No Calcio, o "Burro" empaca e a "Zebra" já galopa na liderança
Depois de mandar no torneio por 27 rodadas, o Napoli fraqueja, outra vez, e a Juventus de Turim não perdoa e enfim se locupleta e pula à frente na tabela
Silvio Lancellotti|Sílvio Lancellotti

No topo da tabela de classificação, com 69 pontos em 81 disponíveis, fulgurava o Napoli da Terra da Pizza, clube criado em 1926, apenas dois títulos de campeão da Itália, o último em 1989/90. Logo depois, 68 porém um prélio doméstico adiado, contra a Atalanta de Bérgamo, corria a Juventus de Turim, nascida em 1897, 33 troféus, os seis mais recentes num hexa, desde 2012.

Nesta próxima quarta-feira, dia 14 de Março, a “Zebra” resgatará aquele cotejo que não houve. E como preserva, airosamente, sossegadamente, desde Novembro de 2004, uma invencibilidade de 24 cotejos diante de “A Deusa”, podiam-se considerar no seu caixa os três pontos em disputa. Quer dizer, virtualmente, a Juve estaria à frente do Napoli, com 71 pontos a 69.

Admiravelmente, numa campanha de antologia, o Napoli liderou o torneio sem percalços desde a rodada inaugural, 19 de Agosto de 2017. Mas, já despachado nos grupos da Champions League do continente, ainda fraquejou na 27ª jornada do Calcio quando perdeu da Roma, 2 X 4, dentro do seu San Paolo. Enquanto isso, em duas pugnas dramáticas e decididas absurda e exclusivamente nos instantes derradeiros, a Juve evoluia.

Por 1 X 0 suplantou a Lazio, em Roma e, muito melhor, na CL, em Londres, 2 X 1, espetacularmente eliminou o Tottenham. Em ambas as pugnas, atuações esplendorosas da sua “Joya”, o platino Paulo Dybala. Tomariam rumos, direções, destinos opostos, os embalos da “Zebra” de Turim e do “Burro” de Nápoles? Sim, e opostos que se exacerbariam neste domingo.

Primeiro, a “Velha Senhora” hospedou a mais acessível Udinese, apenas 33 pontos. Favorita da lógica, suplantou a visitante por 2 X 0. Dybala cravou os dois tentos e o seu compatriota Higuaín falhou na cobrança do seu terceiro penal consecutivo. Daí, na pugna derradeira deste dia 11, numa missão dificílima em Milão, o Napoli visitou a Internazionale, 51 pontos e em plena batalha por uma vaga na futura CL. Estacionou no placar nulo, 0 X 0. E na classificação, 70 pontos. A Juve somou 71 de fato e deverá subir aos 74.

Diga-se, em favor de Maurizio Sarri, o seu treinador, que o elenco da Terra da Pizza não se apequenou apesar dos ruidosérrimos tifosi da equipe de Luciano Spaletti – esse, sim, um partidário da retranca, mesmo no seu estádio, o Giuseppe Meazza da capital da Lombardia. Tanto que o principal atacante do “Il Biscione”, ou “O Dragão”, foi o trapalhão Koulibaly, beque do Nápoli.

Logo no princípio da etapa final do jogo a Inter perdeu duas chances de marcar. Aos 48’, o eslovaco Skriniar acertou uma testada num poste. Aos 52’, o grandalhão francês, de 1m95, por um triz não perfurou as próprias redes. Então, o “Burro” da Campânia assumiu o domínio das ações e merecia percorrer os 780km de volta às suas plagas com um triunfo. Decepcionou.
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