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Nos esportes da Itália, bastante blablablá, mas segue o impasse

O governo autorizou que, a partir do dia 27, se reabram os negócios destinados à produção dos bens essenciais. O Futebol, nada ainda.

Silvio Lancellotti|Do R7 e Sílvio Lancellotti

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Calcio, Série A, nada ainda
Calcio, Série A, nada ainda

Mesmo num rompante rude e politicamente incorreto em relação aos sepultadores, os anônimos que se tornaram protagonistas nesta crise tenebrosa da Covid-19, Gabriele Gravina, presidente da Federcalcio, já tinha se definido: “Eu não serei o coveiro do Futebol na Itália”. Paolo dal Pino, o presidente da Liga da Série A da Bota, depois de uma vídeo-conferência de três horas de duração, afirmou que, pelo voto dos 20 clubes, prevaleceu a intenção de se terminar, dentro do gramado, o campeonato de 2019/20. Marcello Nicchi, o presidente da Associazione Italiana Arbitri, havia garantido que, no preparo físico, os mediadores do País estão todos à disposição.

Paolo dal Pino
Paolo dal Pino

Alexsander Ceferin, o presidente da UEFA, também já havia assumido: “Talvez seja necessário sacrificar as seleções. Mas, os 55 torneios nacionais têm, têm que chegar aos seus desfechos.” A entidade inclusive estabeleceu que, para as suas copas, a Champions League e a Europa League, as vagas deverão estar preenchidas até o dia 3 de Agosto. Claro que nenhum desses senhores é maluco ao ponto de colocar em risco atletas, agregados, pessoal da imprensa e da mídia eletrônica, o público etcetera e tal. Todos, sem a mais escassa exceção, sonham com uma situação perto do ideal para qualquer retorno. E, neste começo de semana, a Itália saboreou mais uma jornada de esperanças, um lampejo, um alento, em que houve uma queda no número de infectados, o recorde de recuperados, a nova diminuição no volume de mortos.


Vincenzo Spadafora
Vincenzo Spadafora

De todo modo, permaneciam bem pessimistas os conselhos da OMS, que recomendou a volta eventual do Futebol, na Europa, apenas em 2021. E também subsistiam dúvidas a respeito da posição de quem na Itália assumiria a decisão de fato: Vincenzo Spadafora, o seu Ministro do Esporte, e Roberto Speranza, o seu colega da Saúde. Ambos, aliás, originários do Sul, de regiões em que o SARS-CoV-2 não se demonstrou tão inclemente, tão devastador. Spadafora, por exemplo, provém de Afrágola, uma cidadezinha de montanha, nas vizinhanças de Nápoles. Speranza é de Potenza, quase no calcanhar da Bota, uma outra comunidade envolta por colinas protetoras. Ambos, aliás, ostensivamente, e assumidamente, apaixonados pelo Calcio.

Roberto Speranza
Roberto Speranza

Mesmo assim, por saberem que necessitariam se portar como estadistas e não como um mero par de torcedores, foi sobriamente que, nesta quarta-feira, dia 22 de Março, eles comandaram um “Super Vértice” on-line, uma longa conferência, via TV, com toda a cúpula do Futebol da Velha Bota, os cartolas, os representantes dos atletas, dos árbitros e até da Mídia, para se dirimirem dúvidas e se ajustarem detalhes. Spadafora já tinha, na terça, pelo seu twitter, esfriado as fantasias: “Uma autorização para que se retomem os treinamentos não significará que, tão cedo, recomeçará o campeonato”. E Speranza se provou mais desanimador: “Ainda com cerca de 400 mortos por dia, o Calcio é o último dos itens do nosso rol de prioridades”.


A sede da Lega Calcio da Série A, fechada
A sede da Lega Calcio da Série A, fechada

E, com efeito, depois de um blábláblá infindável, apenas se resolveu ganhar tempo. No momento, o Calcio depara com três possibilidades. 1) Disputar todas as partidas que ainda restam mas não se conhece quando. 2) Compactar o restante do campeonato mas não se imagina como: se em playoffs ou um mini-torneio. 3) Interromper tudo de uma vez e correr o risco de uma infindável proliferação de ações nos tribunais. Crucial lembrar que o campeonato da Bota está intimamente conectado às futuras copas da UEFA.

O governo ao menos autorizou, para a segunda-feira, dia 27, a reabertura, num sistema escalonado de colocação de empregados, do funcionamento daqueles negócios destinados à produção dos bens cruciais à manutenção da população. E só. Não se falou nada sobre treinamentos, muito menos a respeito de parques, piscinas, de ginásios, de CTs e de campos de futebol.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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