No sufoco, empate de 2 X 2, mas o Real chegou à final da Champions
Uma falha patética do volante Tolisso e do arqueiro Ulreich propiciou o segundo gol dos Merengues. E o CR7, de novo, apenas entrou em campo.
Silvio Lancellotti|Do R7 e Sílvio Lancellotti

Num Santiago Bernabéu integralmente engalanado com as suas cores, o branco e o azul-violáceo, na sua oitava participação consecutiva nas semifinais na Champions League da Europa, o anfitrião Real Madrid padeceu para assegurar o placar de 2 X 2 diante do Bayern de Munique e para se credenciar ao tri da competição, o seu título de número 13. Resta aguardar que, nesta quarta, 2 de Maio, no Olímpico da capital da Itália, surja o segundo clube que, no dia 25, no Estádio NSC Olympiyskiy de Kiev, “A Mãe de Todas as Cidades”, capital da Ucrânia, decidirá o ganhador da 63ª edição da CL, anos 2017/2018.

A competição se iniciou, em 27 de Junho, com 79 clubes de 54 nações, e se desdobrou, até aqui, em três etapas de desafios pré-eliminatórios, uma fase de playoffs, uma de oito grupos de quatro times cada, e daí os mata-matas das oitavas, das quartas e de uma das semis. Houve 217 jogos presenciados por 9,19 milhões de pessoas, 629 tentos, as médias de 2,90 e de 42.723.

REAL MADRID/ESP 2 X 2 BAYERN/ALE
Santiago Bernabéu, Madrid, 81.044 lugares
Tentos: Benzema/2 X Kimmich, James Rodríguez
Na coletiva habitual que cada treinador concede antes de uma peleja da CL, o bem-humorado Zinedine Zidane, do Real, observou que havia sonhado com um gol do seu time logo no comecinho da partida. Bem mais sério e mais formal, Jupp Heynckes, o seu adversário do Bayern, comentou que apenas esperava por uma partida digna do epíteto de “A Melhor do Ano”. Razão para Heynckes, foi de fato uma peleja empolgante. Infortúnio de Zizou, logo aos 3’, o francês Tolisso tentou o cruzamento, o capitão Sérgio Ramos enfeitou no corte de calcanhar, Kimmich desfrutou a barbeiragem e fulminou, 1 X 0.

Um belo estímulo para os quase 3.500 fãs do Bayern que voaram os 1.500km, em linha reta, que separam a sua cidade e a capital da Espanha. Porém, um fervor que não durou nem dez minutos. Aos 11’, outra bobagem, do lado oposto, equívoco de Alaba, e o atento Benzema, numa testada portentosa, desfrutou o perfeito levantamento de Marcelo, 1 X 1. Azar do Bayern, aos 14’ Cuneyt Cakir, o mediador da Turquia que estará na Copa da Rússia, ignorou um penal evidente de Sérgio Ramos em Lewandowski. Mai tarde, Cakir ignoraria um outro penal, toque de mão de Marcelo. De todo modo, o desafio se desenrolou num ritmo contagiante, repleto de perigos de lado a lado.

Inacreditavelmente, aos 47’, uma lambança ao quadrado, com um atraso horroroso de bola por Tolisso e ainda uma indecisão primitiva do arqueiro Ulreich, propôs a ambos um dos pés-de-página mais patéticos da História do Futebol, 2 X 1 em favor do Real. Os rapazes da Terra da Cerveja necessitariam de muito coração, de uma enorme recuperação psicológica, para descontar o prejuízo. Pois o Real colaborou. Refluiu. Cedeu espaço. Daí, aos 63’, Marcelo escancarou o espaço às suas costas para a investida de Sule, que cruzou, James Rodríguez chutou, o arqueiro Navas espalmou mal, Sérgio Ramos e Varane se atrasaram e o colombiano, um ex-Real, igualou 2 X 2.

Pelo critério do gol qualificado, que conta em dobro, no caso da mesma diferença de tentos, aqueles anotados em viagem, um placar de 3 X 2 classificaria o Bayern. Claro, Zizou optou por se resguardar. Tirou o inútil Kovacic e o exausto Benzema e colocou o mastim Casemiro e o galês Gareth Bale, um bom prendedor de bola. Heynckes então substituiu Rodríguez, 1m80, por Javi Martínez, 1m90. A busca de um lance fatal por cima, nos cocorutos.

Já nos 88’, de armas em punho, Casemiro recebeu um amarelo. Infração cobrada na direção de Martínez. O desvio. Lateral. E outro desvio. Escanteio. Hummels para fora. Uma outra chance. Sufoco. Resvalo de Martínez. E a agarrada de Navas. A cera dos “Merengues”. Cinco de acréscimos. E nos estertores do prélio Mueller se atrasa em um outro cruzamento. Valeu a luta do “Urso”. Cena derradeira: o desalento de Ulreich. Que erro cruel...

Dia 2 de Maio
ROMA/ITA X LIVERPOOL/ING
Stadio Olìmpico, 72.698 lugares
Em 6 disputas anteriores, a vantagem dos “Reds”, 3 X 1 nos sucessos e 10 X 4 nos gols. E os fãs da “Gialorossa” não se esquecem daquele 30 de Maio de 1984, quando o tempo normal e a prorrogação se esgotaram em 1 X 1, e o Liverpool detonou a Roma nos penais, 4 X 2. A Roma de Falcão e de Cerezo. E o cotejo no mesmo Olímpico da capital da Bota. Reverter os 5 X 2 da Inglaterra? Bem, os tifosi da “Loba” sonham com um milagre equivalente ao das quartas, um tombaço em Barcelona, 1 X 4, e depois a revolução em casa, 3 X 0. Um milagre, mesmo, pespegar um outro 3 X 0, e no único invicto desta CL.
No seu Anfield Road o elenco dirigido por Juergen Klopp passeou até os 80’, dois gols de Firmino e dois de Salah, mais Sadio Mané. Uma folga que parecia consolidada até que os rapazes de Eusebio Di Francesco se inflamassem, estóicos, tentos de Dzeko e de Perotti. Só que, em seis mata-matas diante de clubes da Inglaterra a Roma sucumbiu em todos. Salah já amealhou 48 tentos na temporada, dez nesta CL, ele que, em duas stagioni na Itália, com a Roma, apenas havia registrado 29. E Dzeko, hoje na Roma, em quatro anos de Manchester City jamais superou o Liverpool em eventos da Premier League.
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