O Real, no sufoco, e o Villarreal, no milagre, nas semis da Champions
No seu Bernabéu, os "Merengues" sofreram para impedir que o Chelsea, na prorrogação, virasse o resultado de Londres. E mesmo em Munique, no finalzinho, o "Submarino" eliminou o Bayern.
Silvio Lancellotti|Do R7 e Sílvio Lancellotti

Prevaleceram as expectativas de que três times ibéricos conseguiriam se qualificar às semifinais da Champions League da UEFA, temporada de 2021/2022. E, melhor, subsiste a possibilidade de haver dois clubes da Espanha na luta direta pelo título. Nesta terça-feira, 12 de Abril, o Villarreal realizou uma proeza quase inédita em sua história e, como não se imaginava, eliminou o poderoso Bayern, em Munique, 2 X 1 no placar agregado. Mas, como de fato se imaginava, embora no sufoco e no sacrifício, o Real Madrid despachou o Chelsea, atual dono do troféu, por 5 X 4 no agregado. Talvez ocorra, na quarta, dia 13, de o Atlético de Madrid sobrepujar o Manchester City. Nesse caso, a tabela da ChL prevê um choque doméstico, nas semis, entre Real e Atlético. O Villarreal espera por Liverpool X Benfica.
Eis as fichas e as sínteses dos jogos da terça:

BAYERN (Ale) 1 X 1 VILLARREAL (Esp)
Munique, Allianz Arena, 70.000 lugares
Público: 70.000
Árbitro: Slavko Vincic (Eslovênia)
Gols: Lewandowski X Chukwueze
Na ida, em Villarreal, Villarreal 1 X 0
No agregado: Villarreal 2 X 1
Agora: 4jog = 2Bay-0emp-2Vil (gols 5 X 3)
Impossível especular se o artilheiro Robert Lewandowski se incomodou com o boato, espalhado por um periódico da sua Polônia: ao se encerrar esta temporada, trocará os “Bávaros” pelo “Blaugrana” do Barcelona. Na realidade, porém, o Lewy não pôde inventar nenhuma situação de risco para os visitantes do “Submarino Amarelo”. Bem mais perigo produziu Danjuma, o autor do tento do prélio de ida. Sem a eficiência habitual, crucial de Lewandowski, o Bayern se limitou ao mero domínio estéril, de passes horizontais.

Só aos 52’ o Lewy desencantou, mas precisou de uma tolice retumbante de Parejo numa saída de bola. O artilheiro pegou a sobra e, da meia-lua, virou, implacável, 1 X 1. Sucedeu um tempão de domínio ainda mais estéril, todo o time de Unai Emery concentrado na sua defesa, todos os rapazes de Julian Nagelsmann na busca dos 2 X 1. Rebrotaria um castigo impiedoso, entretanto, aos 88, num contra-ataque insidioso que LoCelso puxou e o arisco nigeriano Samuel Chukwueze completou, fim da esperança de 69.000 alemães, a platéia quase inteira da Allianz Arena. O Villarreal pela segunda vez em uma das semis da ChL. Na primeira, em 2005/2006, tombou diante do Arsenal, 0 X 0 em casa e 0 X 1 em Londres.

REAL MADRID (Esp) 2 X 3 CHELSEA
Madrid, Santiago Bernabéu, 81.044 lugares
Público: 59.839
Árbitro: Szymon Marciniak (Polônia)
Gols: Rodrygo, Benzema X Mount, Rudiger, Werner
Na ida, em Londres, Real Madrid 3 X 1
No agregado: Real Madrid 5 X 4
Agora: 7jog = 1Rea-2emp-4Che (gols 8 X 11)
Num momento em que os “Merengues” predominavam e o talento individual de Vinícius Junior já sobressaía, os “Blues”, de amarelo integral, encontraram o gol do 1 X 0. No banco o brasileiro Jorginho, aos 15’ o seu substituto, Loftus-Cheek, tabelou com Timo Werner, que empurrou até Mason Mount bem no meio da zaga distraída do Real. Mount aparou a pelota e, da entrada da área, fulminou o arqueiro Courtois, que não conseguiu sequer espalmá-la. E logo os “Merengues”, automaticamente, sentiram o baque, quase um nocaute.

Um golpe ainda mais incisivo aconteceria aos 51’, num escanteio alçado por Mason Mount e numa testada seca de Rudiger, outra vez através do miolo da bequeira que não protegeu Courtois. Como não existe mais o critério de se contarem em dobro os tentos anotados em viagem, um agregado de 3 X 3, placar que conduziria o duelo à prorrogação. Sorte do Real que, aos 65, graças ao do VAR, o árbitro Szymon Marciniak corretamente anulou um gol de Marcos Alonso, um ex-Real, toque de mão na pelota antes do arremate. No entanto, os 3 X 0 surgiriam espetacularmente aos 75 quando Alonso lançou Timo Werner pela esquerda, o tedesco do Chelsea driblou dois “Merengues”, desferiu um tiro meio chocho mas a redonda pererecou e, com um efeito esquisito, mansamente, letalmente, adentrou as redes.

A euforia do treinador Thomas Tuchel durou pouquinho. Recém-colocado no campo por Carlo Ancelotti, aos 80 o brasileiro Rodrygo recebeu em profundidade um passe fantástico de Luka Modric e cravou 1 X 3. Haveria os 30’ suplementares, no mínimo. Então, aos 95, funcionaria de novo a dupla Vinícius Junior & Benzema, fulgurante na pugna de Londres. Vini cruzou e Benzema cabeceou, 2 X 3. Tal marcador bastava para os “Merengues”, então fervorosamente estimulados por 99% dos 59.839 presentes ao seu Bernabéu. O Chelsea, evidentemente, não desistiu. E os derradeiros instantes foram empolgantes, e foram inesquecíveis. Aos 118’, Jorginho, que entrara aos 106, cara a cara com Courtois bateu de tornozelo na pelota e desperdiçou o tento fatal. Como advertira o lindo mosaico exposto numa das arquibancadas do estádio dos “Merengues”: “Não se brinca com o rei”.
Jogos da quarta-feira, dia 13:

ATLÉTICO DE MADRID (Esp) X MANCHESTER CITY (Ing)
Madrid, Wanda Metropolitano, 68.456 lugares
Árbitro: Daniel Siebert (Alemanha)
Na ida, em Manchester, Manchester City 1 X 0
Retrospecto: 1jog = 0Atl-0emp-1Man (gols 0 X 1)
LIVERPOOL (Ing) X BENFICA (Por)
Liverpool, Anfield Road, 53.394
Átbitro: Serdar Gozubuyuk (Neerlândia, ex-Holanda)
Na ida, em Lisboa, Liverpool 3 X 1
Retrospecto: 11jog = 7Liv-0emp-4Ben (gols 22 X 12)

Semifinais em 26/27 de Abril e 3/4 de Maio
BEN/LIV X VILLARREAL
REAL MADRID X MAN/ATL
Idealizada em 1955, então como a Champions Cup, em 1993 a competição trocou de nome, se amplificou e se tornou Champions League, ou a ChL, ou a Liga dos Campeões. Agora na 67ª edição desde que nasceu, na 30ª desde que se multiplicou, esta ChL começou em 22 de Junho de 2021 com 80 equipes de 54 das 55 federações da UEFA. A exceção: Liechtenstein, cujas sete agremiações atuam em certames da Suíça. Na atual formatação a ChL privilegiou as 26 de ranking superior enquanto as outras 54 se digladiavam em mata-matas até que restassem apenas seis. Um sorteio dividiu as 32 em oito chaves de quatro. Sobreviveram os campeões e os vices respectivos de cada Grupo, que daí disputaram as oitavas de final que redundariam nestas quartas. Da etapa de chaves até aqui houve 118 cotejos com 355 gols, a boa média de 3,01, e com 4.021.323 espectadores, a média de 34.079. A decisão, em jogo único, está programada para 28 de Maio, um sábado, no Stade de France, em Paris.

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