No jogo antecipado da rodada 26, um péssimo empate da Juventus
Placar de 1 X 1 contra o Torino, no "Derby della Mole". Isso, depois de fazer 1 X 0 aos 13'. Vlahovic foi muito mal, Dybala se lesionou, e a "Senhora" terá Champions, na quarta, dia 23, contra o Villarreal.
Silvio Lancellotti|Do R7 e Sílvio Lancellotti

Especialmente nesta temporada de 2021-2022, atípica e complicada para as duas agremiações rivais do Piemonte, se torna mais irônico lembrar que o jogo entre Juventus e Torino ganhou um apelido pseudo-charmoso, o “Derby della Mole”. Com seus 167 metros de altura, erigida entre 1863 e 1897, encravada bem no melhor cenário do centro histórico de Turim, com total respeito se diga que a Mole Antonelliana nunca serviu para nada. Destinada, nas suas origens, a abrigar uma sinagoga, a comunidade hebraica preferiu entregá-la à administração da cidade. Funcionou como um mirante, serviu de cenário a filmes de mistério e de terror, se transformou na sede do Museu do Cinema, mas jamais substituiu, como o símbolo da Arquitetura do Piemonte, os maravilhosos 18km de calçadas cobertas que fascinam o turista visitante, protegido debaixo de chuva ou neve.

Foi como “Derby della Mole”, no entanto, que a mídia da Bota anunciou o cotejo desta sexta-feira, 18 de Fevereiro, na abertura da rodada #26 do “Nazionale” do Calcio, de um lado a Juve, ou “Vecchia Signora”, ou “Zebra”, numa corrida frenética por vaga na futura Champions League, e do outro o “Toro Granata”, também na cruel batalha por, ao menos, participação na Conference League, espécie de terceira divisão da UEFA, entidade que toca o Futebol no Velho Continente. Inaugurada em 13 de Janeiro de 1907, Torino 2 X 1 Juventus, a saga atingiu, oficialmente, o seu desafio de número 204. Como ficou num empate ruim, 1 X 1, a Juve permanece com 89 triunfos a 56 e vantagem, nos tentos, de 303 a 242.
Eis o desenrolar da contenda:

JUVENTUS (4ºlug/47pg/26jog) 1 X 1 TORINO (10/33/25)
Turim, Allianz Stadium
Arbitro: Dàvide Massa
Gols: De Ligt X Belotti
Um “Derby” é sempre um “Derby”, tanto faz o codinome que lhe deram ou a posição dos seus oponentes na tabela de classificação. E o clássico de Turim, em respeito à sua centenária tradição, foi equilibrado, e emocionante, até o final. Antes dos 9’, aliás, em duas ocasiões Sszczesny já fôra encarregado de intervenções excelentes em descidas do Toro. Só aos 11, num “contropiede” veloz pelo flanco esquerdo do gramado, Rabiot exigiu uma bela espalmada do arqueiro Milinkovic-Savic, de nome tão longo que, na sua camisa, exibe apenas Vanja. No corner subseqüente o alçamento de Cuadrado caiu bem na cabeça de De Ligt, o segundo gol do zagueiro neerlandês no torneio, Juve com 1 X 0 no placar, folga curta, que perduraria até o intervalo. Fariam bastante falta as diversas chances desperdiçadas.

Faltou à “Senhora”, no primeiro tempo, o característico “slancio” de Vlahovic, o seu deslanche em profundidade. Um equívoco tático do treinador Massimiliano Allegri, o tridente que mantém Dybala e Morata em movimento e contém o sérvio, à maneira de um pivô, de costas para a meta do inimigo. Então, aos 62, quase na linha de fundo, Cuadrado permitiu que Brekalo o ultrapassasse e tocasse a pelota ao miolo, no pé canhoto de Belotti, 1 X 1. E pior, para o azar da Juve, Dybala sentiu dores ao tentar um tiro torto de média distância e solicitou a substituição. Entrou McKennie, bem menos decisivo. Aos 73, Allegri desistiu de Vlahovic, decidiu preservá-lo para a partida de terça próxima na Champions League e colocou Moise Kean. Triste Kean, um monarca dos atabalhoamentos.

Ironia das ironias, era Morata o melhor da Juve, naqueles momentos derradeiros da peleja. E no Torino brilhava o emprestado ex-juventino Rolando Mandràgora. Dos 80’ em diante a porfia virou pelada, tudo ou nada, o time do croata Ivan Juric, um antigo volante trombador, a bater mais do que a buscar o controle da bola. Uma bagunça a “Senhora”, com De Ligt subitamente transformado num ala a garimpar cruzamentos e Alex Sandro como o beque central. No miolo da área “granata” o baiano Bremer, ex-Atlético Mineiro, jogava por três e rebatia o que surgisse ao seu redor. Resultado horroroso para a Juve, obrigada a sonhar com uma derrota da Atalanta, domingo, diante da Fiorentina, e a remontar as suas peças para a sua viagem à Espanha, onde se digladiará, na ChL, com o valente Villarreal.
Pelejas do sábado, dia 19:
SAMPDORIA (16/23/25) X EMPOLI (7/40/25)
Gênova, Stadio Luigi Ferraris
Árbitro: Antonio Rapuano
ROMA (7/40/25) X VERONA (9/36/25)
Roma, Stadio Olímpico
Árbitro: Luca Pairetto

SALERNITANA (20/13/23) X MILAN (1/55/25)
Salerno, Stadio Arechi
Árbitro: Michael Fabbri
Pelejas do domingo, dia 20:
VENEZIA (17/21/24) X GENOA (19/15/25)
Veneza, Stadio Pier Luigi Penzo
Árbitro: Daniele Orsato
INTER (2/54/24) X SASSUOLO (12/30/25)
Milão, Stadio Giuseppe Meazza
Árbitro: Francesco Fourneau
UDINESE (15/24/23) X LAZIO
Ùdine, Dacia Arena
Árbitro: Luca Massimi

FIORENTINA (8/39/24) X ATALANTA (5/44/24)
Florença, Stadio Artemio Franchi
Árbitro: Daniele Doveri
Pelejas da segunda-feira, dia 21:
CAGLIARI (18/21/25) X NAPOLI (2/52/24)
Cágliari, Stadio Unipol Domus
Àrbitro: Maurizio Mariani
BOLOGNA (13/28/24) X SPEZIA (14/26/25)
Bolonha, Stadio Renato Dall’Ara
Árbitro: Lívio Marinelli

Inaugurada em 21 de Agosto de 2021, e com seu desfecho previsto para 22 de Maio de 2022, esta edição da Série A do Futebol da Velha Bota, a 120ª na História do Calcio, a 90ª desde a implantação do campeonato de pontos corridos, em turno e em returno, já apresentou 246 partidas e 734 tentos, média de 2,98. Os principais artilheiros do certame: Ciro Immobile (Lazio), 19 gols. Dusan Vlahovic (Fiorentina/Juventus), 18=17/1; Giovanni Simeone (Verona), 12; Lautaro Martínez (Inter) e Tammy Abraham (Roma), 11; Domenico Berardi (Sassuolo), João Pedro (brasileiro do Cagliari) e Edin Dzeko (Inter) 10.

No meio desta semana atual, prestes a terminar, houve quatro combates de peninsulares na UEFA. Na Champions League, a Inter amargou uma derrota, em casa, placar terrível que dificilmente resgatará na peleja de volta: Liverpool 2 X 0. E na Europa League aconteceu o resultado mais alvissareiro, o significativo empate do Napoli com o Barcelona no Camp Nou do “Blaugrana”. Em Bérgamo, a Atalanta, de virada, suplantou o Olympìacos da Grécia, 2 X 1, um placar muito perigoso. Em Portugal, a Lazio permitiu que o Porto, também de virada, obtivesse um sucesso por 2 X 1. Nesta próxima semana, uma outra, das seis agremiações do Calcio que prosseguem nas competições da Europa, enfrentará um adversário difícil, intrincado: a Juventus que, na Champions League, visitará o Villarreal da Espanha. A Roma, na Conference League, esperará o sorteio que, dia 25, definirá o seu futuro antagonista.

PS: Bravo, Zico, menos de 24 horas depois de uma cirugia de quadril, já caminha no corredor do hospital. Força, amigo!
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