Pan, 2/8, "Meus Personagens do Dia": a Lena e o Ygor, incríveis
No Stand up Paddle e no Badminton, que nem nomes em português ainda têm, as heroicas medalhas de ouro que poucos especialistas esperavam
Silvio Lancellotti|Do R7 e Sílvio Lancellotti

Duas modalidades pouco disseminadas, de nomes ainda não traduzidos ou adaptados ao português, propiciaram ao Brasil, neste 2 de Agosto, no Pan de Lima/2019, duas preciosas medalhas de ouro. E, por isso, hoje, eu escolho não um, mas dois atletas, como os “Meus Personagens do Dia”: Lena Guimarães e Ygor Coelho. Ela, 38 de idade, na competição do SUP, o Stand Up Paddle, uma corrida a remo sobre uma prancha de surfe. E Ygor Coelho, 22, no Badminton, um jogo de peteca com uma raquetinha e uma rede do tipo Voleibol.

Professora universitária de Metodologia Científica na Universidade Veiga de Almeida de Cabo Frio, moradora de Arraial do Cabo, Região dos Lagos, Rio de Janeiro, casada com o treinador Américo Pinheiro, um par de filhos, Kauai e Maui, Lena conquistou o seu ouro na praia de Punta Rocas, numa disputa acirradíssima, na última onda. Atrás de Candice Appleby, dos Estados Unidos, durante quase todo o percurso, aproveitou o fato de ambas caírem e daí, num derradeiro “jacaré”, desembarcou na praia com uma folga de quase 40”.

Antes do SUP, Lena tentou praticar o Handebol. Todavia, magrinha e sem a altura ideal, aconselhada por Américo, que era o seu namorado e já trabalhava com Surfe, trocou a quadra pelo mar. Obviamente, não se arrependeu. Aliás, em Punta Rocas pôde dividir a sua alegria também com os filhos e com a mãe, Lúcia, lá presentes. Ironia: ela, por bem pouco, não ficou fora do Pan. Em Abril, num assalto de rodovia, bandidos levaram o seu carro e a sua prancha, fabricada sob-medida no Vietnam. Felizmente, em horas a PM recuperaria o veículo, os bens que lá havia e, ufa!, a prancha, intacta.

Ygor Coelho de Oliveira é um admirável sobrevivente da Comunidade da Chacrinha, em Jacarepaguá, Zona Oeste do Rio de Janeiro. Principiou a sua trajetória nos esportes com menos de 5 anos de idade, numa ONG denominada Associação Miratus, fundada pelo pai, determinado a oferecer oportunidades de independência e de dignidade a menores carentes. Já havia acumulado cinco títulos em certames continentais. E, agora, graças ao seu triunfo em Lima, deve figurar entre os 20 melhores do planeta.
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