No dia do jogo 1.000 de Cristiano Ronaldo, é Dybala quem brilha
Sem platéia, por causa do Covid-19, a Juventus suplanta a Inter, 2 X 0, com um golaço do argentino, e reassume a liderança do do campeonato da Bota
Silvio Lancellotti|Do R7 e Sílvio Lancellotti

Um decreto governamental criou um cenário de guerra no Norte e em boa parte do centro da Velha Bota. Toda a região da Lombardia, onde se situam Milão e Bérgamo, as cidades da Internazionale e da Atalanta, a terceira e a quarta na tabela de classificação do Campeonato Italiano de 2019/2020. Em mais duas cidades do Piemonte: Asti e Alessandria. Cinco da Emìlia-Romagna: Mòdena, Parma, Piacenza, Reggio-Emilia e Rìmini. Duas das Marche: Pèsaro e Urbino. E em três do Vêneto: Venezia, Treviso e Pàdova. Como na Idade Média dos fortins, ninguém entra e ninguém sai, a não ser em casos de gravidade.

Restrições oficialmente impostas, no mínimo, até o dia 9 de Abril. Parece fantasioso, mas é fato. Tudo para que se controle o contágio, a disseminação da versão de número 19 do Coronavírus, ultra-microrganismo que a Ciência já conhecia nos anos 60 e que, desde então, obstinadamente, incomoda a humanidade com as suas inúmeras mutações, também conhecidas por SARS ou por MERS. Um intruso desregrado e capaz de transtornar o Calcio da Itália, o seu “Campionato Nazionale” que, nesta temporada, sonhava festejar o 118º aniversário, o 88º de pontos corridos e em turno e returno. Decidiu-se pelo prosseguimento do certame. Mas, inteiramente sem platéias.

Neste domingo, 8 de Fevereiro, por exemplo, no Allianz Stadium de Turim, apenas 500 pessoas participaram de um evento estranhíssimo, chocho, o prélio da Juventus, a dona da casa, contra a Internazionale de Milão. Nenhum torcedor acompanharia ao vivo a peleja de número 1.000 da carreira de Cristiano Ronaldo. Além dos atletas, dos integrantes das suas comissões técnicas e da turma da arbitragem e do VAR, dos cartolas de praxe, as medidas de segurança só admitiram a participação de uma equipe de cuidados médicos, mais os funcionários essenciais, os “stewards”, jardineiros, gandulas e porteiros, bombeiros e policiais, e os 150 representantes da mídia. Os alimentos eventuais apenas num bufê único, tipo self-service que a administração do estádio terceirizou antecipadamente.

Solução prática, e óbvia. O adiamento de Juve X Milan, na semifinal da Coppa Italia, quarta-feira dia 4, acarretou o acúmulo de três toneladas de alimentos não utilizados que a “Senhora” se obrigou a distribuir a entidades de beneficência. O duelo no gramado? Em situação normal, em casa, a Juve seria a favorita. Desde o jogo inaugural, 2 X 0 em Turim, 14 de Novembro de 1910, até o último, 2 X 1 em Milão, 6 de Outubro de 2019, em 236 cotejos oficiais havia ganho 107 e perdido 71, anotado 337 gols e sofrido 291. E, nos anos dos seus oito títulos em série, desde 2012, em 19 cotejos, havia ganho 11 e perdido 5. Não sucumbia em Turim frente à “Biscione”, a serpente mitológica de Milão, desde 3 de Dezembro de 2012. E o tabu se ampliou.

Melhor a Juve no primeiro tempo. Contida, todavia, por uma sólida cortina “nerazzurra” comandada pelo ótimo volante Nicolò Barella, 23 de idade. Nas duas ocasiões em que a “Senhora” conseguiu penetrar, com Matuidi e com o CR7, esbarrou no arqueiro Handanovic. Aos 54’, no entanto, do nada brotaria um tento da “Senhora”, a descida de Matuidi pela esquerda, o cruzamento rasteiro até o R7, a barbeiragem do zagueiro De Vrij e o arremate de Ramsey. Então, aos 59’, Maurizio Sarri, o treinador da Juve, realizaria uma alteração providencial. Substituiu o inútil Douglas Costa por Paulo Dybala. Que, logo aos 67, numa tabela sensacional com Ramsey, dobraria o placar.

Desafortunadamente, no dia da milésima porfia do CR7, a súmula meramente o eternizou por receber um cartão amarelo. Resumo da ópera: a Juventus com 63 pontos e a Lazio com 62 em 26 cotejos. A Inter, empacada nos 54 em 25 prélios, se afasta dramaticamente da batalha pelo título da temporada. E de que maneira ainda se ajustará o campeonato nos seus outros tantos buracos? Para este final de semana, o sábado 7 e o domingo 8 de Março, a tabela previa as dez porfias da “giornata” 27, totalmente realocada para os dias 13, 14 e 15. E os que remanescem da rodada 25, ocorrerão em 18 de Março, menos Inter X Sampdoria, pois a “Biscione” terá jogo na Europa League. Ou, ainda sem data programada o prélio que talvez conduza a Inter aos 57 pontos.
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