O Napoli e a Fiorentina empatam e empacam, ótimo para a Juventus
Num jogo horroroso, que acabou no 0 X 0, erros e medos dos treinadores meramente favoreceram a líder que, neste domingo, desafia o Sassuolo
Silvio Lancellotti|Do R7 e Sílvio Lancellotti

De certa maneira, pode-se afirmar que a Fiorentina e o Napoli são praticamente iguais em tudo. Nasceram com meros 28 dias de diferença: o “Burro” da Terra da Pizza data de 1º de Agosto de 1926 e a “Viola” da Toscana de 28 do mesmo mês e do mesmo ano. Cada qual amealhou o “scudetto” de campeão da Bota em duas temporadas: a Fiorentina em 1955/56 e 1968/69, o Napoli em 1986/87 e 1989/90. E estatisticamente as equivalências também se demonstram radicais. Pela Série A, pela Série B e pela Copa Itália, até este sábado, 8 de Fevereiro, na rodada 23 do certame nacional de 2018/19, tinham se confrontado em 160 pugnas, 56 triunfos da “Viola”, 56 do “Burro”.

Prélio horroroso, finito em 0 X 0. E prevaleceram todas as parecenças, apesar das diversas diferenças específicas que opuseram a “Viola” e o “Burro” no duelo do Artemio Franchi de Florença, a capital da Toscana. A Fiorentina, 31 pontos em 66 disponíveis, ocupava a 9ª posição na tabela de classificação. Havia registrado 33 gols e concedido 25. Quanto ao Napoli, em teoria, deveria desembarcar no gramado mais vivaz e mais ambicioso. Nos 51 pontos, a vice-liderança, 42 tentos a 18, fantasiava a chance de diminuir a folga da Juventus, no topo com 60. Mesmo momentaneamente o seu sucesso eventual baixaria a vantagem a 6. Daí, só lhe restaria esperar que o seu padroeiro San Gennaro perpetrasse o “miracolo” de, no domingo, fazer o Sassuolo, com 30, suplantar a “Zebra”. Ah, melhor faria o padroeiro se agisse em Florença...

Carlo Ancelotti, o condutor do “Burro”, não ajudou com a sua escalação. Ao invés de colocar Mertens no lugar de Hamsik, o craque eslovaco que escolheu trocar a Terra da Pizza por uma experiência na China, e de preservar o seu clássico tridente com os artilheiros Milik e Insigne, optou por retirar o polonês e usar o estático esquema 4-4-2. Ou, o padroeiro, antes de espicaçar a Juve, precisaria favorecer o seu próprio protegido. Na Fiorentina, Stefano Pioli não soube se locupletar. Também amansou a sua ofensiva ao não repetir a dupla Chiesa-Simeone que, na Copa, havia comandado a detonação da Roma por 7 X 1. E o prélio se arrastou, dolorosamente, em 0 X 0, até o seu intervalo.

Basicamente nada se alterou na etapa derradeira. Milik e Simeone continuaram a mofar no banco de reservas. E os dois arqueiros, Lafont da “Viola” e Meret do “Burro”, no frio debaixo das suas traves. Aos 62’, Ancelotti convocou Milik à porfia. Só que no posto de Mertens. Pior, aos 77’ o “mister” do Napoli ainda sacaria Insigne do seu ataque. Pioli, enfim, projetou a resposta correta e trocou Mirallas, que havia acabado de substituir Gerson, por Simeone, um digno herdeiro do Diego “Cholo”, o antigo volante e hoje técnico do Atlético de Madrid. Uma resposta correta, mas absolutamente tardia, inútil. Nos acréscimos, Milik ainda desperdiçaria o tento da “salvezza”, a um metro das redes escancaradas da Fiorentina. Placar punitivo de 0 X 0.

Ainda sobram 8 pontos na zona de conforto da “Zebra”, que pode perfeitamente re-ampliá-los aos 11 mesmo no Mapei-Città del Tricolore da Emília-Romagna, a sede do Sassuolo, apelidado de “Casca de Melancia” por causa do seu fardamento listrado em verde e preto. No combate do primeiro turno, em Turim, a Juve cravou 2 X 1, ambos de Cristiano Ronaldo, na sua primeira “doppietta” na Itália. Na Série A desde 2013, o Sassuolo costuma perpetrar as suas malvadezas nos grandes da Bota. De todo modo, a Juve, ainda invicta no certame, obteve em viagem 28 dos seus 60 pontos, ou 47%. Dos seus 10 jogos “in trasferta”, venceu 9. Marcou 21 dos seus 46 tentos. E concedeu só 7 dos seus 15. O CR7 é o artilheiro do torneio, 17 gols.
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