No Calcio e na Europa , a Juventus brilha como a única ainda invicta
De todas as equipes que disputam a Champions League, é a agremiação que ainda não perdeu em jogos da UEFA e do seu campeonato nacional
Silvio Lancellotti|Do R7 e Sílvio Lancellotti

No atual Campeonato Italiano de 2019/20, a Juventus de Turim lidera, um pontinho à frente da Internazionale de Milão. Pela qualidade do Futebol que apresenta, ainda parece muito distante da esquadra fulgurante que levou o “scudetto” de 2011/12, invicta, 23 triunfos e 15 empates em 38 cotejos, na primeira temporada de Antonio Conte como o seu treinador, na primeira dos seus oito títulos em sequência, e na primeira do seu novíssimo estádio. Mas, ironicamente, é a única agremiação da Europa que ainda não sofreu qualquer derrota tanto no seu torneio nacional como no continental que disputa.

Conte, o seu antigo volante e “capitano”, atualmente na Inter, abiscoitou três dos oito “scudetto”. Massimiliano Allegri, outro meio-campista, embora um mero utilitário e sem o mesmo talento, arrebatou os outros cinco. Agora, comanda a “panchina” da “Velha Senhora” do Piemonte um treinador contrastante no estilo e na personalidade, o obsessivo Maurizio Sarri, fumante crônico, um homem de inúmeras manias, como só escrever mensagens à mão e por caneta tinteiro, e nunca utilizar as, digamos, “Redes Sociais”.

Um napolitano de 10 de Janeiro de 1959, filho de um casal de operários, na adolescência Sarri chegou a brincar em peladas de escola mas, depois, se empregou como bancário e, em horas eventualmente vagas, dirigiu elencos de amadores e um punhado de clubes menores até aterrissar no Napoli, em 2015, e lá desenvolver um método apelidado de “tiki-taka vertical”, espécie de anteposição à lateralidade de Pep Guardiola no Barcelona. Os fãs do “Ciuccio”, ou o “Burro da Terra da Pizza”, inclusive fantasiaram que ele teria idealizado uma forma original de jogar, o Sarrismo, mote acolhido como um neologismo na antológica Enciclopédia Trecanni, que existe e predomina desde 1925.

Em 6 deste mês de Outubro, no “Derby d’Italia”, Sarri sobrepujou Conte, 2 X 1, mesmo num repleto Giuseppe Meazza. E a Juve, também chamada de “Zebra”, superou a Inter, ou “La Biscione”, uma espécie mitológica de serpente, na classificação. Respectivamente, ambas assumiram os 19 e os 18 pontos em 21 disponíveis. E, claro, são favoritérrimas nos seus combates deste final de semana, pela rodada de número 8 do certame. A “squadra bianconera”, em casa, pega o mediano Bologna, 9 pontos. A “nerazzurra”, em seus domínios, hospeda o Sassuolo, 6 e quase dentro da zona patética de queda à Série B.

O Napoli e a Roma, únicos rivais de fato da “Senhora” no transcorrer dos seus inusitados oito lauréis consecutivos, desta vez permanecem distantes, com 13 e com 12 pontos. De todo modo, não se digladiarão, necessariamente, contra inimigos perigosos. O “Ciuccio” hospeda o Verona, de 9 pontos. A “Loba” da capital visita Gênova mas não deve se assustar com a Sampdoria, 3. No meio, no degrau dos 16, paira a surpreendente Atalanta de Bérgamo, a “Dea”, essa, sim, de adversário intrincado, muito mais duro, a Lázio, em Roma, 11.

Curiosamente, porém, não é a “giornata” do nacional que mais interessa aos “tifosi” da Velha Bota nas próximas datas. Ocorrerá nesta semana que virá, afinal, a rodada de número 3 da etapa de chaves da Champions League da Europa de 2019/20. Logo na terça, o dia 22 de Outubro, pelo Grupo C, a Atalanta se empenhará, viajante, numa tarefa de fato absurda: depois de duas derrotas, desafiar o Manchester City, 6 pontos, na Inglaterra. A Juve, com 4 pontos e o topo do Grupo D, tentará, em Turim, se livrar do Lokomotiv Moscou, da Rússia, com 3. Indispensável um sucesso pois, também 4 pontos, o Atlético de Madrid abrigará o zerado Bayer Leverkusen da Alemanha.

Ainda ocorrerão as porfias da Inter e do Napoli na quarta, dia 23. Solitário no alto do Grupo E, 4 pontos, o “Burro” batalhará para preservar a sua posição contra o Salzburg, 3 pontos, na Áustria. E a “Biscione”, dramaticamente na rabeira do Grupo F, apenas um empate ruim com o Slavia Praga, em Milão, precisará, a qualquer custo, no Meazza da Lombardia, suplantar o tedesco Borussia Dortmund, 4 pontos e a primeira colocação. As duas agremiações da capital integram a fase de chaves na outra competição do continente, a Europa League. Com 3 pontos no Grupo E, a Lazio visita, na Escócia, o Celtic, que lidera a turma, 4. Idem nos 4 pontos e no topo do Grupo J, a Roma pode ampliar a sua tranqüilidade ao receber um outro tedesco, também um outro Borussia, o Moenchengladbach, o lanterninha da sua turma com 1.

Sonham os fanáticos pela Juventus, obviamente, com a manutenção do seu desempenho precioso na Champions e no Calcio, que ela prossiga como a única da Europa que ainda não perdeu uma pugna sequer. O Liverpool (com 8 triunfos em 8 prélios na Premier League) e o Real Madrid (com 5 triunfos e 3 empates em La Liga), caíram em suas chaves diante do Napoli e do PSG da França. Também se mantém invicto o Wolfsburg da Alemanha. Mas, ao invés da prioritária Champions, integra as contendoras da Europa League.
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