O PSG, no sufoco, e o City, bem sossegado, vencem na Champions
Na primeira das oito datas das oitavas da principal competição interclubes do planeta, o brilho de Mbappé, em Paris, e o talento de Bernardo Silva, um português, no placar humilhante de Lisboa
Silvio Lancellotti|Do R7 e Sílvio Lancellotti

PSG 1 X 0 Real Madrid, basicamente a lógica. Sporting 0 X 5 Manchester City, em Lisboa. bem além da vergonha. Depois de basicamente dois meses, desde o desfecho de suas fases de chaves, em 9 de Dezembro de 2021, nesta semana recomeçam, com os seus cruciais mata-matas, as três competições interclubes do Velho Continente: a Liga dos Campeões, a Liga Europa e a Liga Conferência. Pela mais importante das três, a Champions, diretamente já se disputam as oitavas de final. Na outras, que valem como uma segunda e uma terceira divisão da UEFA, a entidade que administra as coisas do Futebol no Velho Continente, ainda existirão playoffs para a seleção de 16 sobreviventes cada qual.

A Champions League agora realiza a 67ª edição desde a sua criação, em 1955, como Champions Cup, a 30ª desde a sua ampliação em 1993. Principiou no dia 22 de Junho de 2021; com 80 agremiações de 54 das 55 federações da UEFA. Única exceção, Liechtenstein, de sete equipes que participam, a convite, de campeonatos da Suíça. Na atual formatação, preservou os 26 clubes de ranking superior e colocou os 54 restantes num moedor de eliminatórias, de modo que, em mata-matas, sobrassem só seis. Nas qualificaçôes ocorreram 93 jogos em que se anotaram 245 gols. Daí, os seis times resilientes e os 26 reservados, ou 32, acabaram divididos, por sorteio, em oito chaves de quatro cada. Nessas chaves houve 96 duelos nos quais se realizaram 297 gols, com a média muito boa de 3,07.

Os mata-matas de agora nasceram num sorteio montado pela UEFA no dia 11 de Dezembro. No bingo houve dois potes, um com os campeões, outro com os vices de cada Grupo, e se estabeleceram desafios de ida e de retorno, os campeões com o privilégio de mandar as pelejas de volta. Evitaram-se os confrontos de clubes de mesma bandeira e de mesmo Grupo. Com os dois que já se desenrolaram nestas oitavas, se acumulam 191 combates e 546 tentos, a média de 2,88. E num continente que, aos trambolhões, escapole da crise provocada pela impiedade da Covid-19, é ótima a afluência de público. Das chaves para cá, 3.083.167 espectadores viram os 98 desafios, com a média excelente de 31.461.

No próximo 18 de Março, conhecidos os remanescentes das oitavas, a UEFA efetuará mais três sorteios em série, esses sem restrições ou benefícios. Num se determinarão os emparceiramentos das quartas de final, em 5/6 e 12/13 de Abril, e a sua imediata sequência às semis, em 26/27 de Abril e 3/4 de Maio. No segundo, as suas respectivas sedes de ida e volta. Do terceiro, meramente protocolar, sairá aquele time que será considerado o anfitrião na decisão, prevista para o sábado 28 de Maio de 2022, na Krestovsky Arena, São Petersburgo, Rússia. Eis as fichas técnicas e as sínteses dos confrontos desta terça-feira.

PSG (Fra) 1 X 0 REAL MADRID (Esp)
Paris, Parc des Princes, 47.929 lugares
Público: 47.443
Àrbitro: Daniele Orsato (Itália)
Gols: Mbappé
Em desvantagem estatística, três derrotas e uma vitória em seis combates, “Les Parisiens”, ao menos, poderiam passar os “Merengues” no volume de tentos, que exibia um placar de 7 X 8. Parecia muito mais significativo, de todo modo, o retorno à França, no banco do Real Madrid, de Carlo Ancelotti, o treinador do PSG entre Dezembro de 2011 e Maio de 2013. Nos gauleses, recém-liberado pelo departamento médico, Neymar ficou na reserva e na esperança de uma convocação por Maurício Pochettino. No primeiro tempo, prevaleceu o equilíbrio dos elencos. E Neymar continuou sentado depois dos 15’ do intervalo.

Transcorreu fogosamente o início da etapa derradeira. O mediador Orsato, generoso, só levantou um cartão amarelo, aos 57, numa entrada estúpida de Mendy, meia do Real, em Danilo do PSG. Aos 61, porém, não hesitou em apontar a marca fatal, pênalti, quando o estabanado Carvajal atropelou Mbappé. Para o azar supremo do PSG, Messi indicou o canto e Courtois espalmou a escanteio. Impaciente na lateral do campo, só aos 72 Neymar enfim entrou, no lugar de Di Maria, um ex-Real. Os “Parisiens” ampliaram a sua pressão, além dos 60% de posse de bola. E o prêmio brotaria nos acréscimos, numa jogada incrível e magistral de Mbappé, que deve se transferir exatamente aos “Merengues” na próxima temporada. Sem ângulo, no lado esquerdo do seu ataque, passou entre Lucas Vazquez e Hazard e fulminou Courtois com um petardo rasteiro e indefensável. Agora, na volta de Madrid, os “Merengues” necessitarão de um placar de 2 X 0 para a classificação.

SPORTING (Por) 0 X 5 MANCHESTER CITY (Ing)
Lisboa, Estádio José Alvalade, 50.095 lugares
Público: 48.129
Árbitro: Srdjan Jovanovic (Sérvia)
Gols: Mahrez. Bernardo Silva/2, Foden, Sterling
A chance do desempate. Nos dois confrontos anteriores, um sucesso de cada, 3 X 3 nos gols. E, especificamente para os “Leões” do Alvalade, a chance de soterrarem uma vergonha mastodôntica na CL de 2008/2009, a única em que atingiram os mata-matas da nova era da competição: Bayern, 7 X 1 em Munique e 5 X 0 em Lisboa. Vã expectativa. Depressa demais o toque de bola dos “Citizens” desmoralizou o sonho dos lusitanos. Logo aos 7, com Mahrez, num lance que exigiu um bom tempo de exame nas imagens do VAR e na interpretação das regras do impedimento – que não acontece quando a pelota vem da linha de fundo. Depois, aos 17, num lindo voleio de Bernardo Silva, um ex-Benfica, aliás.

Aos 31, com Phil Foden, que escorou um cruzamento de Mahrez, os pupilos de Pep Guardiola triplicaram. Aos 44 quando, na sua enésima barbeiragem, a frágil, lastimável retaguarda do Sporting permitiu a tabela e a infiltração de Sterling e de Bernardo Silva, a quem coube finalizar, 4 X 0. A tragédia dos rapazes de Rubem Amorim aumentaria, aos 58, num tiro cruzado de Sterling no ângulo das traves do aturdido arqueiro Antonio Adán, absurdos 5 X 0. Não mais subsiste, desde Julho de 2021, o antigo critério dos tentos perpetrados no campo do inimigo. Mesmo assim, na volta de Manchester, 9 de Março, o Sporting terá que ganhar de 5 X 0 para carregar a disputa a uma prorrogação ou aos penais. Muito mais viável, no entanto, que se reproduza o dramalhão ridículo de 2009.
Dia 16 de Fevereiro, quarta-feira:
RB SALZBURG (Aus) X BAYERN (Alemanha)
Salzburgo, Stadion Salzburg, 31.895 lugares
Árbitro: Michael Oliver (Inglaterra)

INTERNAZIONALE (Ita) X LIVERPOOL (Ing)
Milão, Stadio Giuseppe Meazza, 75.923 lugares
Árbitro: Szymon Marciniak (Polônia)
Dia 22 de Fevereiro, terça-feira
CHELSEA (Ing) X LILLE (Fra)
Londres, Stamford Bridge, 41.837 lugares
VILLARREAL (Esp) X JUVENTUS (Ita)
Villarreal, Estádio de la Cerámica, 23.500 lugares
Dia 23 de Fevereiro, quarta-feira
ATLETICO MAD (Esp) X MANCHESTER UTD (Ing)
Madrid, Estádio Metropolitano, 68.456 lugares
BENFICA (Por) X AJAX (Nee)
Lisboa, Estádio da Luz, 64.642 lugares

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