Llorente, Dybala, Gonzalo Higuaín e Mario Mandzukic (atacantes).
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