Silvio Lancellotti No Calcio da Itália, um algoritmo consegue endireitar a Torre de Pisa

No Calcio da Itália, um algoritmo consegue endireitar a Torre de Pisa

Aparentemente derrotada pelos clubes da Série A, que vetaram o fator de correção, a FIGC de Gabriele Gravina reverte tudo no seu Conselho Federal

O milagre de Gabriele Gravina

O milagre de Gabriele Gravina

Reprodução YouTube

Inacreditável e chocante, impactante e surpreendente, qualquer adjetivo desse teor vale para explicar a surra gigantesca desferida pelo Conselho Federal da FIGC, a entidade que regula o Futebol na Itália, nos 20 clubes da Série A, a sua primeira divisão. Dos 28 componentes do Conselho, 21 se dispuseram a participar da assembléia virtual realizada na manhã desta segunda-feira, dia 8 de Junho de 2020. E, por 18 votos a 3, se aprovou o projeto de retorno que o seu presidente, Gabriele Gravina, havia sugerido e que a Liga da Série A havia repudiado por 16 a 1, com três abstenções. Apenas os 3 representantes da Liga na assembléia desafiaram Gravina. Que, à saída do conclave, brincou: “Pois é, desentortamos a Torre de Pisa.”

Gravina, o grande vencedor

Gravina, o grande vencedor

FIGC

Anunciado por Gravina em 29 de Maio, o projeto dispõe de três andares que, na dependência do comportamento da Covid-19, de uma ou outra forma poderá assegurar o correto prosseguimento e até mesmo a decisão, dentro de campo, do Campeonato da Bota, edição interrompida de 2019/2020. O seu Plano A propõe que, congestionadas e quase sem pausas para descanso, acontecerão, a partir do próximo dia 20, todas as 124 partidas pendentes desde 24 de Fevereiro. “Obviamente”, observou o presidente, “eu torço para que seja essa, claro, sim, a alternativa que deverá prevalecer”

O Plano B de Gravina imagina que, subitamente, advenha uma nova quarentena, nova suspensão. Nessa situação, a definição do “scudetto” da temporada se fará através de “playoffs” e a definição dos times rebaixados, através de “playouts”. Sobreviveu, no entanto, ao menos em parte, o exótico Plano C, que introduz o famigerado algoritmo, o fator aritmético de correção: de que modo as agremiações se situariam na hipótese de o torneio cessar de vez. Nesse caso, se calculará uma média em função das partidas que cada time terá disputado, até então, dentro de casa e em viagem, E essa média será aplicada sobre os pontos das pugnas que remanesceriam.

A assembléia apenas vetou a utilização do algoritmo para a definição do título. Caberá ao fator, porém, determinar os participantes da Champions e da Europa League. Seu plenário, além dos três representantes da Série A, abriga um único eleitor da B, três integrantes da Série C/D, seis da Liga Diletante, quatro representantes dos atletas, dois representantes dos treinadores. Os árbitros entram com peso um. E os oito outros sufrágios provêm da FIGC, da UEFA e até da FIFA. Até o momento em que eu escrevia esta coluneta, a FIGC não havia anunciado quais membros do Conselho detonaram a Liga da A.

Diplomático e sorridente, Gravina fez questão de atenuar: “Não considero que a Liga da Série A tenha sofrido uma derrota. Simplesmente, o Conselho Federal não admitiu as suas ponderações. Estou seguro de que resgataremos a nossa unidade. O objetivo comum, não duvido, é acabar o campeonato com tranqüilidade, e privilegiar o mérito esportivo.” Falta, contudo, explicar como se desenharão, caso necessário, os “playoffs” e os “playouts”. Gravina só adiantou que a FIGC ainda debate se esses desempates abrigarão quatro ou até seis clubes. Mas, prometeu, com um aceno: “Breve. Antes do dia 20, todos saberão.” Para quem, até o domingo, apenas curtia migalhas do pão, um desfecho de impressionante superioridade. Parabéns, ele merece.


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