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No Calcio, o Milan da China bate a Roma dos Estados Unidos, 2 X 0

Agora, na Itália, não basta a invasão dos não nativos nos elencos: também alguns dos grandes clubes são dominados pelo capital estrangeiro.

Silvio Lancellotti|Do R7

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Por décadas e décadas, praticamente desde os anos 30, o Calcio, o Futebol da Velha Bota, ostentou na Europa as regras mais radicais de contratação de estrangeiros. Até mesmo se dizia que bastava a “Squadra Azzurra” falhar numa competição para que as fronteiras se fechassem. Em 1982, porém, a seleção da Itália conquistou o título da Copa da Espanha. E paulatinamente o seu mercado se escancarou. Primeiro, dois não nativos. E depois três, e quatro, e cinco, até o dia 15 de Dezembro de 1995.

Bosman: no fim das contas, o fracasso absoluto
Bosman: no fim das contas, o fracasso absoluto

Em tal data a Corte de Justiça da União Europeia aceitou uma ação proposta por Jean-Marc Bosman, um medíocre armador belga cujo clube, o Liége, de sua própria nação, se recusava a liberá-lo ao Dunkerque da segunda divisão da França. Bosman não desfrutou o seu sucesso, acabou por se desiludir com o esporte, se tornou um alcoólatra e também acabou preso por espancar a mulher. Seu triunfo, no entanto, destruiu de vez as antigas fronteiras físicas do continente. Surgiu a figura do trabalhador comunitário. Em qualquer ofício, livre para se empregar em qualquer país que integrasse a União.


O álbum clássico: cadê os italianos?
O álbum clássico: cadê os italianos?

Ocorreu, daí, um tufão. No seu elenco atual da Roma, de 25 atletas registrados na FIGC, a Federazione Italiana Giuoco Calcio, apenas seis, de fato, são nativos da Bota. No elenco atual do Milan, de 29, ou 25 efetivos e quatro no estaleiro, o número quase se triplica, a dezessete peninsulares de fato. Pior, porém, é o fato de essas duas agremiações, incrível, terem uma absoluta maioria de capital externo no seu controle acionário. Pode-se dizer Associazione Sportiva Roma dos Estados Unidos e Associazione Calcio Milan da China.

Berlusconi: uma venda suspeitíssima
Berlusconi: uma venda suspeitíssima

Propriedade quase ditatorial de Silvio Berlusconi desde 1986, em 5 de Agosto de 2016 o Milan se emaranhou em uma negociação confusérrima com um grupo oriental liderado por um certo Li Yonghong e pela sua esposa Huang. Constava, então, que Li seria um bilionário da especulação em terras para a construção de condomínios, da indústria de embalagens e da extração de Fósforo. Daí, enquanto a transação se arrastava, dois jornais basilares, “The New York Times” e “La Gazzetta dello Sport”, se enfiaram em uma impiedosa investigação a respeito do estranho cidadão. Não confirmaram sequer a sua data de nascimento, 16 de Setembro de 1969.


Li, o MIlan oriental
Li, o MIlan oriental

Muito pior, descobriram que a fortuna da família de Li teria nascido do golpe da “Pirâmide de Dinheiro”, cuja havia lesado 18.000 incautos. Que o pai e dois irmãos estariam presos num enclave subordinado à jurisdição de Hong Kong. Sobre o seu braço-direito, Han Li, que o suposto magnata indicou como seu preposto, sequer a origem se levantou. Tudo isso valeu o equivalente a R$ 3 bi, além da absorção de uma dívida de R$ 900 mi.

Rosella e Totti: áureos tempos
Rosella e Totti: áureos tempos

Dominada pela Família Sensi desde 1993, primeiro o seu patriarca Franco (1926-2008) e em seguida a bambina Rosella, em meados de 2011 a Roma cedeu o seu trono a Thomas DiBenedetto, bilionário de Massachusetts, sócio dos Red Sox de Boston, time de Beisebol. Daí, em 2012, DiBenedetto entregou o seu cetro a um amigo da mesma região, James Palotta, sócio dos Celtics do Basquetebol. Ambos se camuflam atrás da Neep Roma Holding, que detém 79,04% das ações da “Loba”. Sob a bandeira dos EUA, a Roma ainda não ganhou nada. Sob a bandeira da China, o Milan não venceu patavina.


Palotta, o OK dos Red Sox e dos Celtics à entrada na Itália
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Neste domingo, no Olímpico da Capital, as duas equipes se digladiaram, no Campeonato da Bota, pela 26ª rodada de um total de 38. O Milan sobreviveu a um prélio frio, desinteressante, 2 X 0. Patéticos na classificação, a Roma ostenta 50 pontos em 78 disponíveis, a quinta colocação, fora da chamada Zona Champions League. O Milan tem apenas 44. Não atuaram o Napoli, 66, e a Juventus, 65. O Napoli visita o Cagliari, curiosamente, em Turim, nesta segunda – o seu estádio, improvisado, não comporta tal confronto e, para não desperdiçar o apoio de tifosi, a sua administração optou por atuar debaixo das asas da Juve. Cuja pugna diante da Atalanta, neste domingo, por causa de uma nevasca, ficou para 14 de Março. Ah, o Napoli pertence ao Grupo De Laurentiis de cinema. E a Juve, ao Grupo Agnelli/Fiat. Tutti buona gente...

Nevasca em Turim, jogo adiado, Juve X Atalanta
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